OS “FISCAIS DO BOLSONARO”

urna eletrônicaA urna eletrônica, ao ser introduzida nas eleições brasileiras, em 1996, teve como motivação as fraudes verificadas nas eleições para deputado federal e estadual no pleito anterior (1994), especialmente no Rio de Janeiro, onde as eleições até foram anuladas e repetidas. Eu jamais suspeitei da lisura da urna eletrônica. Porém, há algum tempo, Bolsonaro e seus seguidores vem espalhando uma onda conspiratória contra a engenhoca, afirmando que a mesma possui falha em sua segurança. Eles estão espalhando um vídeo do professor Diego Aranha, que é especialista em segurança digital. No vídeo, já compartilhado por um dos filhos do Bolsonaro, o professor afirma que “a urna não é segura e que, inclusive, já quebrou o seu sigilo.” 

Interessante que, em 2014, uma coisa me espantou: Bolsonaro foi eleito deputado federal com quase meio milhão de votos! Eles não desconfiaram de nada. Nem eu. Meu único comentário, após ver a divulgação do resultado foi: “Caramba! Como tem fascista no Rio de Janeiro!” Mas nunca coloquei a culpa na urna. É emblemático o exemplo do Álvaro Valle que, em 1998, deixou de se reeleger deputado federal por apenas 1 voto. Isso mesmo: um único voto. E ele jamais recorreu ou questionou a lisura da urna eletrônica.

No vídeo, o professor Diego Aranha dá as instruções para que os “fiscais paralelos” ajudem na fiscalização. Ele diz para que, a partir das 5 horas da tarde, quando é emitido o B.U. (boletim de urna), o fiscal dirija-se até o local de votação e, com o telefone celular, fotografe o documento e o envie para a central de apuração paralela criada por eles para que o mesmo seja confrontado com o resultado oficial. Essa onda conspiratória contra a urna eletrônica traz algo que cheira a justificativa de derrota, especialmente no segundo turno. Não sou especialista em segurança digital. Se o professor Diego Aranha falou que a urna não é segura, não discutirei com a autoridade no assunto. Mas tenho certeza de que posso ajudá-lo, com a experiência de quem , por muito tempo, trabalhou na Justiça Eleitoral.

Em primeiro lugar, o B.U. (boletim de urna), não é emitido às 5 horas da tarde. Às 5 horas da tarde termina a votação. Isso se ainda não tiver eleitor na fila, com senha. No primeiro turno, inclusive, a emissão do B.U. é até demorada, em razão do grande número de candidatos a deputados, por exemplo, que receberam votos. Depois, confere-se a folha de votação e só então o B.U. é emitido. Geralmente, se tudo for rápido, o B.U. é emitido às 5 e meia. Mas pode sair muito depois. Mandar alguém ir ver o B.U. às 5 em ponto já é querer dizer que “houve problema”, quando é impossível termos um B.U. nesse horário. Porém, o mais importante vem agora: não há a mínima necessidade de ninguém fotografar absolutamente nada. Se o Bolsonaro tem tantos eleitores assim pelo Brasil afora e seu partido fizer o “dever de casa”, os “fiscais do Bolsonaro” terão uma via original de todos os B.Us. O B.U. é emitido em várias vias e, uma delas, destina-se ao representante do Comitê Interpartidário. Basta, para isso, o PSL, partido que o abriga Bolsonaro, estar no Comitê Interpartidário, que representa todos os partidos políticos. Quase nunca o Comitê Interpartidário envia representante ao local de votação e a via do B.U. a ele destinada acaba sendo levada de volta ao cartório eleitoral. O PSL, como qualquer partido, pode ter acesso a todos os B.Us. originais através do Comitê Interpartidário. Basta o partido se organizar e se fazer representar. Então, para que a foto? Até porque nada impede que ela também tenha fotoshop.

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