COITADA DA CAMILA!

pai do neymar“A festa que eu fiz foi com a sua mãe. Eu estava com a sua mãe lá. Eu fiz a festa com a sua mãe. Estou te respondendo, estava a sua mãe, seu pai, quem você quiser.” (Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar, em resposta à jornalista Camila Mattoso, da Folha de São Paulo).

Lembram da Camila Mattoso? Não? É a jornalista da Folha de São Paulo que, em janeiro deste ano, ao entrevistar Bolsonaro sobre o que ele fazia com a verba que recebia para auxílio-moradia, já que tinha imóvel próprio, o fascista deu-lhe como resposta uma patada, dizendo à jornalista que usava o auxílio-moradia para “comer gente.”

Agora, a jornalista Camila Mattoso foi vítima do pai do Neymar, ao tentar apurar uma notícia que vazou por ocasião da Copa do Mundo, mais exatamente após o primeiro jogo do Brasil, contra a Suíça. O pai de Neymar estava hospedado no mesmo hotel da seleção. Camila Mattoso soube, por várias fontes distintas, que o pai de Neymar havia promovido uma “festinha” e que várias meninas haviam sido contratadas para “animar a festa”. Ocorre que parentes de outros jogadores que também estavam no hotel haviam reclamado do movimento. Então, a jornalista conseguiu o telefone do Neymar pai e ligou para ele, perguntando se ele tinha dado alguma festa. E a resposta foi, dentre outras coisas, que ele havia dado a festa “com o pai e a mãe dela.”

Parece que Camila Mattoso está fadada a enfrentar trogloditas. Depois do capitão nazista, agora foi o pai do Neymar. Enquanto um “come gente”, o outro dá festa “com pai e mãe da jornalista”. Coitada da Camila!

Ouçam no link abaixo o diálogo completo entre Camila Mattoso e o pai do Neymar.

A OUTRA “FRAQUEJADA”

janaína paschoalQuando o candidato nazi-fascista à Presidência da República, Jair Bolsonaro, afirmou que “fraquejou” ao ter uma filha mulher depois de quatro filhos homens, ele não imaginava que, em sua deplorável vida política, uma mulher é que iria fraquejar, deixando-o “na mão”.  Depois do ultra-reacionário senador Magno Malta e do general Heleno terem saído da chapa do capitão neonazista, agora foi a vez da “funcionária terceirizada do PSDB” e “figurante de golpistas de plantão”, Janaína Paschoal, ter dado uma ré na pretensão de ser vice na chapa de Bolsonaro. Após a convenção do PSL realizada hoje tudo leva a crer que a “Chapa Já-Já” … Já era. Parece que ela “quer um tempo” para decidir. Tudo indica que, dessa vez, ela não foi aquela mulher determinada, com aparições constantes na Globonews e com total apoio da mídia golpista, vomitando ódios e falando até de seus lindos cabelos.

Dessa vez, a doutora Janaína parecia estar arredia, não confirmando a sua participação na chapa. Bolsonaro, então, foi confirmado candidato pelo PSL, porém, sem vice na chapa. Ele disse, após a convenção, que vários nomes de partidos do “Centrão” apoiam a sua candidatura. Mas acrescentou que o vice sairá mesmo do PSL.

Temos a impressão de que as mulheres continuam mesmo a ser o grande problema na vida de Bolsonaro. Mas isso, sinceramente, não nos interessa.

 

JÁ-JÁ E A CONVENÇÃO DAS BRUXAS

chapa já-já

Hoje, no Rio de Janeiro, acontecerá a convenção do PSL, uma legenda de aluguel que abrigou o capitão nazi-fascista Jair Bolsonaro para a disputa da Presidência da República. Isolado e sem alianças, Bolsonaro terá que formar uma chapa “puro sangue”. Janaína Paschoal, a “funcionária terceirizada do PSDB” e uma das signatárias do pedido de impeachment da Presidente Dilma, será confirmada como candidata a Vice-Presidente, dando origem assim à “Chapa Já-Já”. A escolha da “pós-doutora” Janaína é uma prova de que o capitão fascista não tem mesmo alternativa. E a senhora Janaína, que já se deixou ser usada no golpe de 2016, irá cumprir mais um papel ridículo em sua já extensa folha corrida de papelões. Depois de se prestar ao papel de “figurante de golpistas de plantão”, ela agora será “papagaio de pirata” do nazista que “come gente” e exalta torturadores.

