REMORSO E AUTOFAGIA DOS GOLPISTAS

golpe 2016“O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder”. (Tasso Jereissati, ex-Presidente do PSDB, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo em 13 de setembro de 2018).

As afirmações acima, feitas por um dos cardeais e ex-Presidente do PSDB, não deixam de ser uma confissão. Juntamente com um remorso. Confissão de ter entrado na aventura golpista. E remorso porque o golpe que apoiaram acabou gerando uma autofagia dos tucanos. FHC, em outra entrevista a O Globo, em junho deste ano, também já tinha feito a sua confissão, embora de forma eufemística e não tão clara como Tasso Jereissati, ao afirmar que o impeachment da Dilma foi um “arranhão constitucional”.

As palavras de Tasso Jereissati coincidem com um contexto em que o candidato tucano Geraldo Alckmin permanece estacionado nas pesquisas de intenção de voto, mesmo com todo o chamado “latifúndio” de tempo de TV e ainda com toda a estrutura do partido e apoio da mídia, do grande capital e do “mercado”. Tasso reconhece o boicote feito contra o governo do PT, admitindo o erro. A ganância pelo poder não conquistado pelo voto, ao fazer parte do criminoso governo Temer, também é um erro admitido pelo ex-Presidente do PSDB. Isso sem falar da recusa em aceitar o resultado das urnas, em 2014, na famosa declaração de Aécio, quando disse que “iria tacar fogo no país”.

É impossível dissociar o PSDB do governo Temer e de tudo o que que ele representou para o país em termos de corrupção e impopularidade. E agora o preço está vindo como castigo que anda a cavalo. É o preço da história. Claro que os golpistas tucanos já sabem que melhor seria ter deixado o governo Dilma terminar, fazer a oposição democrática, não embarcar na aventura golpista, inclusive fazendo parte do governo, e tentar conquistar o poder pelo voto. O golpe foi, enfim, a autofagia dos próprios tucanos.

Agora é tarde. E a “dor de corno” pela qual passam os tucanos é bem singular, porque é uma “dor de corno” de quem traiu e não de quem foi traído. Agora é tarde e tudo indica que as urnas serão o antídoto ao golpe.  Agora é tarde e Dilma, a golpeada, mantém-se com sobras em primeiro lugar na corrida ao Senado por Minas Gerais. Agora é tarde e Haddad, lançado há apenas três dias, está em franca ascensão e tem tudo para ir ao segundo turno. Enquanto isso, o Picolé de Chuchu derrete nas pesquisas. Que venham outros golpes!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s