“BOZONAZI” MENTIU E COLOU

entrevista do bolsonaro na globoO Ministério da Educação já havia desmentido oficialmente. A editora Companhia das Letras também já havia desmentido. Porém, o candidato neofascista Jair Bolsonaro insistiu em propagar uma de suas mentiras obsessivas em rede nacional, durante a entrevista no Jornal Nacional, da Globo, ao afirmar que a tal cartilha “Aparelho Sexual e Cia”,  havia sido distribuída para as crianças nas escolas.

Em uma nota oficial datada de 2016, o MEC já havia desmentido a distribuição da tal “cartilha”. Ela jamais foi distribuída às escolas. O mesmo desmentido foi feito pela respectiva editora. Porém, visando manter seu eleitorado chauvinista em mãos, Bolsonaro apelou em rede nacional e, mais uma vez, mentiu.

Serviços de checagem de fake news, como o farsas.com e o checa zap, dentre outros, atestaram que a afirmação de Bolsonaro era absolutamente falsa. Como também era falsa a afirmação de que, em 2012, foi realizado um “Seminário LGBT Infantil”. O que ocorreu, na verdade, foi o 9° Seminário LGBT, que teve como tema “Infância e Sexualidade” e que não teve, rigorosamente, a participação de nenhuma criança.

Mas a entrevista de Bolsonaro não ficou só nas mentiras e nas repetições de seus clichês preconceituosos, homofóbicos e misóginos. Ele voltou a levar “cola”. E dessa vez, ele não queria esquecer, vejam, as palavras “Deus”, “Família” e “Brasil”. Quando um candidato, que já até se disse “enviado por Deus” esquece a palavra “Deus”. Quando um candidato que só fala em “proteger a família”, esquece a palavra “família” e quando um candidato que se diz um “patriota a serviço do Brasil” esquece a palavra “Brasil”, algo muito grave está acontecendo. Foi até divertido. Ele mentiu. Ele “colou”. Parecia até o personagem “Bozo”. Porém, um Bozo diferente. Poderia até ser chamado de “Bozonazi”. Será que ele já decorou a sigla de seu partido e o seu número? Paulo Guedes e outros “luas pretas” ainda vão ter muito trabalho! Haja “Postos Ipirangas”...

O TERCEIRO PODE SER O “PRIMEIRO”

picolé de chuchu“Essa é uma boa pergunta, mas eu não tenho condições de responder, porque certamente é uma questão que vai ser suscitada antes na Justiça Eleitoral”. (Celso de Melo, Ministro do STF, sobre a possibilidade de quem é réu poder assumir a Presidência da República, em declaração feita no dia 28 de agosto de 2018).

Pronto. Foi só o Haddad aparecer no cenário eleitoral que os mesmos atores, com os mesmos papéis de sempre, também entraram em cena. O Ministério Público denunciou o virtual candidato petista a Presidente da República, Fernando Haddad,  por “enriquecimento ilícito”. Foram decantar a campanha de Hadadd do ano de 2012, quando ele elegeu-se Prefeito de São Paulo. Mas só agora, depois de passados 6 anos? Coincidência ou não ( e não é coincidência), essa tal denúncia surge no exato momento em que Haddad, mesmo fora dos debates e entrevistas pela televisão e mesmo fora das coberturas jornalísticas de sua campanha, está mostrando a real possibilidade de ir ao segundo turno e vencer. O objetivo? Transformar Haddad em réu, o que não o impediria de disputar o pleito.

Porém, há um acórdão do STF, referente ao caso Renan Calheiros, do ano passado, em que o Supremo concluiu que “quem estivesse na condição de réu, mesmo que ainda não condenado, não poderia assumir a Presidência da República”.  Esta decisão do Supremo criou uma jurisprudência. E Renan Calheiros ficou impedido de, eventualmente, assumir a Presidência da República pelo fato de ser réu.  E a mesma pode ser usada para um novo golpe, desta vez protagonizado pelo Ministério Público e pelo Judiciário.

A transferência de votos de Lula para Haddad parece que será expressiva. E ele ainda nem entrou na campanha. Assim, ele parece ter tudo para ir ao segundo turno, juntamente com o neofascista Bolsonaro. Bolsonaro já é réu. Caso a denúncia contra Haddad, que só agora apareceu, depois de tanto tempo, seja aceita, então ele também se transformará em réu. Se a Justiça Eleitoral e o próprio Supremo decidirem que nem Haddad e nem Bolsonaro podem assumir a Presidência, tendo como fulcro a jurisprudência já estabelecida no ano passado, quem iria, então, para a cadeira presidencial? Claro, o terceiro colocado na eleição. E é aí que entra o Alckmin.