A convenção que lançará oficialmente a “Chapa Já-Já” ocorre logo depois da debandada dos partidos do “Centrão” para a candidatura de Geraldo Alckmin. Como bem disse Guilherme Boulos, o candidato do PSOL, o apoio do “Centrão” a Alckmin “é o encontro da Bolsa de Valores com a corrupção”. Mas não apenas isso. Sabedor de que nenhuma outra sigla de direita abraçou sua candidatura, Bolsonaro deverá tornar ainda mais agressivo o seu discurso ultra-direitista, já que não tem o apoio de nenhum nome ou sigla da direita liberal. Isso certamente fará com que ele eleve ainda mais o tom direitista de seu discurso agressivo, violento, racista, misógino e homofóbico, visando manter o único apoio que lhe resta e que, embora com alguma robustez, não tem nada de eclético e se resume à turma do “tiro, porrada e bomba.”

Mas como dizem que “a vida imita a arte”, pode ser que a convenção das bruxas que confirmará a “Chapa Já-Já” se vire contra o feiticeiro (ou, quem, sabe, a feiticeira). Será que Bolsonaro irá transformar seres humanos em ratos? Isso seria muito perigoso, principalmente para a dona Janaína Paschoal. Porque, como estudiosa e pessoa bem informada, ela deve saber o que o torturador Brilhante Ustra, exaltado por Bolsonaro, fazia com os ratos. Será que ela levou o cinto de castidade?

O GOLBERY SEM FARDA

o golbery sem farda

O general Golbery do Couto e e Silva foi o chefe da Casa Civil nos dois últimos governos da ditadura militar (Geisel e Figueiredo). Golbey pode ser considerado o grande ideólogo e estrategista dos governos militares. Seus golpes eram cirúrgicos, objetivos, frios. Enquanto a turma do “tiro, porrada e bomba” mandava enfiar a porrada nos comunistas; enquanto o próprio Presidente Figueiredo dizia que “prendia e arrebentava” e que “preferia o cheiro dos cavalos do que o cheiro do povo”, Golbery pensava em dar sobrevida à ditadura e também no futuro dos seus. Em 1977 os militares sabiam que o MDB, partido da oposição, venceria as eleições do ano seguinte. O jeito foi mudar as regras do jogo e criar os “senadores biônicos” para garantir a maioria da ARENA. E lá estava Golbery. Em 1979, quando o regime militar agonizava, Golbery teve participação importante na Lei da Anistia. Sabedor de que os assassinos e torturadores do regime militar, em um futuro poderiam estar nas mãos da Justiça, teve grande influência na elaboração da lei. Ela seria “ampla, geral e irrestrita”, mas não pela sua generosidade democrática e sim para salvar torturadores e assassinos. E não estamos falando de militares que mataram em combate com guerrilheiros e sim de militares que assassinaram jornalistas, professores, estudantes, operários e sindicalistas que jamais pegaram em armas. Ainda em 1979, visando dividir a oposição, Golbery elaborou a “reforma partidária”, que pulverizou a oposição, mudou o nome desgastado da ARENA para PDS e tornou o partido dos militares “o maior partido do Ocidente”, enquanto os oposicionistas, mordendo a isca, “festejavam” os novos partidos.

Temer é golpista como Golbery. É estrategista como Golbery. É frio, calculista e pensa no futuro, como pensava Golbery. Só que, ao invés de farda, veste o paletó e gravata. Constitucionalista, desde a primeira vez que elegeu-se Vice-Presidente na chapa de Dilma, o golpe rondava a Presidente eleita. Vitimizando-se, publicou uma carta à Dilma, que foi o primeiro recado. Chantagista, soube cooptar uma maioria parlamentar que apoiava o governo Dilma para voltar-se contra ela. Já no governo, poderia sofrer o mesmo golpe que aplicou. Rodrigo Maia não foi Presidente da República porque não quis. No auge do escândalo do diálogo subterrâneo com Joesley Batista, bastava Maia aceitar um dos muitos pedidos de impeachment contra Temer. Mas Temer soube enquadrar e colocar Maia nos eixos. E, no caso das denúncias da PGR, a compra de votos também entrou em campo. Liderando o governo mais corrupto e desmoralizado da história, calou, para sempre, os patos amarelos que foram às ruas pedir o fim da corrupção e a saída de Dilma.

