NÃO CHAMEM O PSICANALISTA!

não chamem o psicanalista” O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo.” (Sigmund Freud, o criador da Psicanálise).

“Psicanálise é confissão sem absolvição.” (Gilbert Chesterton, escritor e filósofo britânico).

Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer. (Mário Quintana, poeta brasileiro).

A Revista Época, que vai às bancas na próxima segunda-feira, dia 22, traz como destaque de sua edição uma matéria especial, intitulada “Por Dentro da mente de Bolsonaro”, na qual psicanalistas analisam a mente do presidenciável da extrema-direita. Joel Birman, psicanalista e pós-doutor em Psicanálise pela Universidade de Paris, “sentenciou”:

“Bolsonaro defende o armamento da população, pretendendo fazer justiça com as próprias mãos. A postura psíquica marcadamente violenta do presidenciável, também converge para seu autocentramento. Para ele, o único outro que existe é aquele que reflete sua imagem e semelhança, de maneira que os demais não existem e devem ser cruelmente eliminados, o que revela a marca paranoica do personagem com tons megalomaníacos sem limites.” (Revista Época, número 1060, página 33).

Mas há algo que, ultimamente, vem nos chamando mais a atenção do que o que se passa na mente de Bolsonaro: é o que se passa na mente de grande parte de seus eleitores, especialmente de alguns estratos da sociedade. Ao final do primeiro turno, os quase 50 milhões de votos dados a Bolsonaro, trazia-nos uma perplexidade. Porém, tínhamos um ligeiro alento: não, o Brasil não tem (ainda) 50 milhões de fascistas. O que levaria tanta gente a votar em Bolsonaro? Claro que nesse universo de eleitorado há sim fascistas, neonazistas, ultra-direitistas em geral e absolutamente conscientes do que Bolsonaro representa. Mas apenas essa fração do eleitorado de Bolsonaro não seria suficiente para chegar nem na frente do Alckmin. Ah, mas há também os mais ricos. O mesmo instituto que coloca Bolsonaro disparado na frente da disputa presidencial, também concluiu em suas pesquisas que Bolsonaro é o candidato dos ricos. Mas se juntarmos fascistas, neonazistas e os ricos desse país, como o dono da Havan, o eleitorado bolsonarista ainda seria minguado. Até aí, tudo dentro do esperado. As conclusões dos psicanalistas que examinaram a mente de Bolsonaro não nos traz qualquer surpresa. O que estamos querendo entender, e isso ainda será objeto de estudo para além do âmbito da ciência política, é o que está levando outras frações da sociedade a votarem em Bolsonaro. E aí pode ser que o trabalho dos psicanalistas venha a nos ajudar a entender. Será?

Me recuso a falar de “medo”. De nosso lado não exitem “Reginas Duartes”. Até porque, seria uma auto-desqualificação de nossa parte ter medo de alguém que é sabidamente tosco, covarde, limitadíssimo intelectualmente e que, mesmo em plena ditadura militar e com uma “linha dura” significativa, conseguiu fracassar até na carreira de terrorista. O que ocorre, é que os argumentos e os conhecimentos da ciência política já não são mais suficientes para entender o que se passa com o eleitorado brasileiro. Até porque o simples ódio a um partido, como o PT, é um argumento fragilíssimo para justificar certas posições em uma eleição que a direita apresentava um arco de alternativas. Aliás, como já dissemos, o “ódio ao PT” ou “antipetismo” também virou um álibi oportunista e muito bem vindo para quem se envergonha de mostrar as suas verdadeiras caras.

Vejo professores, e de escolas públicas, votando em Bolsonaro. Bolsonaro já afirmou que implantará o ensino à distância, já a partir do fundamental. Isso eliminaria a presença do professor. Se ele não vai fazer isso já, aí é outra questão. Mas que afirmou, afirmou. Ele também defende o “Escola Sem Partido”, projeto inquisitorial, que amordaça o professor e cria um canal de denúncia anônima contra professores. Em um vídeo, seu filho Eduardo afirma que serão distribuídos “voucheres” para os alunos procurarem uma escola particular de sua preferência para estudarem. No vídeo, ele fala que educação não deve ser obrigação do Estado. E toma dinheiro para os donos de escola, privatização da educação e desemprego para os professores. Chama o psicanalista!

