O CONGRESSO QUE TEREMOS

bancada ruralista

Muito tem se falado, desde a divulgação dos resultados das eleições de domingo, sobre a “renovação” ocorrida no Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal). Os números, de fato, dão a entender que o Congresso terá uma das maiores renovações dos últimos tempos. Porém, deve-se perguntar: houve renovação de nomes ou de ideias? Comecemos pela Câmara dos Deputados. A primeira coisa que chama atenção é a “metástase bolsonarista” que atingiu a Casa Legislativa. O PSL, partido até então microscópico e que tinha apenas um deputado federal, elegeu 52 e será a segunda maior bancada a partir de 2019. O PT, embora tenha perdido representantes, prossegue como a maior bancada na Câmara, com 56 deputados eleitos. De um modo geral, as bancadas ruralista, evangélica (mesmo com ambas tendo perdido representantes) e “da bala”, continuarão influentes e serão base de apoio em um eventual governo Bolsonaro. Em linhas gerais, o “novo” Congresso continua predominantemente conservador.

Entretanto, os partidos de esquerda também terão uma representação significativa, embora minoritária. Somados, PT, PSB, PDT, PSOL e PCdoB perfazem 129 deputados federais e seriam a base de apoio em um eventual governo Haddad. O “Centrão”, bloco partidário fisiológico e governista (seja qual for o governo), formado por PP, PR, PRB, DEM e SDD passa a ter 140 deputados, ávidos por cargos no futuro governo em troca de votos e permanece sendo uma força disposta a dar qualquer apoio, desde que recompensada. A grande meta do “Centrão” é reeleger Rodrigo Maia Presidente da Casa. Seria a maior credencial do bloco para as suas chantagens e barganhas fisiológicas.

Chamou também atenção a uniformidade do eleitorado, que vinculou o voto para Presidente ao voto para deputado. Se compararmos a classificação final para Presidente da República com os votos dos partidos na Câmara, veremos que o voto para deputado federal acompanhou em grande parte o voto majoritário. Abaixo, a composição da Câmara dos Deputados eleita em 7 de outubro:

câmara dos deputados eleita

No Senado Federal, com a escolha de 2/3 de seus representantes, o MDB ainda conseguiu eleger o maior número de senadores: 7. A Rede elegeu 5, mesmo número de eleitos pelo PP. Novamente a onda bolsonarista foi responsável pelo PSL, que não tinha nenhum, ter eleito 4 senadores. Os partidos do “Centrão” elegeram 12 senadores, o PT 4 e os tucanos 4. Juntando os 54 senadores eleitos em 2018 com os 27 que ainda têm mandato até 2022, o Senado Federal que espera o próximo Presidente da República estará assim formado:

senado a partir de 2019

Ou seja, o MDB e o PSDB, pelo menos durante 4 anos, serão as maiores forças do Senado, mesmo tendo perdido cadeiras. Os dois partidos, recentes aliados no governo golpista de Temer possuirão, juntos, 21 senadores, o que significa, praticamente, 25% do total da Casa Legislativa. O PT perdeu 7 cadeiras e ficará com apenas 6 senadores. As demais vagas foram muito pulverizadas, o que levou o Senado a um mosaico com 21 partidos a partir de 2019. A pulverização da representação mostra que a escolha do Presidente da Casa dependerá de muitas costuras. O atual presidente Eunício Oliveira, do MDB, foi “limado” pelas urnas e o “Centrão” também sonha com o cargo.

Em linhas gerais, não devemos nos iludir com a propagada “renovação” que vem sendo veiculada. É certo que o Congresso está cheio de novos nomes, mas continuará dominado por ruralistas, evangélicos e a chamada “bancada da bala”. Isso sem falar no “Centrão”, que abandonou Alckmin e partiu para eleger seus deputados e senadores, ignorando a aliança com os tucanos quando viu que o barco naufragou. Teremos um Congresso até muito mais conservador a partir das eleições de 2018, resultado da onda de extrema-direita vista no primeiro turno das eleições. Conquistas históricas inseridas em nossa Constituição correm seríssimos riscos a partir de 2019.

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