MUSEUS, PRESIDENCIÁVEIS E O 193

a cultura chora“Quer um museu bem administrado? Podemos visitá-lo. É o museu Aerospacial do Campo dos Afonsos, da Aeronáutica. É um exemplo de administração”. (Jair Bolsonaro, candidato neofascista à Presidência da República, em afirmação feita em 3 de setembro de 2018, logo após a tragédia do Museu Nacional).

Depois de passar a vida falando em “intervenção militar” e “armar a população”. E depois de falar que as escolas devem ser “militarizadas”, agora chegou a vez dos museus. Após a tragédia do Museu Nacional, o tema “cultura” forçosamente e, muito a contragosto para alguns, caiu na pauta dos debates dos presidenciáveis e eles já se manifestaram. Alguns, pela primeira vez sobre o assunto. É o caso de Bolsonaro. A Agência Lupa, que checa notícias e informações, atestou que, dos 13 candidatos a Presidente da República, apenas 2 incluíram em seus programas de governo propostas para a cultura e preservação de museus: Marina Silva (Rede) e o PT, ainda sem candidato definido. 7 candidatos falam em cultura em seus programas sem, no entanto, se referirem especificamente a museus. São eles: Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Eymael (DC), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), João Amoedo (Novo) e João Goulart Filho (PPL). E quatro candidatos não apresentam nenhuma proposta para a cultura em geral e tampouco para museus. Bolsonaro está entre esses quatro. No entanto, pela afirmação feita ontem, tudo leva a crer que, para ele, a solução é mesmo a “militarização dos museus”. Por que o Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos é, para ele, exemplo de administração? Por que ele fez questão de citar um museu militar? A afirmação foi feita com a mesma empáfia quando ele fala que as escolas militares são “modelos”.  Não estamos de modo algum questionando a administração e a importância do Museu Aeroespacial, que mostra a trajetória histórica e tecnológica da aviação brasileira. Porém, não há parâmetros de comparação administrativa entre o Museu Nacional e o Museu Aeroespacial. O destruído Museu Nacional tinha em seu acervo cerca de 20 milhões de itens e era um museu paleontológico, arqueológico, antropológico, histórico,  geológico, zoológico, botânico. Ali também funcionavam cursos de pós-graduação. Ali também era um centro de pesquisas.  Imaginem a conservação e a manutenção de um museu dessa magnitude. Não se pode comparar, por exemplo, a administração de um museu aeroespacial com a de um museu de história natural, especialmente em termos de recursos e pessoal qualificado para seus funcionamentos, gestões e manutenções. Principalmente quando um governo demonstra tanto desprezo pela cultura.

Aliás, quando se trata de cultura, essa jamais foi a “praia” do Bolsonaro e ele sempre a tratou com desdém. E não é apenas pela cultura não constar em seu programa de governo. Ele já falou para “esquecer o passado da história do Brasil e pensar daqui para frente”. Ele já disse para “deixar os historiadores prá lá”. Como deputado federal, ele votou a favor da PEC 241, que ele sabia que reduziria os gastos com cultura, ciência e educação. Ele já declarou que acabaria com o Ministério da Cultura. Ele também não respondeu à carta da SBPC (Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência), enviada a todos os candidatos, sobre o seu programa para a ciência e tecnologia para o país. Aliás, a única coisa que ele falou (ou algum “Posto Ipiranga” mandou ele falar), é que o astronauta poderia ser um de seus ministros. E agora, mais uma vez, ele dá como exemplo o “estilo militar” de administração para museus, em uma comparação absurda e descabida.

Pelo visto, levando-se em conta o que o candidato neofascista defende, ele deverá permitir, se eleito, que alguns museus sejam “militarizados”, como já foram algumas escolas, que hoje são dirigidas por oficiais da Polícia Militar. Pelo estilo do capitão fascista, podemos predizer que os administradores teriam três palavras de ordem: “Preparar!”, “Apontar!”… Socorro! Antes do novo administrador do museu proferir a terceira palavra, liguem para o 193

 

 

 

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