SOBRE A PESQUISA IBOPE

grc3a1fico-ibope.jpgA pesquisa Ibope, divulgada ontem, mostra o crescimento de Bolsonaro. O candidato da extrema-direita subiu 4 pontos percentuais e foi de 27% para 31%. Fernando Haddad manteve-se nos 21% e Ciro Gomes teve uma leve queda, indo de 12% para 11%. Alckmin e a tucanalha golpista continuam colhendo os frutos podres do que plantaram e parece já terem  saído da disputa, permanecendo nos 8%.

A pergunta que fazemos, seguindo os dados da própria pesquisa é: de onde vieram os votos que levaram ao crescimento de Bolsonaro? Em princípio, poderíamos imaginar que esses votos teriam vindo dos “figurantes da direita”, como Álvaro Dias, Meirelles e João Amoêdo, por exemplo, visto que seria um caminho natural do voto útil direitista. Porém, não é o que os números mostram, visto que nenhum desses três candidatos caiu nas intenções de voto. Portanto, não foram eles que perderam votos para Bolsonaro. Brancos e nulos até aumentaram em relação à última pesquisa, indo de 11% para 12%. De onde, então, vieram os votos que resultaram no crescimento de Bolsonaro? Se fosse a pesquisa feita logo após a facada, a explicação seria óbvia. Mas não foi.

Nossa leitura é a de que esses votos vieram, e alguns ainda virão, da fração do eleitorado mais conservador de Marina Silva, que possui um discurso extremamente híbrido: ela consegue ser conservadora em alguns assuntos, como família e aborto, e progressista em outros, como meio ambiente. Tem mostrado um ódio especial ao PT, mas também não tolera o candidato fascista. Assim, ela certamente possui eleitores conservadores e também anti-petistas. Se vermos seu desempenho, ela teve uma queda de 2 pontos percentuais, que certamente migraram para Bolsonaro. Mas há uma parte do eleitorado da já derrotada candidatura de Marina que mantém-se fiel. Esta, poderá ser a parte progressista e que não tolera Bolsonaro. Levemos em conta, ainda, uma queda de 2 pontos percentuais entre os que não sabem e não responderam, que podem ter ido para Bolsonaro. O quadro abaixo corrobora nosso raciocínio:

pesquisa ibope evolução

Haddad não perdeu votos em relação à última pesquisa. Mas também não ganhou. Naturalmente, espera-se que a transferência que lhe seja favorável venha de Ciro Gomes, um candidato mais próximo ideologicamente e anti-fascista. Porém, essa transferência só será notada no segundo turno, visto que o eleitorado de Ciro é mais consistente e ainda nutre uma esperança, ainda que remota, de chegar ao segundo turno.

A maior conclusão dessa pesquisa é o empate numérico, e não técnico, entre Haddad e Bolsonaro no segundo turno: 42% X 42%. Tudo leva a crer que teremos três semanas de outubro como as mais agitadas de nossa história política recente.

O país está rachado. O discurso do ódio, a parcialidade da mídia e a seletividade da Justiça escolheram um alvo. Aqueles que deram os primeiros tiros e provocaram essa guerra, só estão perdendo. E ainda acabaram criando um vácuo que foi ocupado por fascistas sim, mas também por desesperançosos que preferem abrir mão de direitos do que ver aqueles que odeiam triunfarem. Quem duvidar, pergunte para o Alckmin. Ou melhor, pergunte para o Tasso Jereissati.

 

 

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