O RIO DE CAZUZA

psicanálise“Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou.” (Cazuza, Ideologia, 1988).

Estamos no Rio de Janeiro. Lugar um tanto esquisito e incompreensível. Aqui, o “Teatro Municipal” não é municipal, porque é estadual. Aqui, uma das praias mais bonitas e paradisíacas é chamada de “Praia do Diabo”, enquanto um dos bairros mais violentos chama-se “Cidade de Deus”. Aqui existe a Praça Tiradentes onde, em lugar de destaque, encontramos uma estátua de D. Pedro I, cuja avó,  D. Maria I, condenou o próprio Tiradentes à morte.

Definitivamente, o Rio de Janeiro não é para amadores. Entender esse lugar, essas pessoas, seus comportamentos, é algo que já supera a cultura, a história e os costumes. Talvez tenhamos que apelar para a Psicanálise. O atual momento eleitoral reflete muito bem essa situação. O Rio, cidade cosmopolita, outrora vanguarda política e cultural, sangra. Tanto a capital como o Estado em si renderam-se ao conservadorismo. Há dois anos, a capital do Estado deixou de eleger um professor progressista e preferiu um fundamentalista neo-pentecostal para Prefeito. Aos poucos, o Rio de Janeiro vem “mostrando a sua cara”. O atual momento eleitoral é especial para constatarmos o que é que essa gente tem. Se o voto pode ser considerado uma forma de expressão, de revelação daquilo que se quer, então a Psicanálise talvez nos ajude a tentar entender. Tudo indica que o Rio votará maciçamente em Bolsonaro. Nas últimas semanas, muitos fascistas “saíram do armário” e, com o álibi de que “votarão contra o roubo, contra  a corrupção e contra o candidato de um presidiário”, terão que sufragar Bolsonaro nas urnas. Claro que o raciocínio e a justificativa seriam totalmente compreensíveis se não fosse a eleição para Governador.

O PMDB, agora MDB, foi cirúrgico. O partido que saqueou, faliu e esquartejou o Rio de Janeiro, que tem vários expoentes presos, a começar pelo ex-Governador Sérgio Cabral, não lançou, estrategicamente, um nome próprio, mas está na coligação que apoia Eduardo Paes. Ou seja, Eduardo Paes também é o candidato que o MDB apoia. E, pelo que se vê, o eleitorado do Rio de Janeiro dificilmente deixará de eleger Eduardo Paes.

Então, o mesmo eleitorado que sinaliza que escolheu Bolsonaro “contra a corrupção do PT e contra o presidiário Lula”, está dizendo que elegerá Eduardo Paes, que é o candidato do Sérgio Cabral, do Eduardo Cunha, do Picciani, do Albertosi, do Paulo Melo, do Temer, do Geddel Vieira Lima, do Moreia Franco, do Sérgio Cortês, do Romero Jucá e de outros inomináveis.

Talvez fosse melhor o eleitorado do Rio de Janeiro seguir o conselho de Cazuza em sua célebre composição. Pelo menos, se esse eleitorado pedisse a conta do analista e interrompesse a análise, algo que ele não quer mostrar não se revelaria e, certamente, ele não se envergonharia de saber  quem é.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s