VAI PELA SOMBRA, MARINA!

vai pela sombraMarina Silva perdeu, mais uma vez, a oportunidade de posicionar-se claramente ao lado do campo progressista e democrático, ao declarar “neutralidade” no segundo turno da eleição presidencial. Disse a derrotada candidata da Rede que nenhum dos dois candidatos representa o projeto que a sociedade brasileira necessita. Sempre com um discurso nebuloso, que aliás marcou toda a sua campanha, embora seu partido afirme que não apoiará nenhum dos dois candidatos, ao mesmo tempo recomenda “que seus filiados não votem em Bolsonaro”. Será que é tão difícil assim para Marina Silva, ambientalista, mulher, de origem humilde, que viveu a pobreza na carne e tem um passado de militância no campo progressista, declarar o apoio à candidatura anti-fascista? Tudo leva a crer que Marina ainda carrega a eterna mágoa de não ter sido a escolhida por Lula para sucedê-lo em 2010. É certo que ela venceria a eleição. Mas a escolhida, e vitoriosa nas urnas, foi a Dilma. A política é assim. Naquela ocasião, Marina chegou inclusive a ganhar uma forte credencial para voos futuros, com a chamada “onda verde”, em que chegou a ter 20 milhões de votos, situação muito diferente dos pífios 1 milhão de votos alcançados no último domingo.  Mas ela preferiu seguir “carreira solo”,  fundando seu próprio partido.

O apoio a Aécio Neves em 2014 depauperou a imagem política de Marina, quando todos os campos progressistas apoiaram Dilma. A impressão que se tem é que Marina, com seu eterno rancor, jamais esquecerá 2010. Mas parece que ela é que está sendo esquecida pelo eleitorado e, mesmo quando tem a oportunidade de escolher pelo campo democrático e progressista, ela recua. São muitas as restrições a se fazer ao PT e votar em Haddad não significa ser petista ou concordar com os erros do partido de Lula. Votar em Haddad é vetar o fascismo que se avolumou e ganhou terreno no Brasil, especialmente nos últimos cinco anos. Eleição em dois turnos é voto e veto. O primeiro turno é voto em nosso candidato. O segundo turno é veto àquela candidatura que seja a mais antagônica aos nossos anseios. E não há dúvida que Bolsonaro e Haddad representam campos extremamente antagônicos. Enfim, votar em Haddad é vetar o obscurantismo e o fascismo e não necessariamente ser petista.

Marina Silva parece estar tendo um ocaso melancólico em sua carreira política. Ela praticamente não se pronunciou sobre o maior crime ambiental da história,  cometido pela Samarco. Agora, quando Bolsonaro diz que irá acabar com o Ministério do Meio Ambiente e fazer a farra dos ruralistas, ela, como ambientalista, também se cala. Depois de tudo isso e de ainda ter apoiado Aécio em 2014, agora ela, novamente, optou pela omissão diante da luta contra o fascismo. Lamentavelmente Marina defenestrou talvez a última oportunidade de voltar para o lado que a projetou e a tornou admirada e respeitada. Vai pela sombra, Marina! E leve  a Marta Suplicy com você!

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