Como já dissemos, Alckmin é o “candidato oficial do golpe de 2016”. É o candidato do mercado, do grande capital nacional e estrangeiro, do entreguismo, do anti-nacionalismo, da grande mídia. Faltando pouco mais de um mês para a eleição, ele não decola. E sabe-se que hoje, mesmo com maior tempo de TV, a partir do acordo que o PSDB fez com as “prostitutas do Centrão”, a televisão não é tão determinante assim. Mas ele pode subir alguns pontos e chegar em terceiro. Aí, é só esperar o veredito do “tapetão da toga tucana” para termos um outro Presidente sem votos no Planalto. Supondo que Haddad e Bolsonaro fossem para o segundo turno, porém, com ambos sendo réus, nenhum dos dois poderia assumir. E os fascistas, que teriam sido usados desde o golpe de 2016, finalmente veriam que nada daquilo foi feito para eles e que, finalmente, teria chegado o momento de eles serem defenestrados e ficarem, como forma de consolo, durante 4 anos chupando picolé de chuchu…

 

 

JUCÁ E AS FATURAS DO GOLPE

romero jucá

“Acabo de comunicar ao Presidente que deixo a Liderança do Governo por discordar da forma como o governo federal está tratando a questão dos venezuelanos em Roraima”. (Romero Jucá, senador golpista do MDB, via twitter, em mensagem de 27 de agosto de 2018).
As contas estão chegando. E parece que, para alguns golpistas, especialmente aqueles que foram meros “lixos descartáveis e não recicláveis” do grande capital nacional e estrangeiro, o acerto de contas com o povo será impiedoso. Agora, foi a vez do Romero Jucá, o senador “do grande acordo nacional com o Supremo e tudo”, lembram? Jucá anunciou nesta segunda-feira, dia 27, que não é mais líder do governo golpista, ilegítimo e corrupto de Temer. Em suas alegações, Jucá afirmou que deixa o governo por não concordar com o modo como Temer vem tratando a questão dos venezuelanos em seu estado, Roraima. Tudo porque Temer não fechou a fronteira. Será?

Mas a verdade é outra. Jucá está na iminência de não ter o seu mandato renovado pelo povo. Em terceiro lugar nas pesquisas, ele agora usa a estratégia de querer se afastar de Temer, de quem sempre foi um ferrenho aliado, em uma tentativa desesperada de enganar o povo, visando sua reeleição. A estratégia de Jucá não é muito diferente da de outros, inclusive de candidatos a Presidente da República, que estiveram, desde o início do golpe, servindo ao governo Temer e apoiando suas propostas. Acrescente-se ainda que, em Roraima, boa parte da população apoia o fechamento da fronteira com a Venezuela. Pronto. Foi o momento exato para Jucá pular da barca golpista.

Dois anos depois, todos os golpistas, desde seus maiores expoentes até as meras peças descartáveis, sejam do Legislativo ou do Judiciário, devem estar se perguntando: “Onde foi que erramos?” Sim, porque depois da divisão do butim em 2016, eles não imaginavam que, em 2018, as eleições seriam um território hostil para eles. E, mais ainda, que seus alvos estariam politicamente fortalecidos. Lula lidera todas as pesquisas. Dilma colocou o Aécio para correr e lidera as pesquisas para o Senado em Minas. O PT, mesmo depois da prisão de Lula e levando todas as porradas da mídia, é o partido que mais cresce e lidera, também, as “vaquinhas virtuais” para contribuição de sua campanha. Ou seja, os objetivos de colocar Lula no ostracismo, matar Dilma politicamente e deletar o PT, rigorosamente não foram e, pior para eles, não serão atingidos.

Enquanto isso, o “candidato oficial do golpe de 2016”, Geraldo Alckmin, mesmo com toda blindagem da mídia e do Judiciário, não emplaca. Não vai demorar muito e ele vai ser “cristianizado” pelas “prostitutas do Centrão”. Aécio desistiu do Senado, está esquecido pelos tucanos e vive como mendigo, no interior de Minas, implorando votos para deputado federal, visando manter o foro. Eduardo Cunha, preso e esquecido, lançou a própria filha como “laranja”. E Henrique Meirelles, com sua inconfundível “voz de bêbado em fim de festa”, dá o tom do ocaso do governo que, isolado no “bunker do Jaburu”, vai para a latrina de nossa história.