Temer conseguiu fazer o impensável. Ele deu um verdadeiro golpe até nos militares. Ao decretar a intervenção na segurança do Rio de Janeiro, colocou os militares em uma verdadeira ratoeira, em uma medida que ganhou popularidade e não admitiu ser derrotado na reforma da previdência. A intervenção era urgente e não poderia esperar. Então, a Constituição não poderia ser alterada. Portanto, a reforma da previdência não foi votada. Assim, não houve derrota. Tudo graças à “redentora e magistral intervenção.” Mas, estejam certos: certamente ela voltará à pauta após as eleições. Será que os militares ainda não perceberam a “furada” em que foram atirados na “jogada de mestre” do Temer?

Agora, faltando menos de três meses para as eleições, ele golpeia o candidato de seu próprio partido, ao articular o apoio do “Centrão” a Alckmin, o seu verdadeiro candidato. Sabedor de que a candidatura de Henrique Meirelles é um delírio, ele participou ativamente do apoio dos partidos-penduricalhos que formam o “Centrão” a Alckmin, talvez o candidato da direita que tenha alguma chance de fazer frente ao capitão nazista. Mas o “Golbery sem farda” pensa além, muito além. Não se espantem se, no primeiro dia de janeiro de 2019, ele estiver passando a Presidência e, ato contínuo, tomar posse como Ministro. Isso se, no ínterim entre a eleição e a posse, o Congresso não votar uma lei que dê imunidade a ex-Presidentes! Quáquáquáquáquáquáquáquá!…

CENTRÃO SE ENTREGA AO SANTO

SOLIDARIEDADEO chamado “Centrão”, aglomerado de legendas partidárias de pequena expressão, mas altamente fisiológicas, acabou, finalmente, aderindo ao candidato tucano Alckmin, vulgo “Santo” na lista de propinas da Odebrecht. O apoio do “Centrão”, formado por DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade, estava sendo disputado por Alckmin e Ciro Gomes, do PDT. Mas, certamente, o “DNA golpista e fisiológico” dos penduricalhos que formam o “Centrão” falou mais alto. O acordo selado com o “Santo” é do tipo “vamos mudar algumas coisas para que tudo continue como está.” A primeira consequência é o desaparecimento da candidatura de Rodrigo Maia, do DEM, candidatura esta que, na verdade, jamais existiu. No acordo com o “tucano de auréola”, Rodrigo Maia negociou sua permanência na Presidência da Câmara dos Deputados. Mas a coisa não fica por aí. “Paulinho da Força” exigiu a criação de uma contrapartida que substitua o imposto sindical, para que seus sindicatos pelegos continuem sobrevivendo e ele possa distribuir carros na festa de Primeiro de Maio. Vejam que ele nem fala em revogação da reforma trabalhista, que suprimiu direitos dos trabalhadores.  O PR, do mensaleiro Valdemar Costa Neto, tem a promessa de nacos do governo. O PP, de agenda totalmente direitista, não sente nenhum desconforto. E o PRB alcança basicamente o eleitorado evangélico e ultra-conservador. Fundamental nesse acordo foi a participação do golpista Temer, que não queria o “Centrão” apoiando Ciro Gomes que, com muita propriedade, chamou Temer de “quadrilheiro”. Lembrando que vários ministérios do governo golpista são ocupados por partidos do “Centrão”. Assim, nem precisa dizer que o candidato do Temer é o Alckmin, coisa que já falamos há tempos aqui no blog. Quanto ao Henrique Meirelles, do (P)MDB, vai morrer na pista, com os 70 milhões de seu bolso que colocaria em sua campanha e o 1% das intenções de voto. Meirelles agora ficou mais isolado do que centro-avante de time na retranca. Certamente, sua retirada da disputa é uma questão de tempo. Até porque não interessa mais a Temer que ele permaneça. O candidato de Temer é, sem dúvida, o “tucano de auréola”.

