INDOLÊNCIA, MALANDRAGEM E PRIVILÉGIO

índiosnegros“O Brasil herdou a indolência dos indígenas, a malandragem dos africanos e o privilégio dos portugueses.” (General Mourão, candidato a Vice-Presidente da República na chapa de Bolsonaro, em palestra em Caxias do Sul,  em 6 de agosto de 2018).

A “chapa pau de arara” anda a todo vapor. Na verdade, a escolha do vice de Bolsonaro nada, absolutamente nada, acrescentou à sua campanha. É o “mesmo do mesmo”. Mourão, tal qual Bolsonaro, é um militar ultra-conservador, que sempre defendeu a intervenção militar e, também, pertence à turma do “tiro, porrada e bomba”. Segundo Bolsonaro, a escolha do general Mourão foi ótima, pois queria alguém que, como ele, vai “meter o pé na porta”. Mas não foi bem assim. Ele sabe que o general Mourão não era o preferido. Antes dele, tentaram o senador Magno Malta, o general Heleno, a “pós-doutora” e até o príncipe.

E ontem, logo depois de ser confirmado como vice na chapa de Bolsonaro, o general Mourão fez uma daquelas declarações típicas da “chapa pau de arara”. Foi em uma palestra em Caxias do Sul. Ao identificar o índio como “indolente” e o africano como “malandro”, ele completou o “amálgama cultural” com o “privilégio” dos portugueses. Então, o Brasil virou uma “terra de Macunaímas”.

Os discursos que procuram denegrir indígenas e africanos são bem antigos. Os “indolentes” indígenas carregaram pesadas toras de pau-brasil nas costas, remavam, pescavam, caçavam. As mulheres indígenas trabalhavam, e muito. Elas trabalhavam na agricultura, faziam artesanato, cuidavam dos filhos. Seria bom, já que o general disse que nós herdamos essa tal “indolência”, ele dizer ao seu cabeça de chapa que a mulher indígena também engravidava e nem por isso “comia menos”. Sim, porque entre eles não existia o dinheiro.

Quanto aos africanos, foram violentamente arrancados de suas terras e escravizados. O que a tradição dominadora chamou de “malandragem”, e de forma tão depreciativa, talvez fossem as suas estratégias de defesa e resistência. Revoltas, quilombos, capoeira…A “malandragem” deles realmente tirava o sono dos proprietários. Será que o general sabe o que aconteceu, por exemplo, no Haiti, em 1804? Tenho minhas dúvidas de que se, naquela época, já existisse a ONU, eles teriam mandado uma missão para lá.

Porém, chamou a atenção o general dizer que o “privilégio” é culpa dos portugueses. Para que existam privilégios, é necessário que existam exclusões. E isso tem um nome, porém, com várias nacionalidades: capitalismo. A chegada dos portugueses, em 1500, foi a chegada do capitalismo. Capitalismo que escravizou, violentou e dizimou índios. Que estuprou as índias (será que o Bolsonaro vai dizer que alguma delas merecia?). A chegada do capitalismo, em 1500, também trouxe a violência contra os africanos.  E eles também estupraram as negras africanas (será que o Bolsonaro vai dizer que alguma delas merecia?). Mas, quero ficar no “privilégio” herdado dos portugueses. Pelo visto, os “privilégios” incomodam o general. Mas será que foram os portugueses que inventaram o auxílio-moradia até para quem tem imóvel? (pergunte ao seu cabeça de chapa). Será que foram os portugueses que trouxeram para cá uma reforma da previdência que exclui juízes, militares e parlamentares? Será que foram os portugueses que criaram as isenções fiscais e imorais para grandes empresários e os juros massacrantes para o povo? Será que foram os portugueses que inventaram as pensões para filhas de militares cheias de saúde e que nunca trabalharam? Ou o general vai dizer que os portugueses inventaram um tal de “bolsa-família”, que é um privilégio que sustenta “vagabundos privilegiados”? Com a palavra, a “chapa pau de arara”

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