PLEBISCITO E O PREÇO DO ÓDIO

ptletra xfascismoAcabou a eleição. Teremos, isso sim, já no primeiro turno, um plebiscito, que continuará no segundo turno. A pesquisa do Ibope divulgada ontem mostra o que já era esperado: o candidato do PT, Haddad, subiu 11 pontos em uma semana, indo para 19%. Bolsonaro subiu 2 pontos e está com 28%. Ciro estacionou nos 11% e os demais ex-protagonistas (Alckmin e Marina) despencaram e já podem ser considerados fora da disputa. Alckmin tem 7% e Marina 6%. A simulação de segundo turno entre Haddad e Bolsonaro impressiona. Empate numérico, e não técnico, como na pesquisa anterior: 40% X 40%. Os números dispensam maiores comentários e corroboram o que vem acontecendo desde 2014: o país está dividido, literalmente rachado. Embora, a todo momento se repita que o Brasil possua 35 partidos políticos, hoje só existem dois lados: o petismo e o fascismo. Ou, se quiserem considerar pela negação: o antipetismo e o antifascismo.

Há quem lamente tal situação. Porém, a maior parte daqueles que lamentam o ponto a que chegamos, certamente tem a maior responsabilidade pela situação. Por que candidatos alternativos não crescem, ao contrário, cada vez estão sendo mais alijados da disputa? O que explicaria tal situação?

Voltemos a 2013: há quem discorde, mas nossa leitura sobre as “jornadas de junho” vai no sentido de que, ali, foram semeados todos os ingredientes para o crescimento da extrema-direita, até então adormecida em seus “pequenos mundos”. Naquela ocasião, já que era para “ir à ruas”, então eles também foram. Ali foram gestados o “Vem prá rua”, o “MBL” e outros movimentos de viés fascista que seriam fundados no ano seguinte. Porém, eles não estavam sozinhos. Diversos partidos e empresas apoiaram (e ainda apoiam) esses grupos política e financeiramente. A direita soube aproveitar-se de uma pauta difusa e de uma autêntica falta de liderança das esquerdas e, por isso, apropriou-se de um movimento (e de um momento) que, originariamente, não eram dela. Nisso resultou 2013.

Em 2014, logo após o resultado do segundo turno da eleição presidencial, já se tinha ideia do que viria pela frente. Aécio e grande parte do PSDB começavam a plantar o golpe, a “toque de fogo”. Palavras de quem falou, literalmente, que “iria incendiar o país”. Eles não digeriram a derrota nas urnas. A partir principalmente de 2015, a Operação Lava Jato parecia só ter olhares para o PT e seus aliados. Com apoio da mídia, que já tinha saído do armário desde a eleição de 2014, não foi difícil escolher quem encarnava a corrupção no Brasil: claro, o PT. É nítido e cristalino que, por um bom tempo, tucanos foram poupados pela Lava Jato e protegidos pela mídia.

Chegamos em 2016 e a direita voltou às ruas. Fortalecida, apoiada pela mídia e pela FIESP e com uma certeza: “Vamos tirar a Dilma!” Porém, assim como a esquerda pensava que estivesse sozinha nas ruas em 2013, a direita também pensava que agora, em 2016, “a festa era só dela”. Enganou-se. Ali na Avenida Paulista e em outros costados do Brasil também estava a extrema-direita fascista e intervencionista. Eles cresceram.  E se agigantaram quando a desesperança bateu forte, ao constatar-se que o governo Temer e seus aliados, levado ao poder por PSDB, PMDB, MBL, FIESP, Organizações Globo, não seria nada daquilo que se auto-proclamaram. Então, a extrema-direita, que já tinha crescido, se agigantou: Bolsonaro é fascista e muitos de seus seguidores também. Porém, não apenas fascistas, mas desiludidos, descrentes do que chamam de “políticos tradicionais”, vêem o descarrego de seus votos no fascismo como uma última alternativa, uma derradeira esperança. Tal qual em outros momentos da história. O resultado de tudo isso foi que eles próprios, da direita neoliberal, se destruíram com o golpe, com o ódio e com a massificação do antipetismo. Mal sabiam eles que preparavam a cama para a extrema-direita. Usando uma metáfora: a autofagia da direita liberal produziu o câncer fascista.

Porém, do outro lado, muita gente viu que a alcunha de “símbolo da corrupção” para o PT, que a mídia tentou passar, não “colava”. Escândalos de corrupção, ataque aos trabalhadores, retirada de direitos. Mas não era só tirar a Dilma? A própria revista Época, tentáculo das Organizações Globo, já publicou uma matéria sobre os “patos arrependidos”. FHC já reconheceu o erro. E, na semana passada, Tasso Jereissati, cardeal tucano, também reconheceu o erro e o golpe, em entrevista ao “Estadão” no último dia 13 de setembro. Tudo muito tarde. E todos eles já estão  pagando, em função da sinuca de bico em que se enfiaram: a de terem que escolher entre o PT ou o fascismo. Já se percebem, claramente, movimentações no tabuleiro político e negociações precoces, que só caberiam após 7 de outubro, em virtude da bifurcação a que o quadro político chegou.

Assim, se em 2013 a direita se apropriou do que era da esquerda, em 2016, a extrema-direita se apropriou do que era da direita. Chegamos, então, a uma situação  onde não cabem meias-palavras: teremos que optar entre o petismo e o fascismo. Mesmo que não sejamos petistas. Mesmo que não sejamos fascistas. Apesar de, agora, algumas pessoas estarem saindo do armário e, usando o antipetismo como álibi, mostrando suas verdadeiras caras. Algumas já “fossilizadas”, mas que, apesar do tempo, remontam a golpe, ditadura, torturas e mortes, e que pretendem nos levar de volta, por um túnel, a um passado que, pensávamos, só voltaríamos a visitá-lo nos livros de história.

 

 

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