Um conselho para o Jucá: deixe a fronteira ficar aberta, receba bem os venezuelanos e, depois, vá com eles até o país vizinho. Chegando lá, procure o Maduro e proponha a ele um “grande acordo com o Supremo da Venezuela”. Quem sabe assim você se eleja senador pela Venezuela, arme um golpe por lá e, depois, derrube a “ditadura bolivariana”?

LEGALIDADE E OS “AÉCIOS” DO AMANHÃ

amanhã pode ser você“Em atenção à solicitação da Presidente do Partido dos Trabalhadores, o Presidente do Senado Federal informa que o Brasil é signatário do “Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos” e de seus Protocolos Facultativos, assinados na ONU em 16 de dezembro de 1966.

O tratado internacional tramitou na Câmara e no Senado entre janeiro de 2006 e junho de 2009, sendo aprovado em ambas as Casas, e foi promulgado pelo Decreto Legislativo nº 311, de 2009, conforme publicado no Diário Oficial da União de 17 de junho de 2009, encontrando-se em pleno vigor”. (Senador Eunício Oliveira, Presidente do Senado Federal).

Para quem não sabe (ou não lembra), no Brasil, o Presidente do Senado também é considerado o Presidente do Congresso Nacional. Portanto, uma manifestação oficial do Presidente do Senado Federal também expressa oficialmente o posicionamento de todo Congresso, constituído por 513 deputados que representam o povo e 81 senadores que representam os estados-membros da Federação.

Eunício Oliveira, Presidente do Senado e, portanto, Presidente também do Congresso Nacional, foi instado pelo Partido dos Trabalhadores a se pronunciar oficialmente sobre  a legitimidade do Pacto Internacional Sobre Direitos Civis e Políticos e seu despacho é cristalino, como mostra o texto que abre este artigo. O Congresso Nacional, que ainda não havia se manifestado, após a solicitação do PT, declarou a legitimidade do Pacto e, portanto, sua validade, o que significa que o ex-presidente Lula pode ser candidato a Presidente da República,  por ainda caberem recursos à sua condenação. O parecer de Eunício Oliveira é muito importante para assegurar a legalidade e segurança jurídica e não reflete, necessariamente, a sua vontade ou opinião pessoal. E, como se sabe, Eunício nada tem de petista. Ao contrário, apoiou o golpe de 2016, que derrubou a Dilma e pertence ao MDB de Temer, de quem sempre foi aliado. Trata-se apenas de um reconhecimento, talvez até à contragosto, de uma norma legal aprovada pelo Congresso Nacional em 2009 (o Decreto Legislativo 311).

“A lei é para todos”. Assim falaram os apoiadores do impeachment da Dilma. Assim falaram aqueles que entendiam que Lula deveria ser preso. Porém, quando alguns se voltam contra a própria lei, por puro ódio ou oportunismo, apenas para atingir desafetos, isso pode representar um perigo para esses próprios oportunistas. Vejam o caso de Aécio Neves. Disse que “tacaria fogo no país”. Tinha gozos venéreos quando a Polícia Federal, de forma abusiva, conduzia petistas de maneira ilegal. Vibrava com abusos do Judiciário contra o PT.  Porém, quando chegou a sua vez, apesar de todas as evidências de seus crimes, ele invocou a lei para retornar ao Senado. Para quem não lembra, vejam a declaração de Aécio após ter voltado, conforme manda a lei, ao Senado:

“O papel de investigar, de apontar erros, de punir é fundamental para o aprimoramento de nossas instituições, mas não pode ser feito ao arrepio do nosso ordenamento jurídico”. (Aécio Neves, em discurso no Senado Federal, em 4 de julho de 2017, quando reassumiu seu mandato por decisão do STF).

Pois é. Nessa hora, o “playboy do pó” matador de delatores invocou a lei. Mas quando a ilegalidade  era “pimenta no dos outros”, ele se refrescava. Algo muito parecido está acontecendo com o candidato neofascista Jair Bolsonaro. Ele é réu em duas ações penais e, por decisão do STF, não poderia tomar posse como Presidente da República em uma eventual desgraça de sua eleição. Trata-se de decisão do Supremo que remete ao caso de Renan Calheiros. E, se valeu para Calheiros, deverá valer também para Bolsonaro. Porém, acreditamos que, como último recurso, ele possa também recorrer a um tal de Pacto dos Direitos Humanos, embora a expressão lhe cause urticária.

