ADÉLIO: TROFÉU OU TRUNFO?

autorização entrevista de adélioAdélio Bispo de Oliveira, um simples desconhecido até o dia 6 de setembro de 2018, entrou para a história do Brasil como o homem que tentou matar Bolsonaro em Juiz de Fora, depois de atingi-lo com uma facada. Evidentemente, as repercussões e até implicações políticas da tentativa de assassinato foram muitas. Chegaram a acusar o PT. O que chama a atenção é que a atual campanha eleitoral lembra, em quase tudo, o pleito de 1989. Mas será que outras  semelhanças ocorrerão na hora da decisão?

A Justiça autorizou veículos de comunicação a entrevistarem Adélio. O juiz Bruno Savino, da 3a. Vara Federal, entendeu em seu despacho que não há qualquer motivo que impeça o contato do criminoso com a imprensa. Detalhe: a revista Veja e o jornal O Globo estão interessados em entrevistar Adélio. A Veja já recebeu autorização, enquanto o pedido de O Globo ainda não foi analisado, mas a expectativa é de que seja concedido.

O que representa, afinal, Adélio? E o que estaria por trás do interesse das entrevistas? Para os séquitos de Bolsonaro, Adélio será para sempre um troféu. Preso, ele personifica alguém que tentou matar um candidato: ele é a intolerância, a insensatez, o ódio. Era tudo que de que os bolsonaristas precisavam. É uma “relíquia do mal”, para, eternamente, servir de contra-exemplo. Porém, seria ele apenas um “troféu da intolerância” a ser exibido pela extrema-direita?

Há alguns dias, logo após a autorização da Justiça para entrevistar Adélio, algumas especulações estão sendo veiculadas, especialmente em relação ao dia em que a entrevista seria levada ao ar. Que interesse e, principalmente, que influência, essa entrevista poderia ter no processo eleitoral? Existem rumores, ainda não confirmados, de que a entrevista poderia ir ao ar no dia 5 de outubro, a sexta-feira que antecede a eleição. Caso Adélio faça alguma declaração bombástica que afete qualquer candidato, este não poderia se defender, pois o horário eleitoral já teria se encerrado. Acrescente-se a isso o fato de que a Veja e O Globo são veículos assumidamente antipetistas, sem querer antecipar qualquer juízo. Quem poderia se beneficiar dessa situação?

Adélio pode virar um “trunfo”. Um trunfo sujo, abjeto, subterrâneo, como os que foram usados pela mesma Globo a favor de seu candidato, Fernando Collor, em 1989. Tudo lembra Mirirm Cordeiro, a ex-namorada de Lula que foi paga para, às vésperas da eleição, dizer que o petista pressionou-a para fazer um aborto. Ou ainda o sequestro do empresário Abílio Diniz, na véspera do pleito, em que os sequestradores foram vestidos com camisas do PT. Adélio poderia ser aquele “ás de trunfo” do carteado de sueca, que viraria o jogo quando este estivesse perdido. O deputado do PSL, Fernando Francischini, protocolou um pedido tentando impedir a entrevista. O que mostra que a mesma não interessa a Bolsonaro. Curioso é que a ridícula “Carta de FHC” foi divulgada logo após a concessão da entrevista pela Justiça. FHC pede, em sua carta, que ele depois disse ter os eleitores como destinatários, uma “união por candidatos de centro”. Mas destacou o Alckmin como aquele que preenche os requisitos de sua desesperada súplica.

É possível conjecturarmos que a tal entrevista seja um último trunfo tucano. Pode até não ser, mas seria muita coincidência a “Carta de FHC” ser publicada logo depois da autorização da entrevista. O que Adélio poderá dizer? O que a Veja e O Globo querem? 1989 está logo ali atrás. Miriam Cordeiro, Abílio Diniz, aborto e sequestro. E, agora, Adélio Bispo de Oliveira e a fatídica facada. Será que a história vai se repetir, desta vez como farsa?

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