Vejo negros votando em Bolsonaro. Bolsonaro que afirmou que negros devem ser pesados em arrobas, como reses, e não servem nem para procriar. Também afirmou que seus filhos jamais namorariam uma negra porque eles foram “bem educados”. Ele também é contra o sistema de cotas, que levou milhares de negros às universidades públicas. Seu vice chamou negros de malandros. Chama o psicanalista!

Vejo mulheres votando em Bolsonaro. Bolsonaro que afirmou que mulheres devem ganhar menos do que os homens porque engravidam. Ele também afirmou que “ter filha mulher é dar uma fraquejada”. Logo ele,  que falou que só não estupraria uma mulher porque ela “não merecia”. Logo ele, que desqualifica qualquer movimento em prol das mulheres. Chama o psicanalista!

Vejo jovens trabalhadores, pobres e assalariados, votando em Bolsonaro, apesar de ser ele, como mostram as pesquisas, o candidato dos ricos. Bolsonaro que, como deputado federal, votou em todas as propostas que agridem os direitos dos trabalhadores, como a reforma trabalhista, e que já afirmou que os trabalhadores devem escolher entre o emprego ou os direitos. Bolsonaro, cujo “guru econômico” já anunciou uma tabela de imposto de renda que sacrificará mais os pobres e suavizará os ricos. Isso, sem falar que seu vice criticou a existência do décimo-terceiro salário. Chama o psicanalista!

Vejo pessoas que votam em Bolsonaro dizendo que ele “vai acabar com a violência”. Bolsonaro, que participou de um plano, quando ainda no Exército, para jogar bombas em quartéis e no reservatório do Guandu, como forma de protestar contra os “baixos salários” dos militares. Bolsonaro, que também se disse a favor da tortura e sugeriu metralhar Fernando Henrique Cardoso, de quem era opositor. Bolsonaro, que tem como “herói”, um torturador sanguinário, Carlos Alberto Brilhante Ustra, aquele que enfiava ratos vivos nas vaginas das presas políticas. Acabar com a violência? Chama o psicanalista!

Vejo homossexuais que votarão em Bolsonaro. Uma matéria desse ano da mesma revitsa Época tem como título “Gays com Bolsonaro”. Bolsonaro, que afirmou que preferia ver um filho morto do que sendo gay.  Bolsonaro, que afirmou que se visse dois homens se beijando, “enfiaria a porrada”. Chama o psicanalista!

Vejo pessoas religiosas votando em Bolsonaro porque ele é cristão e defende a família. Cristão? Ele já falou que jamais perdoará o seu agressor e quer que ele mofe na cadeia. Cristão que defende a pena de morte e o armamento da população? Família cristã? Mas ele já se casou três vezes. Chama o psicanalista!

Amigos, a mente de Bolsonaro é mais do que conhecida. Como disse o próprio Ernesto Geisel, quando o chamou de um “militar anormal”. Tanto que foi expulso do Exército e obrigado a ir para a reserva por seus atos terroristas e de indisciplina. E, com todo respeito aos doutores psicanalistas, as conclusões às quais eles chegaram são mais batidas do que bife de pensão. Alguém poderia sugerir: então vamos chamar os psicanalistas para estudarem as mentes dos eleitores de Bolsonaro, como eu clamei ao longo desse texto. E eu vos direi: Não, não chamem não! Sabem por quê? Porque existe uma historinha que eu sempre conto nesse caso e que me faz lembrar de minha professora de Psicologia, chamada Betty Malin. Ela contava essa história para diferenciar o trabalho do psicólogo do trabalho do psicanalista. Não sei por onde anda essa criatura tão bonita e competente, mas ela sempre contava algo sobre os psicanalistas que me deixava intrigado. E aí vai a historinha que a professora Betty Malin contava:

Um homem de 50 anos de idade ainda fazia xixi na cama. Ele não aceitava isso, não conseguia conviver com esse problema. Então, encontrou com um amigo na rua, falou de seu problema e disse que iria procurar um tratamento. Disse  que iria a um psicólogo. Tempos depois ele reencontra o amigo, que vai logo perguntando:

– E aí, resolveu aquele problema?

– Sim, agora resolvi.

– Como assim, “agora resolvi”?

 É porque quando eu fui no psicólogo, eu fiquei um tempo sem mijar na cama, mas ainda não me sentia bem. Então, revolvi ir ao psicanalista.

E o amigo então falou:

– Então quer dizer que, graças ao psicanalista, o teu problema está resolvido? Você não mija mais na cama?

– Não, eu continuo mijando na cama. E muito. Cada vez mais. Só que agora eu até curto essa situação. Acho até um grande barato…

 

 

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