Não queremos, com isso, julgar qualquer mérito. Maluf, por exemplo, foi um dos maiores bandidos engravatados da nossa história. Por causa dele, surgiu o verbo “malufar”, sinônimo de “roubar”. E nem por isso, quando sua defesa implorou pelo tratamento humanitário que lhe deveria ser concedido, em virtude da idade e da doença, conforme manda a lei, nós fomos contrários. Hoje, ele cumpre prisão domiciliar em sua mansão porque a lei determina. Gostem ou não gostem dele. Em nenhuma situação, defender a lei não significa, de modo algum, como apregoa a direita fascista, “defender bandido”. Às vezes é bom lembrar que sentimentos de ódios e liberação de instintos não são leis. Senão, voltaríamos à barbárie e eliminaríamos a existência do Estado.

O Congresso aprovou uma lei em 2009, que está em pleno vigor. Certamente, o Congresso jamais imaginava o que poderia acontecer 9 anos após a sua aprovação. Só que, o que aconteceu, é que essa lei hoje beneficia Lula e, por ela, o ex-Presidente não pode ter sua candidatura negada. Em nome do “Estado Constitucional de Direito”.  E, muito cuidado àqueles que babam de ódio e defendem que o Decreto Legislativo 311 tenha que ser rasgado: muitos de vocês poderão ser os “Aécios” do amanhã.

 

 

 

 

O PAVOR DA “VEJA”

o pavor da vejaA fatura do golpe de 2016 está chegando. E o pior: não está sendo em doses homeopáticas. Aqueles que, há dois anos, fomentaram e apoiaram o golpe que tirou Dilma do poder, a cada pesquisa, seja de qual instituto for, levam “porradas cavalares” do crescimento da popularidade de Lula, que já beira os 40% da preferência do eleitorado. Os grandes meios de comunicação já perceberam que o golpe gerou um refluxo e que eles agora viraram “aprendizes de feiticeiro”. Depois de a Globo ter excluído a campanha de Lula/Haddad de suas coberturas diárias, agora foi a vez da praticamente falida revista Veja confessar o seu desespero. A eleição está sendo um verdadeiro pavor para eles. E, para levar ainda mais horrores aos golpistas, pesquisas também mostram que “o candidato deles” (Alckmin) não sai do chão e o PT é o partido que mais cresce entre os brasileiros. “O que deu de errado no golpe?” Essa é a pergunta que “Globos”, “Vejas”, “MBLs”, “PSDBs” e outros ratos golpistas devem estar se fazendo.

O “pavor” ao qual a Veja se refere é a verdadeira “sinuca de bico” em que se meteu a direita golpista. Lula, mesmo preso, só vem crescendo e fatalmente ganharia a eleição no primeiro turno.  Alckmin não decola nem com as turbinas da mídia, do grande capital e do Judiciário tucano. E o que sobrou aos golpistas? Apoiar o neofascista Bolsonaro? O que fazer? Esse é o horror dos golpistas, estampado na capa da Veja.

Em 2016, quando Dilma foi deposta, era apenas o início do golpe. O célebre “grande acordo com o Judiciário, com STF e tudo”, do Romero Jucá,  seria uma das etapas. Seguiria-se a prisão do Lula, visando isolá-lo do povo até que fosse esquecido. Então, a mídia se encarregaria do restante. Alckmin poderia, perfeitamente, fazer o papel que Emmanuel Macron fez na França: uma opção de “centro” em meio a dois extremos (Lula-Bolsonaro). A eleição de Alckmin, então, sedimentaria o golpe, promovendo os interesses do grande capital nacional, estrangeiro e o entreguismo do país. Mas parece que quem ficou isolado foi o próprio candidato deles. Não vai demorar muito e o “Centrão” irá também abandoná-lo. Um aliado dele, prevendo essa debandada, já até vaticinou: “de prostituta você não pode exigir fidelidade”.  Eles ainda conseguiram fazer muitos estragos com as medidas do governo golpista. Porém, jamais estiveram no controle do que produziram e hoje o desespero toma conta de todos os integrantes do golpe de 2016.

Parece que, mesmo fora do poder e sendo linchado diuturnamente pela mídia, o PT adotou uma estratégia que vem dando certo.  Lula/Haddad já é uma “dobradinha” que começa a pegar e a transferência de votos do líder petista parece que será maior até do que as estimativas de especialistas. Até o Kim Katguiri, do MBL, em vídeo publicado esta semana, mostra-se assustado e igualmente apavorado com o crescimento do PT em geral e admite, com a sua inconfundível cara de “bunda envernizada”, que a transferência de votos de Lula para Haddad será mesmo expressiva.

