O GENERAL E A JABUTICABA

jabuticabaNós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

“Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

VIII décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria.” (Constituição do Brasil, feita por representantes do povo).

“Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que é uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada 12 (meses), como é que nós pagamos 14? É complicado. E é o único lugar em que a pessoa entra de férias e ganha mais, é aqui no Brasil.” (General Hamílton Mourão, candidato a Vice-Presidente da República na chapa “pau de arara”, em palestra na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em 27 de setembro de 2018).

Fizemos questão de abrir este artigo reproduzindo o Preâmbulo da Constituição de 1988, lembrando que a mesma foi feita por representantes do povo. Isso porque, há exatas duas semanas, o General Mourão havia afirmado que a Constituição deveria ser feita por “notáveis” e não por representantes do povo. Nossa Constituição está a uma semana de completar 30 anos e já é, das sete, a terceira mais longeva de nossa história. E, depois de desprezar a participação popular na elaboração da Constituição, o vice da chapa de Bolsonaro ontem, em mais uma de suas infelizes, preocupantes e perigosas declarações, desdenhou o 13º salário, uma das garantias da Constituição de 1988, feita por representantes do povo.

Ao chamar o 13º salário e o adicional de 1/3 de férias de “jabuticabas” e “mochilas nas costas dos empresários”, Mourão mais uma vez deu o tom daquilo que representa. Até o fascista cabeça de chapa se apressou em desdizer o que Mourão disse. Além do repúdio que a declaração do general merece, é bom lembrar que a Constituição de 1988 também assegurou esse direito aos servidores públicos, ativos e inativos, civis e militares. Algumas perguntas cabem ao general depois que ele chamou o 13º salário de “jabuticaba” e “mochila”:

O general Mourão é servidor público militar da reserva e recebe, todo ano, seu 13º salário. Por acaso o general abre mão de sua “jabuticaba”?

O que o general Mourão diria das filhas de militares solteiras, cheias de saúde, que não trabalham, nunca trabalharam e recebem polpudas pensões? Seriam estas, também, “jabuticabas”? Elas estariam em uma reforma da previdência de seu governo?

Com a palavra o Vice-Presidente da chapa pau de arara. Que, aliás, adora uma jabuticaba…

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