A MÁFIA E OS INTESTINOS

barata“Me dá, me dá
Me dá o que é meu
Foram vinte anos
Que alguém comeu”.  (Samba-enredo do Império Serrano, 1986).

Foram vinte anos de “caixinha”, eufemismo usado pelo “Rei dos Ônibus”, o bandido-empresário Jacob Barata Filho, ao declarar, em seu depoimento na Justiça Federal, que a Fetranspor pagava propinas a políticos do Rio de Janeiro, especialmente do MDB. A quadrilha comandada na ALERJ por Jorge Picciani e, no Executivo, por Sérgio Cabral, é tentacular. Paulo Melo, que também presidiu a ALERJ e foi preso junto com Picciani e Edson Albertasi, também foi beneficiado pela mamata de duas décadas, segundo o depoimento do Sr. Barata.

A quadrilha de “propineiros” é tentacular porque vai além do carcomido e fétido MDB. Em seu depoimento, Barata afirmou que “com toda certeza” o esquema envolvia políticos de outros partidos. Jacob Barata Filho é um daqueles exemplos de malfeitores que a turma do “bandido bom é bandido morto”, quando o vê, faz questão de tirar “selfie” e pedir autógrafos. É bandido rico e de grife. Preso no ano passado, em pleno aeroporto do Galeão, quando tentava fugir para Portugal, acabou solto através dos intestinos de Gilmar Mendes.

Na verdade, o depoimento do Sr. Barata apenas revela o que todos já sabiam:  a compra de deputados, governadores, secretários e outros agentes públicos pela máfia dos empresários dos ônibus que, infelizmente, reina na capital e no Estado e ainda oferece os piores e mais caros serviços à população do Rio de Janeiro. Como dissemos, a quadrilha de “propineiros” é tentacular e o próprio Barata admitiu que ela vai além do MDB. E não podemos esquecer do Tribunal de Contas, que teve quase todos os seus membros também presos por serem “propineiros”. Quando a ALERJ concedia benefícios a empresas de ônibus, quando a Câmara Municipal autorizava aumento abusivo de tarifas, quando CPIs eram engavetadas, quando o Tribunal de Contas aprovava os maiores absurdos,  enquanto o povo que precisa do transporte público sofria, dava para se ter a certeza de que a quadrilha de “propineiros”, embora comandada pelo MDB, ia muito além do partido de Cabral e Picciani. E atingia todos os poderes. Barata ainda disse que as generosas doações também ocorriam em anos não eleitorais. Nesse caso, então, eles dirão que nem “caixa 2” era, visto que não ocorreram eleições. Talvez fossem presentes de Papai Noel ou do Coelhinho da Páscoa. Imaginem o que poderia ser feito com toda essa dinheirama entregue pela máfia dos ônibus à máfia de Cabral e Picciani?  Enquanto comiam e mamavam no esgoto do Barata, mafiosos da ALERJ agrediam servidores do Estado, aprovando medidas covardes e massacrantes enviadas pelo “finado” governador Pezão.

Um dos caminhos para começarmos a conhecer os integrantes da quadrilha é observarmos atentamente as votações de parlamentares na Assembleia Legislativa, e também na Câmara Municipal,  ao longo desses vinte anos. Quem foi contra ou quem dificultou ou abafou CPIs para investigar a máfia dos ônibus também seria um caminho. A lista de comparsas de Picciani, que votaram pela sua soltura no ano passado, também pode revelar compromissos de deputados com o “capo da máfia alerjiana”. E, talvez, a lista de convidados do casamento da “dona Baratinha”, a filha do Barata, em 2013. É público e notório que Gilmar Mendes esteve no mega-convescote no Copacabana Palace, enquanto o povo, do lado de fora, protestava. Muitos dos potenciais políticos envolvidos deviam estar naquela festança. Ali, casava-se “dona Baratinha”. Uma “dona Baratinha” bem diferente daquela da historinha infantil. E ali, ao invés de um “ratinho simpático”, estavam presentes várias ratazanas milionárias e cúmplices da mamata dos 20 anos. Muitas delas, até hoje brigando por um lugarzinho nos intestinos de Gilmar Mendes…

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