A ROLETA RUSSA DO TEMER

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“Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão”. (Geraldo Vandré, Prá não dizer que não falei das flores, 1968)

Foi com tristeza que recebemos no dia de hoje a notícia do terceiro militar fatalmente vitimado nas operações do Exército que estão acontecendo desde a última segunda-feira nos Complexos do Alemão, Maré e Penha. O soldado Marcus Vinicius Viana Ribeiro foi morto hoje. O mesmo já havia ocorrido com o soldado João Vitor da Silva e o cabo Fabiano de Oliveira Santos.

Hoje, já não se discute mais se a intervenção federal na Segurança do Rio de Janeiro deu ou não deu certo. Hoje, faz-se uma só pergunta: por que a intervenção não deu certo? Há seis meses, quando Temer, um Presidente ilegítimo, impopular e com índices de aprovação perto de zero, decretou a intervenção, já falávamos que tudo não passava de uma jogada política, com uma dupla finalidade: primeiro, tentar levantar alguma popularidade visto que, na ocasião, a intervenção era aprovada por cerca de 80% da população do Estado do Rio de Janeiro. Agora, imaginem um Presidente ilegítimo e com popularidade próxima a zero tomar uma medida que tem 80% de aceitação? E mais: Temer queria usar a intervenção como “álibi” para dizer que não pôde apresentar a reforma da previdência e, assim, não admitir uma derrota que era dada como certa no Congresso. O mote foi: “vamos retirar a reforma da previdência porque, enquanto a intervenção perdurar, a Constituição não pode ser alterada”. Então, sua “saída de mestre” foi decretar a intervenção na segurança do Estado do Rio de Janeiro.

Se a segurança encontrava-se em situação caótica, o que dizer da saúde? Todos sabem a situação dos hospitais do Estado, onde falta tudo e pessoas morrem por não terem o atendimento básico. O “finado” Governador Pezão não investiu o mínimo em saúde, conforme demonstrou o Tribunal de Contas, e nada lhe aconteceu por esse crime. Ao contrário, a Assembleia Legislativa, onde predominam os seus comparsas, ainda aprovou as suas contas. E a educação? Vejam a situação das escolas estaduais, onde até funcionários terceirizados deixaram de trabalhar por falta de pagamento. Faltou até merenda. E por que não fazer intervenção, também, na saúde e na educação? Porque essas intervenções ficariam “das paredes para dentro”. Imaginem um hospital funcionando normalmente e com todas as condições. Ou uma escola funcionando sem nada faltar. Tudo ficaria “das paredes para dentro” e não haveria o que mostrar.

Mas, chamando o Exército, as ruas estariam cheias de tanques, carros de combate, soldados com fuzis, coisa que o povo, assustado com a violência, queria ver. Naquela ocasião, o golpista do Jaburu ainda alimentava o delírio de candidatar-se e a intervenção poderia ser o início de uma alavancada em sua popularidade quase que zerada. Então, Temer ligou a sua “roleta russa” e jogou jovens soldados, alguns pré-saídos da adolescência, em um enfrentamento para o qual eles nunca estiveram preparados. A covardia e o golpismo de Temer lançou esses jovens à própria sorte, em uma intervenção que começou sem planejamento, sem verbas e que, em momento algum, passados seis meses, aumentou a sensação de segurança de nenhum morador do Rio de Janeiro. Ao contrário. Os números da violência só dispararam. E um confronto para o qual jovens soldados não foram preparados só pode trazer como resultado mais violência e tragédia.

O verdadeiro responsável por mais essa tragédia que vitimou dois jovens soldados e um cabo do Exército é Michel Temer. Ele lançou esses jovens em uma missão suicida, que é uma verdadeira ratoeira, apenas para atender a seus fins políticos de momento. Ele é tão golpista que, pela primeira vez na história, parece que os militares é que foram vítimas de um golpe. Em breve, os livros falarão no “golpe da intervenção”. Que, infelizmente, assassinou três jovens militares. E fica a pergunta: será que essas três mortes lamentáveis e precoces na “roleta russa” do Temer foram mesmo “pela Pátria”?

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