O CABRESTO DA HAVAN

voto de cabresto“Talvez a Havan não vai abrir mais lojas (sic). E aí se eu não abrir mais lojas ou se nós voltarmos para trás? Você está preparado para sair da Havan? Você está preparado para ganhar a conta da Havan? Você que sonha em ser líder, gerente, e crescer com a Havan, você já imaginou que tudo isso pode acabar no dia 7 de outubro?” (Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan e apoiador de Bolsonaro, em vídeo ameaçando os funcionários de demissão, caso a esquerda vença a eleição).

Os tempos do “Coronelismo, Enxada e Voto”, tão bem descritos na célebre obra de Vitor Nunes Leal, já ficaram para trás. Será? Parece que entramos em uma máquina do tempo e chegamos lá para os idos da chamada “República Velha”, em que os “coronéis” impunham o voto de cabresto. A pressão do “coronel” era enxertada com favores e algumas migalhas de benesses. Até um emprego. Como o voto não era secreto, então a coisa fluía.

O senhor Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan e apoiador ferrenho de Bolsonaro, publicou um vídeo intimidando seus funcionários, onde diz que, em caso de vitória da esquerda na próxima eleição, ele mesmo desistirá e “não abrirá mais lojas”. Seguindo a “gagueira do mote fascista”, fala sobre o perigo de o “Brasil virar uma Venezuela”. Como milionário que é, evidentemente ele usa de sua influência e poder econômico para insuflar seus funcionários a votarem em Bolsonaro. Claro que é um assédio. Ele chega a ameaçar 15 mil de demissão. Não muito diferente do que fazem alguns pastores vendedores de tijolos e de ilusões em prol do mesmo candidato.

Luciano Hang apoiou a reforma trabalhista. Luciano Hang apóia a reforma da previdência de Temer, que ainda não morreu (como a intervenção federal que resultou em seu freio). Luciano Hang apoia todas as iniciativas do Executivo e do Legislativo que resultem em perda de direitos. Como, por exemplo, o fim do décimo-terceiro salário, já proposto pelo vice da “chapa pau-de-arara”. Agora, ameaça 15 mil funcionários de demissão em um patético vídeo que se resume em uma simples expressão: o “voto de cabresto da Havan“.

Parece que o senhor Luciano Hang fez uma pesquisa interna e constatou que cerca de 30% de seus funcionários que, eufemisticamente, ele chama da “colaboradores”, querem votar em branco. Então, ele faz uma breve admoestação no vídeo, alertando para o discurso surrado do “perigo comunista”. A psicopatia do sr. Luciano Hang é tamanha que ele chega a dizer que o PSDB também é de esquerda. O vídeo é absolutamente intimidatório e deve ser objeto de investigação pela Justiça Eleitoral.

“Se a esquerda ganhar, vamos virar uma Venezuela”, afirma o sr. Luciano Hang. A Venezuela, de fato, passa por sérios problemas de abastecimento, sofre um embargo econômico liderado pelos Estado Unidos e é inegável a situação crítica do país vizinho. O Brasil foi governado por 14 anos pelo PT.  Claro que ocorreram erros, como em todo governo. Porém, seria bom o sr. Luciano Hang dizer, durante esse período, qual foi um único dia em que o Brasil “foi uma Venezuela”. Porque parece que o único período em que o Brasil sentiu na pele um caos econômico foi em maio deste ano. Sem o PT no poder. Sem embargo econômico externo. Melhor seria o sr. Luciano Hang se preocupar com os caminhoneiros. Pergunta para o Temer!

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