“ELE” POR “ELES”

the economist“Bolsonaro, cujo nome do meio é Messias, promete a salvação; na verdade, ele é uma ameaça para o Brasil e para a América Latina”. (Editorial da revista The Economist).

Um candidato socialista, ou de qualquer matiz ideológico da esquerda, ser considerado uma ameaça por uma revista que é uma das referências do neoliberalismo no mundo, não é nenhuma novidade. Mas a afirmação acima é sobre Bolsonaro e feita por ninguém menos que a revista britânica The Economist. O semanário, fundado pelo empresário e economista liberal James Wilson, em meados do século XIX, remonta a uma época em que as ideias socialistas começavam a ganhar terreno entre os trabalhadores, em plena expansão da Revolução Industrial.

O semanário britânico pode ser considerado uma das “revistas de cabeceira” de todo neoliberal que se preze. É inegável que o Brasil passa por uma grave crise, terreno propício para o surgimento de “salvadores da pátria”, que se apresentam como “o novo” e que, independentes de partidos ou do debate com a sociedade, seriam capazes de trazerem de volta a “ordem”. Os populistas, geralmente, são encantadores de desiludidos, de desesperados e, no caso de Bolsonaro, daqueles que dizem ou pensam que as soluções políticas acabaram. “Chama o homem!”, “Chama o mito!”, “Chama o general!”. O Brasil estaria acima de tudo e Deus, acima de todos. Mas ele seria o “mortal ungido”, como o próprio já declarou em um tresloucado rompante teocrático, ao dizer, em uma entrevista no início de agosto, que teria sido “enviado por Deus”. A facada da qual foi vítima poderia até reforçar essa “nova teoria do direito divino”, em uma suposta luta do “bem” contra o “mal”.

O semanário não poupa palavras e diz que a situação ainda pode piorar, caso o populista de extrema-direita seja eleito, quando diz que “se a vitória for para Bolsonaro, um populista de direita, o Brasil corre o risco de tornar tudo pior”.

Mas a declaração do The Economist, que está em um Editorial e, portanto, expressa a posição oficial do veículo de comunicação, não deve ser vista apenas sob o aspecto econômico, para o qual o próprio Bolsonaro já afirmou não ter qualquer preparo. Ele não soube nem se expressar sobre o mais elementar da economia do país: o tripé macroeconômico. Mas o aspecto político nos interessa. Porque, sabidamente, quando um veículo que é a expressão do liberalismo critica fortemente alguém que é anticomunista, então isso significa que os liberais o vêem como fascista, o que realmente ele é.  Ainda segundo o semanário, sua vitória colocaria em risco a sobrevivência da própria democracia no Brasil. O recado agora foi dado não por petista, comunista ou esquerdista. E sim por “eles”, do outro lado do campo político-ideológico. Foi tão somente a descrição “dele” por “eles”. E ainda vem por aí “ele” por “elas”. Mas isso é assunto para mais tarde.

 

 

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