O JAPONÊS DEDO-DURO

japonês da federal“Trabalhei, na época da ditadura militar, em diretório estudantil como infiltrado entre os estudantes. Frequentava as reuniões e depois passava as informações”. (Newton Hidenori Ishii, policial federal aposentado, que ficou popularmente conhecido como “Japonês da Federal”).

“Policial” era a denominação genérica dada a qualquer infiltrado entre os estudantes universitários nos tempos da ditadura militar. Na maioria das vezes, o delator infiltrado era um aluno regularmente matriculado, que frequentava “normalmente” as aulas, as reuniões do diretório acadêmico, as manifestações. Muitas vezes, de forma cênica, o “policial” até fingia ser um ultra-radical para poder deixar sua vítima bem “à vontade”. Geralmente eram muito bem articulados e informados. Sempre mostravam-se críticos e questionadores, para não levantarem qualquer suspeita. Às vezes eram descobertos pelos estudantes e ficavam isolados. Conheci um desses “policiais”, cujo nome verdadeiro era Ismael (lembro-me até hoje de seu nome completo, mas prefiro não revelá-lo).

No programa “Conversa com Bial”, levado ao ar ontem, o policial federal aposentado Newton Ishii, o popular “Japonês da Federal”, revelou que foi agente infiltrado da ditadura. Participava de reuniões com os estudantes e enviava as informações às autoridades dos governos da ditadura militar. O “Japonês da Federal” tornou-se uma das personalidades mais populares da Lava-Jato. Mais do que isso: um ídolo, principalmente por, geralmente, ser o condutor de presos da operação. Foram muitas as suas aparições conduzindo presos ou depoentes de forma coercitiva. Mas nunca o vimos conduzindo um “tucano”. Assim, dá para saber de quem ele realmente tornou-se ídolo. Newton Ishii já foi preso por contrabando, afastado da Polícia Federal e reintegrado. Agora está aposentado e até lançou um livro sobre sua biografia. Talvez nem o próprio imaginasse que um dia viesse a ser literalmente um “policial”.

Não sabemos em que resultaram as delações do japonês dedo-duro. E nem se as mesmas foram “premiadas”. Mas sabemos que, em muitos casos, delações dessa natureza levaram a prisões, torturas, assassinatos e desaparecimentos de estudantes. Rigorosamente, o “Japonês da Federal” foi, de algum modo, partícipe desses crimes de Estado. Não sei o que foi (se é que foi) revelado em seu livro biográfico sobre essa sua atividade colaboracionista com a ditadura militar. Porém, assim como ele, muitos dos que hoje falam de democracia, lei, justiça e combate à corrupção devem ter muito o que explicar. Enquanto isso, relembremos “Baiano e os Novos Caetanos” com “Vô batê pá tu”, de 1974. Muito provavelmente o “Japonês da Federal” já era “dedo-duro” nessa época.

Falou, é isso aí malandro
Tem que se ligar aí nesse som, tá sabendo…
Eu vou bate pá tú, pá tu bate pá tua patotaVou batê pá tu bate pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batêPá amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batêO caso é esse
Dizem que falam que não sei o que

Tá pá pintá ou tá pá acontecer
É papo de altas transações

Que dançou com tudo
Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações

Vou batê pá tu bate pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê

Pá amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batê

O caso é esse
Dizem que falam que não sei o que
Tá pá pintá ou tá pá acontecer
É papo de altas transações

Deduração, um cara louco
Que dançou com tudo
Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações

Tá falado, tu tem que se ligar….
É isso aí, falou

Vou batê pá tu bate pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê

Pá amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batê

O caso é esse
Dizem que falam que não sei o que
Tá pá pintá ou tá pá acontecer
É papo de altas transações

Deduração um cara louco
Que dançou com tudo
Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações

 

 

 

 

 

 

 

 

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