A vantagem de ter o apoio do “Centrão”, em termos eleitorais, é o seu ecletismo: o “Centrão”, embora pouco representativo, é tentacular: pega votos de sindicatos pelegos, da direita liberal e de evangélicos ultra-conservadores. Esse apoio do “Centrão”, na verdade, era absolutamente esperado.

Quanto ao Ciro Gomes, é hora de bandear para a esquerda. Com que cara? Onde estava ele no dia 7 de abril? Já sei. Ele vai dizer que, por ser o Dia da Abdicação, renunciou de ir a São Bernardo, em respeito à data histórica. Agora, mais do que nunca, ele vai ser “Lula Livre!” 

8 SEGUNDOS DE NAZISMO

relógio nazistaNunca, na história das eleições recentes para a Presidência da República, um candidato soube usar tão bem um tempo tão escasso no horário de propaganda eleitoral na TV como o finado médico Enéas Carneiro, do então PRONA, partido que tinha o número 56. Em 1989, com apenas 10 segundos de aparição na TV, em se tratando de um até então desconhecido, o Dr. Enéas conseguiu ficar nacionalmente conhecido ao simplesmente dizer: “O meu nome é Enéas!”

Estamos a menos de 3 meses das eleições e, em agosto, terá início a propaganda eleitoral gratuita na TV. O candidato nazi-fascista Jair Bolsonaro, atualmente abrigado no PSL, não conseguiu, até o momento, costurar as alianças que planejava e corre o imenso risco de, pela pequena representatividade da agremiação que lhe cedeu a legenda, ficar reduzido a apenas 8 segundos de programa eleitoral na TV. Isso mesmo: apenas 8 segundos. Como aproveitar um tempo tão escasso? Que mensagem mandar ao eleitor? Ao contrário do Dr. Enéas, Bolsonaro é bem conhecido por ser um extremista de direita e, sem Lula no cenário, ele lidera as pesquisas. Então, talvez, em 8 segundos, ele possa disparar, em cada programa, uma das muitas afirmações que o tornaram célebre. Seriam 8 segundos de nazismo a cada programa mas que, vindo de quem vem e defendendo o que defende, torna-se uma eternidade. Quais das suas frases ele poderia dizer em 8 segundos? Talvez uma destas:

“Eu só não te estupro porque você não merece.” 

“Eu sou favorável à tortura.”

“Mulher tem que ganhar menos porque engravida.”

“O trabalhador tem que escolher entre o emprego ou os direitos.”

“Tive quatro filhos homens. No quinto, eu dei uma fraquejada e veio uma mulher.”

“Quilombola não serve nem mais para procriar.”

“O erro da ditadura foi torturar e não matar.”

“Pinochet devia ter matado mais gente.”

“A minha especialidade é matar.”

“Eu não corro o risco de meus filhos se relacionarem com uma negra, porque eles foram bem educados.”

“Com o dinheiro que recebia, eu comia gente.”

“O índio devia comer capim para manter as suas origens.”

“Sou preconceituoso, com muito orgulho.”

“Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.”

A propaganda eleitoral começará em 31 de agosto. E que os 8 segundos fatídicos de nazismo não contaminem os brasileiros.

 

 

TODOS FOMOS CONDENADOS

junho de 2013 2Na noite de ontem, chegou a notícia da condenação de 23 ativistas por terem participado dos protestos de 2013. Entre os condenados, encontra-se Eliza Pinto Sanzi, conhecida como “Sininho”. O “junho de 2013” não acabará, entretanto, com as condenações e seus possíveis desdobramentos. Ele aí está, forte e robusto, mas não por causa do que supostamente milhares de pessoas foram às ruas. O preço das passagens aumentou. A corrupção não parou. Dilma foi posta para fora por um golpe. E a direita fascista cresceu e se fortaleceu. O que, afinal, se passou, nas famosas “jornadas de junho”?

