FASCISTAS, FOGUEIRAS E LIVROS

queima de livros

Flavio Morgenstern

“Educação só se resolve queimando livro de Paulo Freire em praça pública de noite, com tochas e cerimônia de malhar seu boneco”. (Flávio Morgenstern, escritor bolsonarista, cujo verdadeiro nome é Flávio Azambuja Martins).

Paulo Freire foi um dos educadores brasileiros mais importantes e sua obra é reconhecida mundialmente. Seu método de alfabetização, que contextualizava o ensino da escrita e da leitura tirou muita gente, especialmente no meio rural, não apenas da treva do analfabetismo, mas “libertou pessoas”. Seu método tomava como palavras-chave aquelas que faziam parte do cotidiano das pessoas. Aprender era conscientizar. A educação, como dizia o título de um de seus mais célebres livros, era uma “prática para a liberdade”. Claro que Paulo Freire e seu método de alfabetização, bem como suas propostas educacionais, não foram tolerados pelos ditadores das casernas que tomaram o poder de assalto em 1964. Paulo Freire ficou mais de dois meses preso pela ditadura militar e depois partiu para o exílio. Em seu lugar viria o Mobral. Com o Mobral, bastava ler e escrever sem contestar a submissão.

O ódio e a intolerância que afetam a direita mais fascista e reacionária de nosso país já está entrando em sua fase inquisitorial. Um escritor e ativista fascista apoiador de Bolsonaro, chamado Flávio Azambuja Martins, que se identifica no twitter como Flávio Morgenstern afirmou, publicamente, que a solução para a educação no Brasil é a queima dos livros de Paulo Freire, de preferência, à noite. Quando a célebre obra “História Universal da Destruição dos Livros”, de Fernando Baez, foi publicada, jamais imaginávamos que, em pleno século XXI, esse tipo de ameaça (mais do que uma simples proposta) ainda recrudescesse. Sim, porque o neonazista que falou esse absurdo, além de escritor é um grande ativista pró-Bolsonaro e há a possibilidade de ele (tomara que não!) ocupar algum cargo no Ministério da Educação, junto com Alexandre Frota, caso o capitão fascista seja eleito.

As cerimônias de queima de livros sempre marcaram os momentos mais intolerantes, obscuros e violentos da história da humanidade. A Inquisição e a Alemanha nazista foram apenas alguns desses exemplos. Muita produção cultural, filosófica, artística e científica foram, para sempre, destruídas pelo motor do ódio. Grande parte do acervo cultural humano incinerado pelos “déspotas das trevas” jamais teve retorno, pois a destruição aconteceu em tempos em que não havia a imprensa. E os manuscritos literalmente viraram pó. Claro que se todos os livros impressos de Paulo Freire forem queimados, sua obra hoje não desaparecerá. Porém, o efeito simbólico da declaração do nazista apoiador de Bolsonaro é muito forte. Isto mostra o “animus necandi” dessa gente em relação a tudo o que eles discordam. Eles também querem queimar museus, destruir exposições, invadir escolas e proibir as mesmas de serem um foro crítico. Tal como Paulo Freire fazia quando alfabetizava.

O ódio a Paulo Freire e sua obra é um dos sintomas dos seguidores de Bolsonaro. Alfabetizar, como nos ensinava o mestre Paulo Freire, também é abrir os olhos para o mundo e compreender o contexto em que vivemos. Não é à toa, ao contrário, é bem emblemático e até compreensível, que eles chamem a pessoa que eles mais odeiam de “analfabeto”. Mas para essas pessoas, o antídoto à ignorância, ao ódio, à aversão às diferenças é o próprio remédio que eles mesmos querem destruir: Escolas, muitas escolas! Livros, muitos livros!

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