Eles mudaram as regras. Eles expulsaram adversários. Eles sempre tiveram os juízes a seu favor. Eles ainda têm, a seu lado,  o poder econômico e midiático. E, mesmo assim, estão perdendo o jogo de goleada. O que tanto apavora a revista Veja e seus comparsas golpistas? É a possibilidade cristalina de, dois anos depois, o golpe ser derrotado pelas urnas. Que horror!

 

O “AVANTE BRASIL” DE BOLSONARO

trabalho escravo infantil“País que tem Ministério Público do Trabalho não tem como ir para frente.” (Jair Bolsonaro, candidato neofascista à Presidência da República, em Catanduva, SP, em 25 de agosto de 2018).

Em mais uma de suas deploráveis e odiosas declarações, o candidato neofascista à Presidência da República, Jair Bolsonaro, desta vez atacou o Ministério Público do Trabalho (MPT). Previsto pela Constituição Federal, o Ministério Público do Trabalho tem como função promover ação civil pública visando garantir o cumprimento dos direitos sociais garantidos aos trabalhadores em nossa Carta Magna. No entanto, para Bolsonaro, um órgão que atue para garantir direitos dos trabalhadores é um estorvo.

Só para se ter uma ideia da importância do órgão que Bolsonaro considera um estorvo para o país, o Ministério Público do Trabalho atua, por exemplo, no combate ao trabalho infantil e ao trabalho escravo. Claro que, ao fiscalizar coisas desse tipo, o MPT incomoda, e muito, fazendeiros e empresários que não cumprem a legislação trabalhista, exploram menores e mantêm trabalhadores em regime de escravidão. Em um passado recente, quando empresas ainda podiam fazer doações para campanhas eleitorais, muitas das que eram denunciadas pelo MPT financiavam campanhas de políticos que votavam conforme seus interesses. Ano passado, por exemplo, Temer queria facilitar o trabalho escravo, para a alegria dos grandes fazendeiros criminosos. Aliás, o MPT já vem sendo constantemente agredido no governo golpista de Temer e, apesar disso, resiste. As restrições orçamentárias às quais o órgão é submetido dificultam, e muito, a efetivação de suas funções constitucionais. Só para se ter uma ideia, de cada 10 denúncias sobre trabalho escravo, o MPT só tem condições de investigar apenas uma. O governo Temer, de forma criminosa, já vem estrangulando esse importante órgão de defesa dos direitos do trabalhador e que combate, inclusive, crimes bárbaros como a escravidão e o trabalho infantil.

Mas, se Temer colocou o MPT agonizando, Bolsonaro quer dar logo o “tiro” (como não podia deixar de ser) de misericórdia. E, como o próprio candidato neofascista já reiterou inúmeras vezes, ao dizer que “o trabalhador tem que escolher entre trabalho ou direitos”, acabar com o Ministério Público do Trabalho é um dos caminhos de “tirar o Estado do cangote do produtor”  e colocá-lo para oferecer apenas trabalho sem direitos. Avante Brasil!

A MÁFIA E OS INTESTINOS

barata“Me dá, me dá
Me dá o que é meu
Foram vinte anos
Que alguém comeu”.  (Samba-enredo do Império Serrano, 1986).

Foram vinte anos de “caixinha”, eufemismo usado pelo “Rei dos Ônibus”, o bandido-empresário Jacob Barata Filho, ao declarar, em seu depoimento na Justiça Federal, que a Fetranspor pagava propinas a políticos do Rio de Janeiro, especialmente do MDB. A quadrilha comandada na ALERJ por Jorge Picciani e, no Executivo, por Sérgio Cabral, é tentacular. Paulo Melo, que também presidiu a ALERJ e foi preso junto com Picciani e Edson Albertasi, também foi beneficiado pela mamata de duas décadas, segundo o depoimento do Sr. Barata.

A quadrilha de “propineiros” é tentacular porque vai além do carcomido e fétido MDB. Em seu depoimento, Barata afirmou que “com toda certeza” o esquema envolvia políticos de outros partidos. Jacob Barata Filho é um daqueles exemplos de malfeitores que a turma do “bandido bom é bandido morto”, quando o vê, faz questão de tirar “selfie” e pedir autógrafos. É bandido rico e de grife. Preso no ano passado, em pleno aeroporto do Galeão, quando tentava fugir para Portugal, acabou solto através dos intestinos de Gilmar Mendes.