Afinal, o que foi aquilo? Um movimento com uma pauta difusa, sem lideranças definidas, sem uma linha de ação unificada. As redes sociais dispararam tudo o que puderam e milhares de jovens, a maioria bem-intencionados, foram às ruas como “autômatos”. Há muito não se via uma explosão de manifestações da população, mas tudo não passava de uma imensa “colcha de retalhos”, pois ali estavam desde “black blocs” até neonazistas. Foi ali que a direita fascista ressurgiu, cresceu e seus movimentos tomaram robustez. MBL, Vem Prá Rua e outros movimentos da direita fascista e reacionária deixaram de ser meras “naftalinas” dentro dos armários e passaram a exalar as suas ideias fétidas ao ar livre.  Foi ali que o golpe contra Dilma foi gestado. Foi ali que todos fomos condenados.

Na ocasião, os discursos da direita, que se aproveitou do movimento, eram muito mais genéricos, porém iam na mesma direção. Coisa que não aconteceu com os manifestantes de esquerda. O que, afinal, eles queriam? Se não era apenas pelos 20 centavos, então, qual era a pauta? Quem eram os interlocutores? Enquanto isso, a direita fascista apropriava-se de um conglomerado de manifestações que não foram propostas por ela. Mas que ela soube aproveitar-se de modo cirúrgico. Claro, numa “orquestra sem maestro”, não adianta fazer barulho com o contrabaixo desafinado. É melhor ter vários violinos tocando na mesma direção. Foi o que fez a direita. Ali sedimentou-se grande parte dos que votariam no Aécio em 2014, e que depois iriam para as ruas junto com o MBL pedir o “fim da corrupção”, o impeachment da Dilma e levar Temer ao poder. Os fascistas venceram, cresceram e hoje representam, sem dúvida, a maior ameça à nossa frágil, combalida e tortuosa democracia.

Organização, pauta definida, liderança e estratégia de ação são pontos fulcrais para o sucesso de qualquer movimento. Coisas que passaram longe dos manifestantes de 2013 que se diziam de “esquerda”. Se alguém ainda tiver dúvidas, pergunte ao Vladimir Palmeira. Em 1968, em plena ditadura militar, sem internet, sem redes sociais, sem telefone celular, tomando todas as porradas e chegando na Cinelândia em um fusquinha, ele colocou 100 mil manifestantes na avenida Rio Branco, assustando os ditadores das casernas. O produto final de 2013 vai muito além das condenações sentenciadas pelo juiz Flávio Itabaiana. Primeiro, foi o catador de latas Rafael Braga. Ontem, mais 23. Mas, com a devida vênia a Zuenir Ventura, temos que admitir: 2013 é “o ano que não terminou”. Provavelmente, os “20 centavos mais caros da história do Brasil”. E, infelizmente, temos que acrescentar: Todos fomos condenados ao fascismo! 

CABRAL, PEDRO E MARCO ANTÔNIO

cabral“Disse me disse na história do Brasil.  Fui criança,  fui palhaço e ninguém me assumiu (ô seu Cabral). Cabral, ô Cabral, o esquema é de lograr (de lograr)…” (Trecho do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense do Carnaval de 1988).

Pedro Álvares Cabral não tinha Cabral no nome. Quando ele chegou ao Brasil, em 1500, chamava-se Pedro Gouveia. Isso porque apenas ao primogênito era atribuído o sobrenome do pai. Então, como Pedro era filho de Isabel Gouveia, em 1500 ele chamava-se Pedro Gouveia. Ele só passou a ser Cabral em 1508, após a morte de seu irmão mais velho, ou seja, oito anos depois de ter chegado em Porto Seguro, na Bahia.

Os versos do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 1988, de autoria de Zé Katimba, Guga, Davi Correa e Gabi falam de um contexto muito especial da história do Brasil: a redemocratização e os trabalhos da Assembleia Constituinte, que culminaria com a Constituição Cidadã de 1988 e dos caminhos tortuosos de nosso resistente Brasil. Nos tempos de Cabral, o “esquema já era de lograr”. A carta escrita por pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel é a certidão de nascimento do nepotismo. O escrivão da esquadra de Gouveia (depois Cabral), no último parágrafo de sua missiva ao rei, pede um emprego para o seu genro. Claro, usando de sua influência junto ao soberano. Êta sogrão bom! E o comandante da expedição ainda não era Cabral. Era o Gouveia.

