UMA LEITURA SOBRE A PESQUISA

pesquisa datafolhaFoi divulgada ontem a primeira pesquisa de intenção de voto para Presidente da República após o atentado sofrido por Bolsonaro. A pesquisa do Datafolha entrevistou 2804 eleitores de 197 municípios. Os números permitem várias leituras. Porém, queremos concentrar nosso comentário em três aspectos mostrados pela pesquisa: consolidação, expansão e rejeição. A pesquisa mostra que Bolsonaro mantém-se em primeiro lugar. Porém, o atentado não lhe trouxe um crescimento como muitos previam, inclusive um de seus filhos, que chegou a dizer que, após a facada, Bolsonaro venceria no primeiro turno. Ele subiu apenas 2 pontos, indo de 22% para 24%, o que corresponde a um crescimento dentro da margem de erro. Além disso, a rejeição a Bolsonaro aumentou de 39% para 43%. E ainda: Bolsonaro perderia a eleição em um segundo turno para todos os candidatos, inclusive para Haddad (neste caso, por apenas 1 ponto e, portanto, dentro da margem de erro). Abaixo, os números da pesquisa:

Jair Bolsonaro (PSL) — 24% (tinha 22%)
Ciro Gomes (PDT) — 13% (tinha 10%)
Marina Silva (Rede) — 11% (tinha 16%)
Geraldo Alckmin (PSDB) — 10% (tinha 9%)
Fernando Haddad (PT) — 9% (tinha 4%)
Álvaro Dias (Podemos) — 3% (tinha 4%)
João Amoêdo (NOVO) — 3% (tinha 2%)
Henrique Meirelles (MDB) — 3% (tinha 1%)
Guilherme Boulos (PSOL) — 1% (tinha 1%)
Vera (PSTU) — 1% (tinha 1%)
Cabo Daciolo (Patriota) — 1% (tinha 1%)
João Goulart Filho (PPL) — 0%
Eymael (DC) — 0%
Branco/nulos — 15% (somavam 22%)
Não sabe/não respondeu — 7% (eram 6%)

Quanto à rejeição, os números divulgados foram os seguintes:

Bolsonaro: 43%
Marina: 29%
Alckmin: 24%
Haddad: 22%
Ciro: 20%
Cabo Daciolo: 19%
Vera: 19%
Eymael: 18%
Boulos: 17%
Meirelles: 17%
João Goulart Filho: 15%
Amoêdo: 15%
Alvaro Dias: 14%
Rejeita todos/não votaria em nenhum: 5%
Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum: 2%
Não sabe: 6%

E abaixo, os cenários de segundo turno pesquisados:

Marina 43% x 37% Bolsonaro (branco/nulo: 18%; não sabe: 2%)
Ciro 39% x 35% Alckmin (branco/nulo: 23%; não sabe: 3%)
Alckmin 43% x 34% Bolsonaro (branco/nulo: 20%; não sabe: 3%)
Marina 38% x 37% Alckmin (branco/nulo: 23%; não sabe: 2%)
Ciro 45% x 35% Bolsonaro (branco/nulo: 17%; não sabe: 3%)
Alckmin 43% x 29% Haddad (branco/nulo: 25%; não sabe: 3%)
Haddad 39% x 38% Bolsonaro (branco/nulo: 20%; não sabe: 3%)
Ciro 41% x 35% Marina (branco/nulo: 22%; não sabe: 2%)
Marina 42% x 31% Haddad (branco/nulo: 25%; não sabe: 3%)

Nosso comentário:

Sobre Bolsonaro, a pesquisa mostrou que, além de liderar as intenções de votos e de, praticamente já estar no segundo turno, ele é o candidato que possui os votos mais consolidados, ou seja, é aquele que possui a maior fidelidade, com 77% de seus eleitores afirmando que não mudariam de voto. Porém, se ele tem grande consolidação, sua expansão é quase que nenhuma, especialmente em razão de seu discurso imutável de extrema-direita. Por isso, é o mais rejeitado e perde para todos em um segundo turno.

A consolidação já não é tão grande em outros candidatos, como Ciro e Haddad, por exemplo. E isso se explica pelo fato de que muitos eleitores de centro-esquerda e esquerda, que afirmam ter a intenção de votar em um dos dois, seriam capazes de mudarem seus votos, visando evitar que duas candidaturas de direita cheguem ao segundo turno.

Haddad foi o que mais cresceu, mesmo não sendo ainda candidato oficial e isso mostra suas reais chances de levar o PT ao segundo turno, embora ele fosse derrotado por Marina e Alckmin. Mas os votos de Lula estão começando a cair nele. O voto do eleitor lulista é consolidado, fidelizado. Se Lula conseguisse transferir para Haddad além dos votos, a fidelização, o PT ganharia, com folga, a eleição. Transferir e tentar, ao máximo, consolidar os votos vindos de Lula serão as tarefas hercúleas dos petistas até 7 de outubro.

Marina teve a maior queda (perdeu 5 pontos) e só perderia de Ciro no segundo turno. O problema de Marina é que ela tem uma agenda híbrida, que mistura propostas conservadoras com progressistas, algumas até vagas, e isso pode dificultar sua ida para o segundo turno. Ela continua, politicamente, como um “pêndulo”.

Quanto a Alckmin, continua sendo um “elefante branco” dentro do ninho golpista dos tucanos e, mesmo com todo tempo de TV, blindagem da mídia e do Judiciário, ele só subiu um único pontinho.

Porém, em nossa visão, o grande beneficiado da pesquisa foi Ciro. Isso porque, além de ter crescido 3 pontos, ele é o único que venceria todos os adversários no segundo turno, além de seu índice de rejeição ser pequeno. E isso pode definir o voto flutuante (ainda não consolidado) do eleitor de esquerda a seu favor. Ou seja, os votos não consolidados de esquerda poderão migrar para ele.

Pesquisa expressa o momento. Tudo pode mudar, sem querer fazer propaganda da Bandnews. Porém, a pesquisa mostrou que, por enquanto, atentado a faca, tempo de TV, dinheiro, blindagem da mídia e do Judiciário e antipetismo não são suficientes para ganhar uma eleição. A menos que surjam novos fatos (ou golpes).

 

 

 

 

 

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