TEJE PRESO!

sabe-com-quem-esta-falando“Saia do armário, mostre sua cara. Será o primeiro candidato com voz de prisão ao vivo num debate.” (Wilson Witzel, ex-juiz federal e candidato a Governador do Rio de Janeiro, ameaçando seu adversário, o ex-Prefeito Eduardo Paes).

O ex-Juiz Wlson Witzel, do PSC,  que disputará o segundo turno da eleição para governador do Rio de Janeiro com o ex-Prefeito Eduardo Paes, do DEM, embora oriundo da magistratura, parece pouco entender de leis e não ter noção do que seja um Estado Democrático de Direito. Na última terça-feira, dia 9, o ex-magistrado ameaçou, com todas as letras, Eduardo Paz de prisão, caso seu adversário “falasse alguma mentira durante o debate”. Disse Wilson Witzel, que não é mais juiz, que daria voz de prisão ao seu adversário em caso de injúria. A ameaça de Witzel é preocupante e nota-se, inclusive, que o ex-juiz já está mostrando o seu estilo de fazer política. A intimidação como forma de tentar calar opositores e adversários é um dos métodos fascistas mais recorrentes. Ainda mais quando se trata de uma ameaça vinda de alguém que, claramente, quer intimidar usando uma credencial que não mais possui. Witzel é ex-juiz. Portanto, um “cidadão comum”, como outro qualquer. O avanço da metástase fascista está chegando a um ponto tão absurdo que nos vemos compelidos a, em nome da democracia, defender o direito de livre expressão de um candidato do DEM, partido de direita, e ao qual fazemos todas as restrições políticas.

A declaração de Witzel trouxe surpresa, indignação e reações de repulsa, tanto por parte do meio jurídico como do meio político. Até a OAB se pronunciou, chamando a atenção para o fato de que a injúria é um crime de baixo potencial ofensivo não cabendo, assim, prisão em flagrante. Em segundo lugar, em se tratando de  um debate público em ambiente democrático, caberia, no máximo, um direito de resposta. No meio político, a ameaça do ex-juiz é vista como um atentado à democracia. Na verdade, a ameaça dá o tom do que representa a candidatura de Witzel, apoiado por Bolsonaro.

Witzel, aliás, está começando a ser conhecido e, longe do que pretende mostrar, o ex-juiz é um político de ultra-direita, ativista e muito engajado. Ele aparece em um tenebroso vídeo de um  comício em Petrópolis, onde neonazistas apoiadores de Bolsonaro exibem como “troféu” a placa destruída com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco. No mesmo comício, os adversários de Bolsonaro são chamados de “vagabundos”. Os participantes, em transe, vão à loucura, incitados também pelo ex-juiz. O vídeo, horripilante, propaga ódio, violência, insensatez e é de um fascismo animalesco. E tem Witzel como um dos protagonistas. O vídeo onde Witzel aparece no comício com a placa de Marielle destruída pode ser acessado no link abaixo:

Na verdade, a ameaça de Witzel aconteceu porque ele está transtornado desde o último debate, quando o nome de Mário Peixoto foi citado por Romário. Quando Witzel ouviu o nome de Mário Peixoto, parece ter perdido a compostura. Mário Peixoto é um empresário ligado a esquemas de corrupção de Sérgio Cabral e Picciani e foi divulgado que esse empresário estaria dando apoio a Witzel. Evidentemente isso será explorado pelos adversários e Witzel, então,  partiu para a “carteirada” ameaçadora.

Os alunos da UERJ, de onde Witzel foi professor substituto da disciplina Teoria Geral do Processo, também lançaram um manifesto, repudiando seu viés fascista e questionando até sua competência. Diz o manifesto que Witzel era, frequentemente, corrigido por alunos em suas aulas. O manifesto prossegue dizendo que  Witzel sempre foi um professor medíocre e com vida acadêmica inexpressiva, tendo apenas um único artigo publicado em revistas jurídicas. A íntegra do manifesto pode ser lida no link abaixo:

https://www.brasil247.com/pt/247/rio247/371528/Alunos-de-Direito-da-UERJ-lan%C3%A7am-manifesto-contra-a-candidatura-Wilson-Witzel.htm

Debutando na política, o ex-juiz apoiador e apoiado por Bolsonaro parece não conhecer as regras elementares do convívio democrático. Talvez fosse bom ele saber, de uma vez por todas, que o famoso “você sabe com quem está falando?”, de Roberto da Matta, é coisa do passado. Pelo menos até 1º de janeiro de 2019…

 

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