Circula na rede a informação de que Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral, o maior bandoleiro e saqueador do Estado do Rio de Janeiro, não usará nas eleições deste ano o sobrenome “Cabral”. Pudera. O assalto de seu pai aos cofres públicos trará consequências por, no mínimo, uma geração. Especialistas em contas públicas afirmam que o Rio de Janeiro e sua população, para começarem a sentir alguma recuperação do assalto de Cabral e sua gangue ao nosso Estado, terão que esperar, no mínimo, 20 anos. Marco Antônio sabe que o sobrenome de seu pai é o símbolo de roubo, ostentação, agressão à população e aos servidores, “farra dos guardanapos”, mansão em Mangaratiba, helicópteros, jóias, enquanto hospitais, escolas e serviços públicos foram sucateados. Literalmente Cabral matou aposentados que não receberam seus minguados vencimentos. Não usar o nome do pai é o novo “esquema de lograr”. Confunde-se o povo. Vota-se em alguém sem saber quem realmente ele é. Perpetua-se e reproduz-se, inconscientemente, o lado monárquico,  saqueador e oligárquico da discutível república brasileira. Marco Antônio não deixa de ser um preposto de seu criminoso pai e de seu partido que, diga-se de passagem, também mudou de nome. Era PMDB, o partido de Temer. Agora, virou MDB. Eles se envergonham do próprio nome. Eles se envergonham do próprio partido. E ainda querem que, mesmo assim, o povo vote neles. “O esquema é mesmo de lograr”, como dizia o samba de 1988 da Imperatriz Leopoldinense. Mas o povo não se deixará lograr. Porque o nome dele é Marco Antônio Cabral, filho do Sérgio Cabral Filho (coitado do Sérgio Cabral pai!)

Será que nos tempos de Pedro Álvares Cabral, que era Gouveia até 1508, já tínhamos o vaticínio do que aconteceria em nosso país? Isso porque o irmão mais velho de Pedro chamava-se João… Cabral! Xi! Isso faz lembrar um ex-vereador que, logo depois de perder a eleição, queria uma mesada de 15 mil mensais. Os “Cabrais” de bem não mereciam isso!

Fiquem com o samba da Imperatriz Leopoldinense de 1988:

 

 

 

A INVASÃO AO MINISTÉRIO

ministério do trabalhoA invasão ao Ministério do Trabalho, que amanheceu com salas reviradas na última segunda-feira, dia 16, pode ir muito além do que as aparências e algumas conjecturas podem nos mostrar. Portas arrombadas na calada da noite, salas reviradas, documentos subtraídos. Tudo leva a crer que a invasão tenha ocorrido na madrugada de domingo para segunda-feira. Segundo fontes oficiais, o Ministério ainda não sabe dizer o que foi levado. Câmeras de segurança registraram a imagem de um homem forçando a porta de uma sala pouco antes da meia-noite. Já há quem queira colocar a culpa em moradores de rua e “cracudos” da região.

Porém, o que não chega a causar espanto, principalmente se tratando do criminoso governo Temer, é que a invasão e procura de documentos tenha ocorrido em pleno processo da Operação Registro Espúrio, que apura a concessão fraudulenta de registros sindicais. O Ministério do Trabalho foi entregue ao PTB, na divisão do butim golpista de 2016 e, de lá para cá, tornou-se um feudo de negociatas do mensaleiro Roberto Jefferson, presidente do partido cuja sigla, hoje, envergonharia Getúlio, Jango e Brizola. O mensaleiro tentou emplacar sua filha como ministra, mas ela não cumpria leis trabalhistas e foi defenestrada antes mesmo de sentar-se na janela. A própria Cristiane Brasil, segundo as investigações, também estaria envolvida no escândalo das concessões de registros sindicais, junto com o ex-Ministro Helton Yomura.

