HISTÓRIA PARA AS ESQUERDAS

aliança nacional libertadoraNão há dúvida de que o momento político atual é o de maior risco para a democracia desde as vésperas do golpe de 1964. E o pior de tudo isso é que a democracia está sendo ameaçada por aquilo que é a base de seu exercício: o voto. Mas também foi assim em outras épocas, em outros lugares do mundo. Foi assim na Alemanha em 1933, por exemplo. Mas vivemos em um tempo em que professores de história são chamados de “maconheiros doutrinadores”, que cientistas políticos são ridicularizados quando usam seus conhecimentos para fazerem declarações de alerta. Ainda assim, quero reproduzir uma afirmação do cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais, em recente entrevista à jornalista Míriam Leitão:

“Não há comparação em riscos à democracia. Numa escala de 1 a 10, Bolsonaro é 8 e o PT é 1. Eu não subestimo o risco de um eventual governo Bolsonaro. A relação dele com a democracia é muito ruim e está estimulando na sociedade agressões, violência. Isso é parte de uma onda muito conhecida no mundo.”

Porém, muitas vezes a própria esquerda parece não ter estudado a sua própria história. Parece que em um jogo que precisa ser “virado”, tem gente da esquerda muito mais preocupada com suas vaidades, com suas mágoas e com suas “histórias pessoais de militância”, quando deveriam estar mais preocupados com o destino do país. Parece que uma das lições de história que a esquerda não aprendeu é a da importância de frentes antifascistas. Foi assim que a Europa reagiu, quando da ascensão do fascismo, formando frentes de esquerda, centro-esquerda e até liberais, para combater a metástase nazi-fascista durante os anos 1930. No Brasil, a exemplo do que aconteceu na Europa no mesmo período, a Aliança Nacional Libertadora também foi formada como uma frente para combater o fascismo e sua versão nacional, o integralismo. Ressalte-se que, a exemplo do que disse o cientista político Carlos Ranulfo, hoje, como naquela época, o avanço da ultra-direita fascista é uma onda mundial: França, Áustria, Hungria, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Brasil…  E Em muitos casos, como dissemos, as frentes antifascistas não foram formadas apenas por partidos e grupos de esquerda e centro-esquerda, mas também por liberais, igualmente antifascistas.

Geralmente o fascismo prolifera, cresce e ganha “crédito” em situações de crise e falta de credibilidade nas instituições e partidos políticos tradicionais. Então, o vácuo de representatividade começa a ser ocupado, com um discurso forte, de ingredientes agressivos e um ultra-nacionalismo de apelos emotivos e até religiosos. O ultra-nacionalismo evidencia a necessidade de serem esvaziadas as diversidades. Tudo em nome de “Deus” e da “Pátria”, que terá, finalmente, o seu “salvador”: “Duce”, “Führer”, “Mito” ou “Messias”. A apropriação de imagens e símbolos nacionais, como cores, bandeira, hino, juntamente com um discurso agressivo aos “infiéis” e “anti-patriotas”, faz com que os “inimigos” sejam escolhidos até pelas cores: tanto das roupas como da pele.

A primeira pesquisa pós-primeiro turno mostrou a “boca do jacaré”: 58% X 42% pró-Bolsonaro. O jogo não está perdido. Mas, para isso, é preciso que todos os setores que defendem a democracia devam estar unidos. Cadê aqueles que, no primeiro turno, falavam da ameaça que Bolsonaro representa à democracia? Marina “lavou as mãos” e parece que, seguindo nossos conselhos, já está indo pela sombra. Ciro se mandou para a Europa. Não é hora de discutir quem é “marxista”, “leninista”, “stalinista”, “trotskysta”, “anarquista”, “socialista”, “social-democrata”, “maoísta”, “castrista”, “revisionista”, “ambientalista”. A hora é de união contra a avalanche fascista que varre o nosso país e está perto de chegar ao poder. Mas ainda há tempo. Que as esquerdas retomem as lições de história sobre as frentes antifascistas. Ou o estrago se consumará e os omissos, caprichosos e “fiéis a certos princípios” também pagarão a conta para a história.

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