Na verdade, o depoimento do Sr. Barata apenas revela o que todos já sabiam:  a compra de deputados, governadores, secretários e outros agentes públicos pela máfia dos empresários dos ônibus que, infelizmente, reina na capital e no Estado e ainda oferece os piores e mais caros serviços à população do Rio de Janeiro. Como dissemos, a quadrilha de “propineiros” é tentacular e o próprio Barata admitiu que ela vai além do MDB. E não podemos esquecer do Tribunal de Contas, que teve quase todos os seus membros também presos por serem “propineiros”. Quando a ALERJ concedia benefícios a empresas de ônibus, quando a Câmara Municipal autorizava aumento abusivo de tarifas, quando CPIs eram engavetadas, quando o Tribunal de Contas aprovava os maiores absurdos,  enquanto o povo que precisa do transporte público sofria, dava para se ter a certeza de que a quadrilha de “propineiros”, embora comandada pelo MDB, ia muito além do partido de Cabral e Picciani. E atingia todos os poderes. Barata ainda disse que as generosas doações também ocorriam em anos não eleitorais. Nesse caso, então, eles dirão que nem “caixa 2” era, visto que não ocorreram eleições. Talvez fossem presentes de Papai Noel ou do Coelhinho da Páscoa. Imaginem o que poderia ser feito com toda essa dinheirama entregue pela máfia dos ônibus à máfia de Cabral e Picciani?  Enquanto comiam e mamavam no esgoto do Barata, mafiosos da ALERJ agrediam servidores do Estado, aprovando medidas covardes e massacrantes enviadas pelo “finado” governador Pezão.

Um dos caminhos para começarmos a conhecer os integrantes da quadrilha é observarmos atentamente as votações de parlamentares na Assembleia Legislativa, e também na Câmara Municipal,  ao longo desses vinte anos. Quem foi contra ou quem dificultou ou abafou CPIs para investigar a máfia dos ônibus também seria um caminho. A lista de comparsas de Picciani, que votaram pela sua soltura no ano passado, também pode revelar compromissos de deputados com o “capo da máfia alerjiana”. E, talvez, a lista de convidados do casamento da “dona Baratinha”, a filha do Barata, em 2013. É público e notório que Gilmar Mendes esteve no mega-convescote no Copacabana Palace, enquanto o povo, do lado de fora, protestava. Muitos dos potenciais políticos envolvidos deviam estar naquela festança. Ali, casava-se “dona Baratinha”. Uma “dona Baratinha” bem diferente daquela da historinha infantil. E ali, ao invés de um “ratinho simpático”, estavam presentes várias ratazanas milionárias e cúmplices da mamata dos 20 anos. Muitas delas, até hoje brigando por um lugarzinho nos intestinos de Gilmar Mendes…

VARGAS E OS TIROS PELA CULATRA

CARTA DE GETÚLIO VARGAS“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. (Getúlio Vargas, Carta Testamento, 24 de agosto de 1954).

24 de agosto. Há exatos 64 anos, Getúlio Vargas deixava a vida para entrar na história. O tiro de Vargas desferido contra ele próprio não trouxe apenas a sua morte física. Ele acabou com as pretensões dos golpistas da ocasião, liderados por Lacerda e seus comparsas da UDN, jornais golpistas como “A Tribuna da Imprensa”, de Lacerda e “O Globo” (olha ele aí!), de Roberto Marinho, além de setores militares. Isso sem contar com a participação dos Estados Unidos, que nunca aceitaram a criação da Petrobras um ano antes. Todos reunidos em um conluio para que Vargas deixasse o Catete derrotado e humilhado. Lacerda já comemorava com sua camarilha, quando veio a notícia da tragédia. O golpista da UDN sabia o que vinha pela frente e, em uma metáfora, resumiu seu sentimento: “Nós estávamos em plena festa e, na hora de cortar o bolo, acabaram com ela”. Não teve bolo. E nem cereja. O tiro de Vargas e sua morte foram suficientes para derrotar os seus inimigos. O golpe que eles tanto queriam ainda teria que esperar por mais 10 anos. A morte foi a última grande vitória de Vargas, depois de ter voltado ao poder “nos braços do povo” em 1950.

Passados 64 anos, podemos identificar muitas similaridades do momento atual em relação a 1954. Há uma onda golpista que cresceu a ponto de tirar Dilma do poder. Mas a pretensão golpista ia além de um governo interino e ilegítimo. Era preciso tirar Lula de circulação. Era preciso uma campanha midiática para identificar o PT como o sinônimo da corrupção, blindando o PSDB e o entreguismo facínora de FHC. Feito. Mas era preciso prender o Lula, mesmo com elementos frágeis na peça processual, contestada até por juristas estrangeiros. Feito. E o que os golpistas produziram? Produziram tão-somente o crescimento de Lula, que dispara na preferência popular. Cada pesquisa divulgada é mais “um tiro de Vargas no peito dos golpistas”. Eles estão desesperados. O candidato oficial (Alckmin), que sintetiza e representa tudo o que foi o golpe de 2016, não cresce nem com o fermento da mídia, do Judiciário e das porradas incessantes no Lula e no PT. A direita cavou sua própria sepultura com  o golpe de 2016 e agora eles não sabem para onde caminhar. Todos os tiros da direita golpista, mancomunada com a mídia fascista e o Judiciário tucano estão saindo pela culatra.

