ATENTADO, GUERRA SANTA E DACIOLO

guerra santa“Agora é guerra!” (Gustabo Bebiano, Presidente do PSL, sigla que abriga a candidatura de extrema-direita de Jair Bolsonaro, logo após o atentado de Juiz de Fora).

Em 14 de março de 2018, quando a vereadora Marielle, junto com seu motorista Anderson foram brutal, covarde e profissionalmente assassinados, as esquerdas, de um modo geral exigiram apuração e resposta ao crime. Porém, em nenhum momento, qualquer voz do PSOL ou de partido de esquerda expressou um discurso belicoso. Sabe-se claramente que os autores dos assassinatos foram tão profissionais que, até hoje, passados 6 meses, os investigadores ainda estão na sinuca que os assassinos os meteram. Claro que foi tudo planejado, certamente durante meses e, a essa altura, já até tememos pela impunidade dos assassinos.

Muito, muito diferente do atentado contra Bolsonaro em Juiz de Fora. É tão estúpido dizer que foi tudo uma “armação” como também é estúpido querer vinculá-lo a uma conspiração política de algum partido, como pretendeu o ultra-reacionário pastor Silas Malafaia, ao dizer, de forma irresponsável e até criminosa, que o atentado foi obra do PT. Primeiro, que um atentado político não teria como executor um indivíduo que já deu claras demonstrações de transtornos mentais, que fala sozinho e diz ter agido em nome de Deus. E, ainda por cima, com  apenas uma faca (roubada de uma pensão) em meio a milhares de seguidores de Bolsonaro. Segundo, porque todos sabem que, como vítima, quem mais teria a lucrar em termos de dividendos políticos e eleitorais seria o próprio Bolsonaro. Não foram poucas as postagens na internet de seus seguidores dizendo que, após a facada, Bolsonaro venceria a eleição no primeiro turno. O próprio filho dele falou exatamente isso.

Porém, de forma mais irresponsável ainda, agiu o Presidente do PSL, partido que abriga Bolsonaro, ao dizer que “agora é guerra!” Guerra contra quem? Por que, quando até os adversários recuaram em termos de críticas a Bolsonaro, manifestaram sua solidariedade à vítima e repudiaram o atentado, o Presidente do PSL trata de, num momento delicado da vida política e eleitoral, incentivar ainda mais a violência?

Até agora, sabe-se que, além de dizer que agiu “a mando de Deus”, Adélio Bispo de Oliveira, o autor do atentado, alertava, nas redes sociais, que estava chegando a hora do “juízo final”. Ele também tinha o hábito, segundo familiares, de passar os dias trancado em um quarto escuro. A irmã de Adélio diz que ele surtava. Claro que o cara agiu sozinho.  Porém, pelo perfil do agressor, se o Presidente do PSL quer mesmo uma guerra, então não é com as esquerdas. Quem sabe uma “guerra santa” contra o Cabo Daciolo? Sim, porque o autor do atentado parece muito mais um seguidor de Daciolo. Ele foi do PSOL, como Daciolo. Ele surta, como Daciolo. Ele se diz enviado por Deus, como Daciolo. Ele não fala “coisa com coisa”, como Daciolo. Parece que o Presidente do PSL errou o destinatário de sua mensagem. Ou será que o Presidente do PSL estava mesmo se referindo a uma “guerra santa”? Os “infiéis” que se cuidem…

 

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