ACEITE A DEMOCRACIA!

bolsonaro“Não aceito resultado diferente da minha eleição.” (Jair Bolsonaro, em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, no programa “Brasil Urgente” da Rede Bandeirantes, em 28 de setembro de 2018).

“As Forças Armadas só agiriam se o PT errasse primeiro.” (Jair Bolsonaro, na mesma entrevista).

Parece que a maior luta nesse processo eleitoral que chega à reta final em seu primeiro turno será a pela manutenção da democracia. Ou a resistência a um golpe. Em mais uma declaração desastrosa, ameaçadora e inaceitável sob todos os aspectos, Bolsonaro afirmou, com todas as letras, que não aceitará outro resultado que não seja sua eleição. Não se trata de contexto ou edição. A declaração foi cristalina e representa, a pouco mais de uma semana do pleito, uma clara ameaça ao ambiente democrático, contra a qual devemos expressar toda nossa repulsa. Bolsonaro, com sua irresponsável declaração, já pretende criar um clima de inconformismo eleitoral e está conseguindo, em sua sanha golpista, superar o Aécio. Em 2014, Aécio também não aceitou a derrota e prometeu “incendiar o país”. Isso, depois de proclamado o resultado. Dito e feito. Porém, Bolsonaro já faz a sua ameaça antes mesmo da eleição. Ele já consegue, assim, superar o golpista tucano.

Mais uma vez ele colocou sob suspeita as urnas eletrônicas. Isso, apesar de sempre ter sido eleito, junto com seus filhos, por essas mesmas urnas. Isso, apesar de, na eleição de 2014, ter sido o deputado federal mais votado no Rio de Janeiro por essas mesmas urnas. Por que, nessas ocasiões, Bolsonaro não duvidou das urnas eletrônicas? Isso, apesar de nem ele nem seu partido terem comparecido a nenhum dos testes públicos de segurança aos quais as urnas, periodicamente, eram submetidas.

As ameaças de Bolsonaro à democracia prosseguiram na entrevista. Disse ele que “as Forças Armadas só agiriam se o PT errasse primeiro”. Gravíssima a declaração, onde ele já prenuncia a vitória petista, mas não admite erro do governo, sob pena de as Forças Armadas agirem. O capitão Bolsonaro mostra-se, com essa afirmação, totalmente desqualificado para exercer a Presidência da República. O regime constitucional brasileiro não permite, sob nenhum aspecto, a intervenção militar em caso de “erros do governo”. Qual governo não cometeu erros?  Se fosse assim, todos os governos republicanos, de Deodoro a Temer, teriam sofrido golpes militares. Ele acrescentou, reforçando sua ameaça de golpe, que “poderia acontecer sim a participação das Forças Armadas, desde que o PT errasse primeiro.”

As ameaças de Bolsonaro foram feitas no mesmo momento em que a pesquisa Datafolha era divulgada e mostrava a subida de 6 pontos de Fernando Haddad, que foi a 22% e a estagnação do capitão fascista em 28%. A mesma pesquisa mostra que Bolsonaro seria derrotado em todas as simulações de segundo turno.

Bolsonaro superou Aécio. Já está tacando fogo no país antes mesmo da divulgação do resultado eleitoral. Procura, com isso, criar um clima de instabilidade e inconformismo em caso de derrota, o que é uma grave ameaça à democracia. Isso, na semana em que nossa Constituição completará 30 anos de sua promulgação. Votemos em nossos candidatos, discordemos em nossas concepções. Mas não nos esqueçamos de, nesse momento delicado, repelir e combater o golpismo e a ameaça ao ambiente democrático que emanam das hostes fascistas.

 

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