A UDN aí está ( ela hoje é representada pelo PSDB e o “Centrão”). A “Tribuna da Imprensa” também aí está (hoje, é “O Globo”). E a “República do Galeão” é hoje representada pelos fascistas intervencionistas. A ambição estrangeira aguarda o crime dos entreguistas, que já deram o pré-sal e querem dar a Eletrobras e também a Petrobras. Ambição estrangeira que já estava na cena da tragédia de 1954. Porém, nem tudo é igual a 1954. O “Palácio do Catete” seria, hoje,  a sede da Polícia Federal em Curitiba. A diferença, é que hoje Lula não sairá de lá morto. Sendo ou não confirmado candidato, sairá em triunfos. E o que não falta hoje são “Lacerdas”. Poderiam ser o Merval Pereira, o Carlos Alberto Sardenberg, o Diogo Mainardi, o Arnaldo Jabor… E não adianta nenhum deles dar um tiro no próprio pé. Porque também vai sair pela culatra, como saiu o de Lacerda em 1954.

DIREITOS HUMANOS PARA BOLSONARO JÁ!

bolsonaro direitos humanos

“Quem é réu pode ser eleito e tomar posse? Isso está em aberto.” (Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal, referindo-se à candidatura de Bolsonaro e manchete do Jornal do Brasil de 23 de agosto de 2018).

“Pau que bate em Chico bate em Francisco”. (Ditado popular, que expressa a mensagem de que a lei que vale para um, deve valer para outro).

O Jornal do Brasil de hoje traz em destaque, na primeira página, a indagação, seguida de dúvida, do Ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que questiona a legalidade de uma eventual posse de Bolsonaro, caso seja eleito. E agora José? O que dirão os seguidores do capitão fascista? Ele já é réu em duas ações penais, uma por injúria e outra por incitação ao estupro. Há ainda uma outra ação penal protocolada contra ele, por crime de racismo. A indagação do Ministro Marco Aurélio Mello tem como fulcro o caso que envolveu o senador Renan Calheiros, em 2016. Na ocasião, o STF entendeu que réus em ações penais não poderiam, ainda que eventualmente, assumir a Presidência da República. E é o caso de Bolsonaro. Ele é réu em duas ações penais e a terceira já está a caminho.

Note-se que não se trata de caso igual ao do ex-Presidente Lula. Não está se falando em elegibilidade e sim em posse, embora Lula, legalmente, seja elegível (Decreto Legislativo 311). A decisão referente a Renan Calheiros em 2016 criou uma jurisprudência no STF que, uma vez seguida, Bolsonaro jamais poderá tomar posse. Talvez agora a turma do outro lado comece a sentir na pele aquilo que eles próprios estimularam por todo esse tempo. Algo parecido com o que sofreu Aécio, que disse que “tacaria fogo no país” e hoje está mais queimado do que torresmo bem passado.

Quando o STF foi julgar ações que poderiam beneficiar Lula, incluindo a questão da prisão em segunda instância, a Corte Suprema criou uma jurisprudência flagrantemente inconstitucional, que agride o artigo 5° da Constituição. Tudo só para prejudicar o Lula. Agora, a Justiça ameaça afrontar uma determinação da ONU, pela qual Lula deve participar da eleição. Determinação esta que transformou-se em lei no Brasil, através do Decreto Legislativo 311, de 2009.

