QUARENTINHA E LEWANDOWSKI

quarentinha“Só essa devolução (à Petrobras) representou uma devolução aos cofres públicos, uma quantia muito maior do que aquela que será remanejada, cortada de um dos setores do orçamento do Poder Judiciário. Isso sem falar nos milhões e milhões de reais que os juízes federais e estaduais recuperam para os cofres públicos nas execuções fiscais.” (Ricardo Lewandowski, Ministro do STF, justificando o vergonhoso e imoral aumento de 16,38% dados pelos juízes da Corte a eles mesmos).

Waldir Cardoso Lebrêgo era o nome de Quarentinha, um dos maiores artilheiros do futebol brasileiro.  Quarentinha notabilizou-se no Botafogo, clube por onde jogou nas décadas de 1950 e 1960, e do qual tornou-se artilheiro, com mais de 300 gols. Ele ficou conhecido como “o artilheiro que não sorria”. Isso porque, quando fazia gols, não comemorava. Certa vez, questionado sobre o porquê de não festejar seus gols, ele disse que “era pago para isso e não estava fazendo nada além de seu trabalho e sua obrigação.” Conheci muitas coisas sobre Quarentinha através de sua filha, Myrthes Lebrêgo,  que foi minha aluna e com quem até hoje cultivo grande amizade. Mas nunca esqueci de sua humildade, ao dizer que, ao balançar as redes adversárias, não fazia mais do que sua obrigação. Com sua humildade, tornou-se um grande ídolo.

Lembrei-me essa semana de Quarentinha após mais uma declaração lamentável e estapafúrdia do Ministro do STF, Ricardo Lewandowski, que justificou o aumento de 16,38%, que os Ministros se auto-outorgaram, pelo fato de muitas execuções fiscais determinadas pelos juízes terem devolvido aos cofres públicos milhões que haviam sido roubados. Ora, senhor Ministro! Mire-se no exemplo do craque Quarentinha! Vocês não estão fazendo nada além da obrigação de Vossas Excelências! A diferença, é que vocês podem decidir sobre o próprio aumento salarial de vocês, ao contrário das outras categorias. Se os juízes, realizando um trabalho que não vai além de suas obrigações, recuperam dinheiro roubado, o que dizer dos médicos que recuperam vidas? E dos professores, que formam cidadãos? Dos bombeiros, que salvam vidas? Dos policiais, que perdem a vida combatendo o crime? Dentre outras profissões igualmente importantes. Todos eles, não estão fazendo nada além de suas obrigações.  A diferença, é que não são regiamente recompensados como a “casta de toga”, não recebem auxílio-moradia, mesmo tendo que pagar aluguéis, não são respeitados pelos governos e, infelizmente, não são eles que decidem sobre seus próprios aumentos. E os que podem e deveriam decidir, não estão nem aí.

Julgar processos, proferir sentenças, ordenar execuções fiscais, dentre outras atribuições, não são mais do que as obrigações dos magistrados, que formam a categoria mais bem paga do Brasil, com inúmeros privilégios e que ainda podem decidir sobre o próprio aumento. Nessa hora, não foi invocada a tal “austeridade”. Porém, quando foi para julgar o mandado de segurança que barrava a PEC do teto dos gastos públicos, que vai congelar os investimento por 20 anos e prejudicará, inclusive, reajustes para outras categorias, aí os senhores Ministros do STF ficaram do lado do Temer. É isso aí , Sr. Lewandowski! “No dos outros, é refresco”, diz um antigo ditado popular. Pena que não tenhamos tantos juízes como tivemos um Quarentinha, que foi um ídolo do Brasil e até hoje é lembrado. Aliás, não conheço nenhum juiz que tenha sido ídolo. Ou melhor, conheço um. Mas este não é um ídolo do Brasil. É um ídolo da Globo, dos coxinhas, dos tucanos, dos golpistas. E, ao contrário de Quarentinha, ele ri, tira fotos, e até é amigo de quem deveria julgar com imparcialidade. E já  até deixou de cumprir sua obrigação, ao se recusar a julgar alguns criminosos tucanos no Paraná e, assim, ter perdido  feio, muito feio, um jogo por “W.O.”  Por menos “Lewandowskis” e mais “Quarentinhas” na toga!

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