Porém, como não poderia deixar de ser, a coisa já está batendo na porta do Jaburu. Isso porque Carlos Marun, o fiel escudeiro dançarino do Temer, também está envolvido no escândalo. De acordo com relatório da Polícia Federal, o Ministério do Trabalho fraudava pareceres de concessão de registros sindicais para atender a pedidos de Marun que beneficiavam sindicatos do Mato Grosso do Sul, seu reduto eleitoral. Pois justamente em meio às investigações que apuram todos os atos da quadrilha que tomou o Ministério do Trabalho de assalto, chega a notícia da tal “invasão”. Claro que a dita invasão soa como muito suspeita e, certamente, entrará para o rol de escândalos do governo golpista.

Na verdade, a invasão ao Ministério aconteceu com o golpe de 2016, quando a pasta foi entregue a Roberto Jefferson, que deu as cartas por todo esse tempo. O mensaleiro tornou-se o suserano de um feudo que só tinha seus vassalos como ministros. Ele tentou emplacar  até a sua filha. E agora, nos poucos meses que ainda restam de governo golpista, tudo indica que Marun também estivesse querendo levar algum dividendo para casa, distribuindo registros sindicais de forma fraudulenta para seus conterrâneos. Não precisa nem perguntar quem teria interesse na invasão e destruição de documentos. Seria bom, agora, vermos Marun dançando outra vez. E com Roberto Jefferson cantando “Nervos de Aço”…  Coitado do Lupicínio Rodrigues!!

A MAMATA PATRONAL

contribuição sindical patronalAno passado, quando a criminosa reforma trabalhista do governo golpista Temer/PSDB foi aprovada, a direita reacionária comemorou. A reforma não apenas retirou direitos consagrados desde 1943, com a CLT, mas também acabou com o imposto sindical. Quero dizer, em primeiro lugar, que somos contra o imposto sindical. Mas a turma da direita, cheia de ódio, começou a falar que “Acabou a mamata!”, “Vão trabalhar vagabundos!”, “Sindicatos parasitas!” Os reacionários também falavam que, com o fim do imposto sindical, “presidentes de sindicatos teriam que largar o osso.”

Mas, e o outro lado, o lado dos patrões? É bom lembrar que as entidades patronais também possuem os seus órgãos representativos, as famosas “federações” e “confederações”, que também se sustentam com uma contribuição obrigatória, calculada pelo lucro das empresas. Matéria publicada na Folha de São Paulo de ontem, 15/07/2018, fala sobre a perpetuação de dirigentes patronais no comando de suas entidades, as arrecadações bilionárias das mesmas e os casos de corrupção e outros crimes. Só o chamado “Sistema S”, que engloba o Sesi, Senai e Senac, por exemplo, faturou mais de 16 bilhões no ano passado. Parece que quem não larga o osso são os patrões. Muitos falam dos dirigentes do futebol e de outros esportes, mas, no caso do patronato brasileiro, a perpetuação no poder chega a fazer inveja a João Havelange, Ricardo Teixeira, Caixa D’Água, Rubinho e outros. O presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Fábio Salles Meirelles já ocupa o cargo há 43 anos. Quando ele assumiu, em 1975, ainda vivíamos a ditadura militar e Geisel ainda era o Presidente da República; o Brasil era apenas tricampeão de futebol; e estava em vigor a Constituição de 1967. A ditadura militar acabou e Geisel já morreu, o Brasil já é pentacampeão de futebol e, desde 1988, temos outra Constituição. Mas Fábio Salles Meirelles, dirigente patronal, permanece à frente de sua entidade, administrando milhões das contribuições das empresas. Parece que já dá para ver de onde vem o dinheiro para comprar pelegos e para o “Paulinho da Força” distribuir carros na festa de Primeiro de Maio. Mas são vários os exemplos. O presidente da Confederação Nacional do Comércio, preside a entidade patronal há 38 anos e o da Fecomércio do Maranhão há 35. Pelo menos, 40% dos presidentes estão no comando de  suas entidades há mias de 8 anos. Segundo o levantamento feito, pelo menos 9 dirigentes e ex-dirigentes são suspeitos de corrupção e outros crimes. Será, que com o fim do imposto sindical, a mamata deles também vai acabar? Será que os reacionários também irão mandar esses “vagabundos” irem trabalhar? Ou o ódio é apenas contra as entidades que representam os trabalhadores?