Bolsonaro, claro, vai protestar. Seus seguidores, claro, dirão que é “um golpe”. Tudo bem. Sabemos o que é isso. Para eles, “no dos outros é refresco” (outro ditado popular que dispensa qualquer hermenêutica). Se ele “ganhar e não levar” por uma decisão que já foi tomada pelo Supremo em 2016 e que agora um de seus Ministros a cita, então ele que recorra. Aliás, seria interessante até ele recorrer, de forma cautelar, ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. E mais: ele está totalmente respaldado pelo Decreto Legislativo 311. A lei é para todos, seja prejudicando ou beneficiando. Então, Bolsonaro também pode e deve recorrer ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, caso seja necessário. Porque, apesar de ele ser a favor da tortura, ter como ídolo um torturador que enfiava ratos vivos nas vaginas das presas políticas, fazer incitação ao estupro, ser racista, dizer que Pinochet tinha que ter matado mais e, como se não bastasse, odiar as mulheres, devemos admitir que, infelizmente, ele pertence à espécie humana…

A ROLETA RUSSA DO TEMER

temer intervenção

revólver roleta russa

“Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão”. (Geraldo Vandré, Prá não dizer que não falei das flores, 1968)

Foi com tristeza que recebemos no dia de hoje a notícia do terceiro militar fatalmente vitimado nas operações do Exército que estão acontecendo desde a última segunda-feira nos Complexos do Alemão, Maré e Penha. O soldado Marcus Vinicius Viana Ribeiro foi morto hoje. O mesmo já havia ocorrido com o soldado João Vitor da Silva e o cabo Fabiano de Oliveira Santos.

Hoje, já não se discute mais se a intervenção federal na Segurança do Rio de Janeiro deu ou não deu certo. Hoje, faz-se uma só pergunta: por que a intervenção não deu certo? Há seis meses, quando Temer, um Presidente ilegítimo, impopular e com índices de aprovação perto de zero, decretou a intervenção, já falávamos que tudo não passava de uma jogada política, com uma dupla finalidade: primeiro, tentar levantar alguma popularidade visto que, na ocasião, a intervenção era aprovada por cerca de 80% da população do Estado do Rio de Janeiro. Agora, imaginem um Presidente ilegítimo e com popularidade próxima a zero tomar uma medida que tem 80% de aceitação? E mais: Temer queria usar a intervenção como “álibi” para dizer que não pôde apresentar a reforma da previdência e, assim, não admitir uma derrota que era dada como certa no Congresso. O mote foi: “vamos retirar a reforma da previdência porque, enquanto a intervenção perdurar, a Constituição não pode ser alterada”. Então, sua “saída de mestre” foi decretar a intervenção na segurança do Estado do Rio de Janeiro.

Se a segurança encontrava-se em situação caótica, o que dizer da saúde? Todos sabem a situação dos hospitais do Estado, onde falta tudo e pessoas morrem por não terem o atendimento básico. O “finado” Governador Pezão não investiu o mínimo em saúde, conforme demonstrou o Tribunal de Contas, e nada lhe aconteceu por esse crime. Ao contrário, a Assembleia Legislativa, onde predominam os seus comparsas, ainda aprovou as suas contas. E a educação? Vejam a situação das escolas estaduais, onde até funcionários terceirizados deixaram de trabalhar por falta de pagamento. Faltou até merenda. E por que não fazer intervenção, também, na saúde e na educação? Porque essas intervenções ficariam “das paredes para dentro”. Imaginem um hospital funcionando normalmente e com todas as condições. Ou uma escola funcionando sem nada faltar. Tudo ficaria “das paredes para dentro” e não haveria o que mostrar.

Mas, chamando o Exército, as ruas estariam cheias de tanques, carros de combate, soldados com fuzis, coisa que o povo, assustado com a violência, queria ver. Naquela ocasião, o golpista do Jaburu ainda alimentava o delírio de candidatar-se e a intervenção poderia ser o início de uma alavancada em sua popularidade quase que zerada. Então, Temer ligou a sua “roleta russa” e jogou jovens soldados, alguns pré-saídos da adolescência, em um enfrentamento para o qual eles nunca estiveram preparados. A covardia e o golpismo de Temer lançou esses jovens à própria sorte, em uma intervenção que começou sem planejamento, sem verbas e que, em momento algum, passados seis meses, aumentou a sensação de segurança de nenhum morador do Rio de Janeiro. Ao contrário. Os números da violência só dispararam. E um confronto para o qual jovens soldados não foram preparados só pode trazer como resultado mais violência e tragédia.

O verdadeiro responsável por mais essa tragédia que vitimou dois jovens soldados e um cabo do Exército é Michel Temer. Ele lançou esses jovens em uma missão suicida, que é uma verdadeira ratoeira, apenas para atender a seus fins políticos de momento. Ele é tão golpista que, pela primeira vez na história, parece que os militares é que foram vítimas de um golpe. Em breve, os livros falarão no “golpe da intervenção”. Que, infelizmente, assassinou três jovens militares. E fica a pergunta: será que essas três mortes lamentáveis e precoces na “roleta russa” do Temer foram mesmo “pela Pátria”?