O GENERAL E AS REGRAS DO JOGO

general golpista

“Se o Judiciário não solucionar o problema político, os companheiros do Alto Comando do Exército entendem ser necessária uma intervenção militar.” (General Hamilton Mourão, ameaçando o Poder Judiciário, em palestra promovida pela Maçonaria, em Brasília, no dia 15 de setembro de 2017).

O general Hamilton Mourão foi confirmado, ontem, como vice na chapa de Jair Bolsonaro. Depois de malogradas as tentativas de fechar a chapa com Magno Malta, com a “pós-doutora”, com o príncipe e com o outro general (o Heleno), o PRTB, partido presidido pelo ultra-reacionário Levy Fidélix, confirmou a entrada na chapa de Bolsonaro e o nome de Mourão para vice.

O general Mourão ficou famoso, a partir do ano passado, por defender abertamente a intervenção militar (eufemismo para golpe), o que causava um alvoroço venéreo na direita fascista. Também ficaram explícitas as suas ameaças ao Judiciário. Agora, ao que tudo indica, o general Mourão parece ter aceito as regras do jogo democrático e pretende chegar ao poder pelo voto popular, embora essa não seja, absolutamente, “a sua praia”. A indicação do general Mourão como vice de Bolsonaro consuma aquilo que, na política, chamamos de “chapa puro sangue”. Dois militares da ultra-direita, que sempre desprezaram a democracia, os direitos humanos e que possuem um passado tenebroso ligado à ditadura. Ambos possuem muitas afinidades. O general Mourão, a exemplo de Bolsonaro, afirmou que o torturador Brilhante Ustra (aquele que enfiava ratos vivos nas vaginas das presas políticas) foi um “herói”. Segundo dados da Comissão da Verdade, o “herói” de Mourão e Bolsonaro, quando chefiou o Doi-Codi (um centro de torturas e assassinatos durante a ditadura), teria sido o responsável pela morte e desaparecimento de 45 pessoas. O general Mourão também ficou conhecido pelo seu viés entreguista. Na mesma palestra em que defendeu a intervenção militar (golpe), também se disse favorável à privatização da Amazônia.

Agora o general Mourão entrou em um jogo que ele não tem muita simpatia por suas regras. Pelo seu passado e pelo que defende até hoje, parece repelir a democracia. Porém, neste jogo, quem dá as cartas é o povo. Quem decide é o povo. Quem é soberano é o povo. Portanto, a única intervenção admitida no jogo do qual o general aceitou participar é a intervenção popular e na qual, parodiando o título do livro do “herói” do capitão e do general, “a verdade das urnas jamais poderá ser sufocada”.

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