A “BOLSOFRAUDE” MILIONÁRIA

whatsapp“O artigo 222 do Código Eleitoral prevê que se o resultado de uma eleição qualquer for fruto de uma ‘fake news’ difundida de forma massiva e influente no resultado, o artigo 222 prevê inclusive a anulação”. (Luiz Fux, então Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em declaração proferida no dia 21 de junho de 2018)

Não resta dúvida de que, ao entrar na disputa eleitoral, o PT legitimou todo processo e aceitou as regras do jogo. O PT aceitou que Lula não fosse candidato. Ao aceitar a troca de Lula por Haddad, seguindo os ritos da legislação eleitoral, não haveria como o PT não reconhecer o resultado vindo das urnas. No entanto, mesmo sabendo que a força de Bolsonaro vem das redes sociais e de grupos de WatsApp, isso não significa que o PT não possa se insurgir contra a absurda quantidade de mentiras, calúnias e difamações espalhadas pelo WhatsApp tanto contra o PT como contra o seu candidato.

O pior de tudo isso é que a Justiça Eleitoral parece não ter cumprido a promessa, por incapacidade, medo ou omissão, de combater a propagação de mentiras, tanto pela internet como pelos grupos criados para atacar o PT e seu candidato. O próprio Bolsonaro declarou “não ter controle sobre o que fazem seus apoiadores”. Algo tipo uma “lavação de mãos”, tão profícua para ele como os “neutros” e “críticos” que também lavaram as mãos. E agora, faltando dez dias para o pleito em seu segundo turno, uma reportagem da Folha de São Paulo mostrou que a rede de mentiras pró-Bolsonaro é, também, uma rede milionária, com participação de empresas, o que é vedado pela legislação eleitoral desde o pleito de 2016. A reportagem da Folha mostrou que o esquema de propagação de mentiras e calúnias começa com a compra, por empresas, de pacotes de disparos de mensagens em massa. De acordo com a matéria, cada pacote de disparos em massa custa 12 milhões de reais. Uma das compradoras do serviço, por exemplo, é a rede de lojas Havan, cujo dono, apoiador declarado de Bolsonaro, chegou a divulgar um vídeo onde ameaça seus funcionários de demissão em caso de derrota do candidato fascista. A prática é criminosa e ilegal, sob dois aspectos: o envio e propagação de calúnias e o financiamento privado de campanhas por empresas, vedado pela legislação eleitoral.

O problema agora é o Poder Judiciário e a Procuradoria Geral de República se imporem e serem tão rigorosos como foram com outras candidaturas. Em um vídeo, Hadadd afirmou que “se um empresário do esquema for preso, entregará toda a quadrilha”. Onde está a senhora Raquel Dodge? Onde está Rosa Weber, que preside o TSE? Onde está Dias Tófoli, que depois que assumiu a Presidência do STF parece que se escondeu sob sua toga? Não podemos deixar de considerar que os estragos em termos eleitorais que a imunda máquina de mentiras pró-Bolsonaro já produziu são irrecuperáveis. E agora fica claro que as suspeitas levantadas por Bolsonaro em relação à urnas eletrônicas não deixaram de ser uma estratégia para a tirada do foco dos crimes que sua campanha cometia. A “Bolsofraude” veio à tona.

Lembro-me que Luiz Fux, que foi tão rigoroso com Lula, chegou a afirmar que a eleição contaminada por difusão de mentiras é passível de anulação. E agora, Excelentíssimo doutor Luiz Fux? “Pau que bateu em Chico também baterá em Francisco” ou o coturno irá se impor à toga?

São calúnias, financiamento empresarial e “caixa 2”. Se a PRG e o Poder Judiciário não tomarem qualquer medida, ficará caracterizado que esses órgãos, que deveriam primar pela lei, já se acomodaram, capitularam ou tornaram-se, de certa forma, cúmplices, da tenebrosa noite que se avizinha e ameaça o horizonte democrático do Brasil.

 

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