ATÉ O LE MONDE JÁ PERCEBEU

le mondeNa semana em que pipocaram propostas estapafúrdias de Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” do candidato da extrema-direita a Presidente da República, pensávamos que os absurdos ficariam só na economia. Depois de vazarem suas propostas sobre a volta da CPMF, o “terror das empresas e pessoas físicas” e da unificação da alíquota do imposto de renda na fonte em 20% o que, na prática, significaria que quem ganha menos pagará mais e quem ganha mais pagará menos (sic!), agora foi a vez do “Posto Ipiranga” falar de sua proposta para o que ele chama de “governabilidade”. Na verdade, Paulo Guedes já começa a querer sedimentar propostas para, em doses homeopáticas, ceifar as instituições democráticas e impor, “no tranco”, o que deveria ser alcançado pelo diálogo com a sociedade e seus representantes.

Imagine um partido político microscópico, como o PSL, que possui apenas 8 deputados federais em um total de 513. Agora, imagine o PSL chegando ao poder. Como aprovar as propostas? Acabando com o poder do Congresso. Mas como? Foi então que o Paulo Guedes propôs o tal voto programático de bancada. Para quem ainda tinha dúvidas, essa proposta seria um dos atalhos para a implantação formal de uma ditadura no Brasil, o que não chega a ser novidade em se tratando de Bolsonaro. Pela proposta de Paulo Guedes, todos os votos de um partido seriam computados a favor de um projeto se mais da metade da bancada tiver votado a favor. Por exemplo, se um partido tiver 30 deputados e 16 deles votarem a favor, todos os 30 votos seriam contados a favor, ignorando-se os outros 14 votos contrários. O voto do parlamentar não seria respeitado e isso lembra muito bem a ditadura militar, quando o voto de liderança bastava para se ter o total dos votos. Tudo em nome da “governabilidade”. Ou seja, mesmo sem estar no poder, as propostas do “Posto Ipiranga” do Bolsonaro já ameaçam o Legislativo e a democracia. Ainda não avisaram a eles que governabilidade é algo que se alcança com diálogo, negociação e até recuos. Isso faz parte da democracia e do jogo político e nada tem a ver com compra de votos. Já pensaram em um deputado votar “não” e o voto dele ser computado como “sim”?

O que chama ainda a atenção é que Paulo Guedes afirma com todas as letras que combinou essa proposta com Rodrigo Maia, Presidente da Câmara, que agora nega tal acordo.  Esse expediente aniquila as minorias e o contraditório. Não dá voz àquilo que é “contra”. O mandato popular, delegado pelo povo, perde o seu poder. Seria o “superpoder” do partido sobre cada parlamentar. Seria a sentença de morte da diversidade. Segundo Paulo Guedes, essa proposta deveria ser complementada com uma rigorosa cláusula de desempenho que, em suas próprias palavras, levaria, lá na frente, “a quatro ou cinco partidos”. Receio que, depois, chegássemos apenas a um.

Pouco a pouco as propostas da extrema-direita vão sendo lançadas e não estamos diante de nenhuma conspiração. As desastrosas declarações de cunho preconceituosos, racistas, golpistas e ameaçadores do general Mourão e agora as propostas de reforma tributária e política de Paulo Guedes foram afirmadas, comprovadas e divulgadas em todos os veículos de comunicação. Talvez, para o Senado, é bem provável, pelo teor das propostas, que uma das próximas seja a volta dos “senadores biônicos”, um outro artifício anti-democrático criado pela ditadura militar para garantir a maioria, embora não a tivesse.

Só não vê quem não quer. Ou então teremos que acreditar que esse turbilhão de séquitos da extrema-direita tenha, cada um, a sua “recôndita porção fascista”, que talvez seja revelada até em um ato falho. Aliás, depois do The Economist, agora foi a vez do Le Monde estampar em sua capa o título “O inquietante crescimento da extrema-direita no Brasil”. Tudo por causa do ódio ao PT. Dito pelo próprio jornal francês. Você pode acreditar nisso e não é apenas dentro do Brasil que está sendo notado. Ou então pensar,  para sempre,  que 16 é igual a 30. Palavra do “Posto Ipiranga”.

 

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