LOAS E LOAS

ku klux klan“Ele soa como nós.”  (David Duke, ex- líder da organização terrorista e racista norte-americana Ku Klux Klan, em elogio a Jair Bolsonaro, durante programa de rádio retransmitido pela BBC Brasil no dia de ontem).

“Lula é o cara.” (Barack Obama, primeiro Presidente negro da história dos Estados Unidos, em elogio a Lula durante a reunião do G-20, em Londres, em 2009).

A declaração mais significativa embora, ao mesmo tempo, mais lamentável, em relação à eleição presidencial veio de fora do Brasil e foi divulgada por diversos veículos de comunicação no dia de ontem. Refiro-me ao elogio feito pelo ex-líder da organização terrorista e racista norte-americana, a Ku Klux Klan, a Jair Bolsonaro, quando afirmou, em referência ao candidato fascista, que “ele soa como nós”. Prosseguindo seus elogios, o ex-líder da organização terrorista acrescentou que Bolsonaro se parece com qualquer “homem branco nos EUA, em Portugal, Alemanha ou França”.

Quando a Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão, terminou, em 1865, a união do norte e do sul dos Estados Unidos ainda custaria muito sangue. Logo após o conflito, o então Presidente Abraham Lincoln foi assassinado. O assassino, John Booth, era escravista e contrário ao fim da escravidão e à integração dos negros na sociedade, promovidos por Lincoln. Mas isso foi apenas o início. Pouco tempo depois, em 1866, veteranos confederados, que haviam, portanto, lutado pelo sul, derrotado na guerra, fundaram uma sociedade secreta terrorista e racista que defendia a supremacia branca e atacava negros recém-libertos. Surgia a Ku Klux Klan.  Os crimes da Ku Klux Klan contra negros, visando intimidá-los, abrangia linchamentos e assassinatos. Tudo em nome da “supremacia branca”. Os terroristas da Ku Klux Klan usavam roupões brancos e capuzes para esconder suas identidades.

A Ku Klux Klan, mesmo declarada ilegal pelos Estados Unidos, continuou atuando e ainda existe até hoje, embora muitos de seus integrantes tenham aderido a grupos neonazistas e outros grupos racistas que defendem a “supremacia branca”.

O elogio de David Duke a Bolsonaro é perfeitamente coerente. Para quem afirmou que negros devem ser pesados tendo-se como unidade de medida a arroba, usada para pesar gado. Para quem afirmou que quilombolas não servem nem para procriar. Para quem afirmou que seus filhos não se envolveriam com negras porque foram bem educados. Para quem se coloca contra a política de cotas, que abriu as portas das universidades para negros, um elogio vindo do líder de uma das maiores organizações terroristas e racistas da história não causa nenhum espanto. Isso também é visto entre muitos de seus apoiadores, que usam até camisas de grupos neonazistas.

Lembro-me que Lula também já foi elogiado por um norte-americano. Porém, diferentemente do terrorista que elogiou Bolsonaro, as loas ao petista vieram de um ilustre negro da história dos Estados Unidos. Seu nome: Barack Obama que, em 2009, disse que “Lula é o cara”. De onde vem um elogio pode significar muita coisa. Ou talvez nada. Porém, em certos casos, pode significar tudo. Inclusive uma vergonha artificialmente empanada, justificada por um histérico e talvez até conveniente antipetismo.

 

 

 

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