FUJIMORI E O REICH TUPINIQUIM

bolsonaro the new york times

“A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida.” (Cícero – filósofo, jurista e político romano, século I antes de Cristo).

“Nós nunca iremos resolver os problemas nacionais sérios com essa democracia irresponsável. Eu simpatizo com Fujimori. Fujimori colocou 400 mil funcionários públicos na rua. Como poderíamos fazer isso aqui? Eu voto em todas as leis de privatização que posso.” (Jair Bolsonaro, em entrevista ao The New York Times em 1993).

Gustavo Oliveira, meu ex-aluno, sugeriu em um comentário que fizéssemos um paralelo entre Bolsonaro e Fujimori, o fascista peruano eleito em 1990 e que deu um golpe em 1992. Talvez a sugestão de meu ex-aluno traga alguma preocupação em relação a um futuro que poderá ser a repetição, em versão brasileira, de golpes fascistas protagonizados por quem chegou ao poder através da democracia. A história pode invocar o passado e similaridades para pensar e/ou discutir o futuro. E a analogia nos permite comparar o fascista brasileiro com similares. Então, viajemos no tempo. Vamos para a Alemanha de 1933 e depois voltemos ao Brasil de 2018:

Alemanha, 1933. Vejamos o caso de Hitler. Hitler foi militar. O Partido Nazista era inexpressivo. Hitler entrou no Partido Nazista e apoderou-se dele. A Alemanha passava por uma crise e a República de Weimar era vista como fraca e sem representar os anseios do povo. A situação de milhões de desempregados na Alemanha leva ao descrédito nos partidos políticos tradicionais. O momento é marcado pelo confronto entre nazistas e socialistas. Grandes capitalistas apoiam Hitler. Hitler passa a adotar um discurso ultra-nacionalista, racista, agressivo e militarista. Hitler frequentemente adotava “Deus” em seus discursos. Hitler torna-se “o salvador da Pátria”. O Partido Nazista cresce e elege grande parte do parlamento alemão em 1933. O nazismo impõe-se como força política. Hitler chega ao poder. O resto todo mundo sabe.

Brasil, 2018. Bolsonaro é militar da reserva. O PSL era um partido inexpressivo. Bolsonaro entrou no PSL e apoderou-se dele. O Brasil passa por uma crise e o governo de Temer é visto como fraco e sem representar os interesses do povo. A situação de milhões de desempregados no Brasil leva ao descrédito nos partidos políticos tradicionais. O atual momento é marcado pelo confronto entre fascistas e socialistas. Grandes capitalistas apoiam Bolsonaro. Bolsonaro adota um discurso ultra-nacionalista, racista, agressivo e militarista. Bolsonaro frequentemente adota “Deus” em seus discursos. Bolsonaro torna-se “o salvador da Pátria”. O PSL cresce e elege grande parte do parlamento brasileiro em 2018. Com quase 50 milhões de votos, Bolsonaro vai ao segundo turno da eleição presidencial. O “bolsonarismo” impõe-se como força política. E se Bolsonaro chegar ao poder? Só então saberemos.

Perceberam? Se quando falamos da Alemanha de 1933 tivéssemos trocado o nome de “Hitler” por “Bolsonaro”, teríamos o retrato perfeito do Brasil atual. E não fizemos qualquer invenção ou enxerto. Apenas reproduzimos eventos históricos.

A história mostra que a ascensão dos ditadores muitas vezes ocorreu pelas próprias vias democráticas. Fujimori foi eleito Presidente do Peru em 1990. Como ele não conseguiu fazer a maioria no Parlamento, deu um golpe com apoio das Forças Armadas, dissolveu o Congresso e impôs uma nova Constituição. A censura, prisão e assassinato de opositores e o desrespeito aos direitos humanos também marcaram a ditadura de Fujimori no Peru. O “fujimorismo” ainda é uma força política no Peru, levado adiante pelos filhos do ditador. Isso mesmo, os filhos. Alguma semelhança?

Mas também existe uma grande diferença entre Fujimori e Bolsonaro, que é ainda mais preocupante. Na verdade, o Brasil já vem sendo “fujimorizado” por Bolsonaro há tempos. Isso porque, geralmente, fala-se de “fujimorização” quando, depois de eleito, os princípios democráticos são traídos. Ocorre que Bolsonaro, desde sempre, desdenhou os princípios democráticos e declarou-se defensor da ditadura. E mesmo com o eleitorado sabendo disso, ele teve grande votação. Isso nos permite dizer por exemplo que, se Bolsonaro for eleito, fechar o Congresso (como ele mesmo já declarou certa vez) e implantar uma ditadura, certamente terá o apoio de grande parte de seus eleitores. Mas no caso de ser eleito democraticamente, muito provavelmente Bolsonaro não precisará disso para implantar um regime autoritário. Pelo Congresso que foi eleito, dominado pelas bancadas ruralista, evangélica e da bala, ele não teria qualquer problema para implantar um “Reich Tupiniquim”

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