VARGAS E OS TIROS PELA CULATRA

CARTA DE GETÚLIO VARGAS“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. (Getúlio Vargas, Carta Testamento, 24 de agosto de 1954).

24 de agosto. Há exatos 64 anos, Getúlio Vargas deixava a vida para entrar na história. O tiro de Vargas desferido contra ele próprio não trouxe apenas a sua morte física. Ele acabou com as pretensões dos golpistas da ocasião, liderados por Lacerda e seus comparsas da UDN, jornais golpistas como “A Tribuna da Imprensa”, de Lacerda e “O Globo” (olha ele aí!), de Roberto Marinho, além de setores militares. Isso sem contar com a participação dos Estados Unidos, que nunca aceitaram a criação da Petrobras um ano antes. Todos reunidos em um conluio para que Vargas deixasse o Catete derrotado e humilhado. Lacerda já comemorava com sua camarilha, quando veio a notícia da tragédia. O golpista da UDN sabia o que vinha pela frente e, em uma metáfora, resumiu seu sentimento: “Nós estávamos em plena festa e, na hora de cortar o bolo, acabaram com ela”. Não teve bolo. E nem cereja. O tiro de Vargas e sua morte foram suficientes para derrotar os seus inimigos. O golpe que eles tanto queriam ainda teria que esperar por mais 10 anos. A morte foi a última grande vitória de Vargas, depois de ter voltado ao poder “nos braços do povo” em 1950.

Passados 64 anos, podemos identificar muitas similaridades do momento atual em relação a 1954. Há uma onda golpista que cresceu a ponto de tirar Dilma do poder. Mas a pretensão golpista ia além de um governo interino e ilegítimo. Era preciso tirar Lula de circulação. Era preciso uma campanha midiática para identificar o PT como o sinônimo da corrupção, blindando o PSDB e o entreguismo facínora de FHC. Feito. Mas era preciso prender o Lula, mesmo com elementos frágeis na peça processual, contestada até por juristas estrangeiros. Feito. E o que os golpistas produziram? Produziram tão-somente o crescimento de Lula, que dispara na preferência popular. Cada pesquisa divulgada é mais “um tiro de Vargas no peito dos golpistas”. Eles estão desesperados. O candidato oficial (Alckmin), que sintetiza e representa tudo o que foi o golpe de 2016, não cresce nem com o fermento da mídia, do Judiciário e das porradas incessantes no Lula e no PT. A direita cavou sua própria sepultura com  o golpe de 2016 e agora eles não sabem para onde caminhar. Todos os tiros da direita golpista, mancomunada com a mídia fascista e o Judiciário tucano estão saindo pela culatra.

A UDN aí está ( ela hoje é representada pelo PSDB e o “Centrão”). A “Tribuna da Imprensa” também aí está (hoje, é “O Globo”). E a “República do Galeão” é hoje representada pelos fascistas intervencionistas. A ambição estrangeira aguarda o crime dos entreguistas, que já deram o pré-sal e querem dar a Eletrobras e também a Petrobras. Ambição estrangeira que já estava na cena da tragédia de 1954. Porém, nem tudo é igual a 1954. O “Palácio do Catete” seria, hoje,  a sede da Polícia Federal em Curitiba. A diferença, é que hoje Lula não sairá de lá morto. Sendo ou não confirmado candidato, sairá em triunfos. E o que não falta hoje são “Lacerdas”. Poderiam ser o Merval Pereira, o Carlos Alberto Sardenberg, o Diogo Mainardi, o Arnaldo Jabor… E não adianta nenhum deles dar um tiro no próprio pé. Porque também vai sair pela culatra, como saiu o de Lacerda em 1954.

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