O GENERAL E A “MULAMBADA”

brasile e angola“Partimos para aquela diplomacia que foi chamada de sul-sul, e aí nos ligamos com toda a mulambada, me perdoe o termo, existente do outro lado do oceano e do lado de cá que não resultaram em nada.” (General Hamilton Mourão, candidato a Vice-Presidente da República na chapa pau-de-arara, em palestra no Sindicato da Habitação, em São Paulo, em 17 de setembro de 2018).

“Mulambo” é um termo de origem angolana e era utilizado pelos senhores para se referirem aos seus escravos. A palavra significa “farrapo” ou “pedaço de pano velho”, enfim, algo desprezível. Nada mais natural do que os senhores de engenho assim tratarem seus escravos. “Mulambada” seria, então, o coletivo, ou seja, uma “comunidade de mulambos”.

Mais uma vez, mostrando o seu viés racista, o general Hamilton Mourão, ao criticar a diplomacia e acordos de cooperação feitos pelos governos anteriores, afirmou que o Brasil não deveria ter se ligado a “essa mulambada do outro lado do Oceano”, referindo-se aos países africanos. Que ele criticasse governos anteriores. Que ele criticasse acordos e a política internacional de governos anteriores. Mas chamar os países africanos de “mulambada” é desferir mais um golpe de desapreço, ódio e, principalmente, racismo contra nossos irmãos africanos. Muitos dos ancestrais de quem ele chama de “mulambada” ajudaram, com seu suor, sangue e trabalho a construir grande parte da riqueza de nosso país e da qual os seus descendentes não desfrutam. Ele também referiu-se à “mulambada do lado de cá”, ao menosprezar os povos vizinhos da América do Sul, muitos de origem indígena.

As palavras de Mourão, tanto com as de Bolsonaro, com um racismo explícito, já não impressionam mais, até porque o Judiciário já definiu que dizer que “um quilombola pesa 7 arrobas e nem serve para procriar” não é racismo. Então, “porrada na mulambada“, dirão eles.

É lamentável o nível rasteiro ao qual chegou o discurso dos fascistas. Depois das “arrobas”, agora é a “mulambada”. Ano passado, no mesmo tom, Trump chamou esses mesmos países de “países de merda”. Já dá para entender o tom da “diplomacia pau-de-arara”. E com quem eles vão se entender muito bem. Esse patriotismo servil nós já conhecemos. “O petróleo é deles”. Pergunta ao Posto Ipiranga…

 

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