O ESGOTO FASCISTA NO WHATSAPP

rede de mentiras“Bolsonaro cresce surfando forte na onda antipetista, turbinada pelo mar de mentiras, calúnias e baixarias disseminadas contra o adversário pelo aplicativo Whatsapp, através de milhares de grupos fechados, muitos criados a partir do exterior”. (Tereza Cruvinel, em seu artigo publicano no Jornal do Brasil de 16 de outubro de 2018, página 2).

Obscenidade, memes eróticos de Lula e Haddad nus, fotos de obras no exterior que jamais foram realizadas, a falsa Ferrari de Haddad, incesto nas escolas, kit gay, dentre outras mentiras criminosas. Esse é parte do conteúdo dos grupos fechados de WhatsApp que a campanha de Bolsonaro divulga para barbarizar eleitores e, pela mentira, atacar o adversário. A jornalista Tereza Cruvinel, do Jornal do Brasil, denuncia em sua coluna publicada hoje, através de um artigo intitulado “A Máquina das Mentiras”, a  baixaria da campanha de Bolsonaro pelos grupos de WhatsApp. Lembro-me que, no primeiro turno, foi divulgado que um dos filhos de Bolsonaro havia admitido terem sido criados cerca de 1200 desses grupos, sempre para enviar uma saraivada de mentiras contra o candidato do PT e contra Lula. Essas mentiras, para mexer com os sentimentos mais nobres das pessoas, especialmente aquelas de cunho mais conservador e impregnadas de religiosidade, possuíam predominantemente acusações de cunho moral, sexual e religioso, principalmente para mostrar “a ameaça que Haddad e o PT representam para a Igreja e para a família”.

A própria jornalista Tereza Cruvinel relata em seu artigo que foi “adicionada” em um desses grupos. O relato da jornalista mostra o caminho revoltante e repugnante ao qual a campanha fascista chegou. Disse Tereza Cruvinel:

“Eu fiquei algumas horas em um grupo. Um participante pediu meu “adicionamento” mas logo depois, por minha baixa interação ou outro motivo, fui excluída. Mas vi e li horrores. Desde mentiras sobre desvios ocorridos nos governos petistas, que revoltam um eleitor já amargurado com a crise e a corrupção, até obscenidades, como o meme erótico de Lula e Haddad, completamente nus numa montagem.” (Jornal do Brasil, 16/10/2018, p.2)

O artigo de Tereza Cruvinel, que é uma grave revelação do jogo sujo dos fascistas, acrescenta que muitos dos números telefônicos que veiculam e disseminam as mentiras e calúnias são originários dos Estados Unidos, especialmente da Califórnia, e que também teriam atuado como administradores na campanha de Donald Trump.

Bolsonaro não tem programa. Bolsonaro não tem propostas. Bolsonaro não tem capacidade para o debate porque, além de parcos conteúdos repetitivos, toscos, preconceituosos, agressivos e limitados, não possui qualquer condição intelectual e emocional de enfrentar o contraditório e, por isso, foge do debate. Isso, ao mesmo tempo em que se recusou a assinar um protocolo ético com seu adversário para não permitir a propagação de mentiras e calúnias. Porque ele sabe que  justamente isso é o “forte” de sua campanha. O esgoto digital dos fascistas vai muito além do que os “vãos “Facebooks e outras redes sociais” podem mostrar.  Foi, principalmente, através das mentiras que os regimes fascistas se impuseram no mundo e, do mesmo modo, vai se impondo no Brasil.

Enquanto isso, os “neutros”, os “omissos”, os “apoiadores críticos” e os “democratas de ocasião” saíram da arena e foram para a arquibancada para assistirem o furacão da ultra-direita triunfar. Foi lamentável ouvir de Carlos Lupi, o obtuso e apagado presidente do PDT, dizer que “está preparando Ciro para 2022″, acrescentando que “vamos para a rua já no dia 29”. Dia 29, quando o estrago já estiver consumado? Lupi e seu partido há muito que não representam Brizola, mas tirar o corpo fora e assistir a vitória do fascismo pensando em 2022 chega a ser um escárnio. Mas infelizmente  é verdade. Como também é verdade a omissão e falta de atitude da Justiça Eleitoral, que sabe que as mentiras, calúnias, injúrias e difamações são livremente veiculadas na campanha da extrema-direita. Mas parece que a própria Justiça já está assentada à realidade sombria que se avizinha e demonstra ter muito medo de tomar qualquer iniciativa. Assim como alguns partidos, instituições e veículos de comunicação, a resignação já chegou e, para eles, “a ficha já caiu”. Como também “já caiu” a dignidade de denunciar e lutar contra a ameaça extrema-direitista.

As mentiras e calúnias estão prevalecendo. O WhatsApp, por ora, é a maior arma dos fascistas na veiculação de suas injúrias, justamente por não dar oportunidade ao debate. E, enquanto o desfile de mentiras vai avançando sem ser incomodado, muitos se calam, numa omissão que a história jamais absolverá. Desde o Poder Judiciário, passando por partidos políticos, meios de comunicação, “neutros” e “apoiadores críticos”. E tudo indica que não poderemos revelar a verdade, ainda que tardiamente.  Porque o desfile da rede de mentiras é apenas um caminho para a imposição do silêncio.

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