A ARTE FASCISTA

arte fascistaVindo de onde vem, não chega a causar qualquer perplexidade. Porém, em um momento complicado e polarizado de nosso ambiente político, fomentar e divulgar mais violência, chega a ser uma mensagem de que eles não conseguem se adequar ao ambiente democrático. A imagem publicada por Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, nas redes sociais, ontem, foi mais um caso de apologia à tortura, algo mais do que comum em se tratando de quem tem um torturador como herói. A postagem mostra um homem com um saco plástico na cabeça, com a boca aberta e sangrando muito. A imagem é complementada com os braços do homem  imobilizados e o seu peito traz a inscrição “#elenão”, a hashtag que é um dos ícones da campanha antifascista no Brasil.

A imagem, além de forte, é absolutamente fora de propósito. Bolsonaro fomentou tanto a violência, que acabou sendo colhido por ela própria. Esse ano já haviam sido divulgadas fotos de adeptos de Bolsonaro que trajavam camisas com a imagem do ex-Presidente Lula decapitado. A imagem é inequívoca e representa, evidentemente, uma resposta violentíssima àqueles que expressam o “#elenão”. Claramente, ele está dizendo que os antifascistas merecem a tortura.

Através do twitter,  o “fascistoidezinho” tentou se explicar, dizendo que a postagem não se tratava de nenhuma “maldade” e sim de uma obra de arte. Talvez seja mesmo. Só para lembrar, Hitler também se achava um baita de um artista e tentou, por duas vezes, ingressar na Academia de Artes de Viena. Foi reprovado nas duas tentativas e, ao buscar explicações, foi informado de que “faltava-lhe talento para a ate, especialmente pela inexpressiva valorização da forma humana” Então, ele foi para a Alemanha em crise, tornou-se o líder nazista e deu no que deu.

Chamar de arte uma imagem que expressa claramente a violência contra adversários mostra mais uma vez o modus operandi dessa turma. O Brasil, a exemplo da Alemanha na época de Hitler, também sofre uma grave crise, que ameaça a própria democracia. Porém, aqui,  a democracia está mostrando ser forte, reagindo às ameaças e dizendo um rotundo “não” a qualquer forma de intimidação. Quem se deleita com esse tipo de “arte” é tão violento quanto quem a concebeu e executou. E os  impulsos de um artista ou admirador dessa arte não terão prolongamentos como os da Alemanha de 1933. Porque a “arte fascista” poderá sempre existir, expressar seus ódios, preconceitos e ameaças.  Mas podem “tirar o cavalo da chuva”: no Brasil, a democracia e a vontade popular vencerão. Palavra de quilombolas, mulheres, homossexuais, índios, pessoas criadas sem pai, trabalhadores assalariados, que continuarão na luta por um Brasil mais justo e plural e  expressando com toda a força: “#elenão”.

 

 

 

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