REQUIÃO X MEIRELLES

requião x meirelles“Por que você não disputa a convenção com o Meirelles? Daí dava para repensar e dar apoio.”  (Ex-Presidente Lula ao senador Roberto Requião, do MDB, no dia 17 de julho, por ocasião da visita de uma comissão de senadores ao ex-Presidente, na prisão em Curitiba).

A história, especialmente das eleições, nos dá exemplos irreprocháveis de mudanças, às vezes inacreditáveis, do cenário eleitoral. Quero lembrar de uma das maiores dessas viradas. Foi em 1982, na eleição para governador do Rio de Janeiro. Foi a primeira eleição direta para governador depois de quase 20 anos de jejum imposto pela ditadura. No início da campanha, surgiram Miro Teixeira e Sandra Cavalcanti. Os dois pareciam ser os únicos. Chegou a ter um debate na TV entre os dois. Nisso, surge um terceiro candidato, visando ser uma terceira via à polarização. Seu nome: Moreira Franco. Seu slogan: “Nem Miro, nem Sandra. Prá seu governo, Moreira Franco!” Parecia que só existiriam, agora, esses três candidatos. Mas Brizola tinha voltado. E seu slogan mandava bem: “Nem Miro, nem Sandra. E prá ser franco, nem Moreira. Brizola na cabeça!” E o velho caudilho dos Pampas comeu o doce.

No confuso quadro eleitoral para Presidente da República, é certo que temos um ultra-direitista bem cotado: Bolsonaro. Além dele, existe o Lula (ou o seu espólio eleitoral). Uma pergunta se faz: quem derrotará o fascista? A ciência política, embora não seja exata, também trabalha com números e os estudos mostram que a transferência de votos nunca ultrapassaria os 60%. Portanto, se Lula não for candidato, boa parte da migração de seus votos será pulverizada, tornando o quadro indefinido. Além de Lula (ou seu espólio), temos Ciro, Alckmin e Marina. Os demais (tanto da direita como da esquerda) serão figurantes ou, no máximo, coadjuvantes. Um desses figurantes, Henrique Meirelles, do MDB, tem em suas mãos a maior estrutura partidária do país, várias prefeituras e governos de estados e dinheiro, muito dinheiro. Mas parece não ter o fundamental para ser lançado candidato: a maioria na convenção de seu partido. E é aí que entra o senador Roberto Requião. E é aí que entra o vaticínio de Lula.

Sempre me perguntei o que Requião faz no PMDB, atual MDB. Porque tanto o seu discurso como os seus votos no Congresso nada têm a ver com a podridão que são o MDB e o canceroso governo Temer. Requião é aquele parlamentar que, nos tempos do bipartidarismo, quando só existiam ARENA e MDB, seria chamado de “autêntico”, por ter um discurso voltado para as aspirações populares e democráticas. Requião parece ser uma das poucas gotas límpidas no lodaçal fétido que é o MDB. E ele pode sim vir a ser o candidato do MDB e, no caso de Lula ficar mesmo de fora, até aglutinar boa parte das esquerdas mais progressistas. Isso porque tudo leva a crer que, se não houver “malufada”, ele pode sim ganhar a convenção do MDB (falo em “malufada” como compra de votos na convenção, o que Maluf fez em 1984 para derrotar Mário Andreazza na convenção do PDS). A convenção do MDB está marcada para o dia 4 de agosto, em Brasília. Em junho, uma sondagem entre os convencionais do partido (são, ao todo, 629) mostrou que 80% deles votariam em Requião.

Tudo leva a crer que a milionária, porém natimorta candidatura de Meirelles, não resistirá à convenção. Claro que isso não é uma certeza. Pode sim acontecer  uma “malufada” e Meirelles ganhar a convenção. Mas não ganharia as eleições e até os seus apoiadores sabem disso. A vitória de Requião em uma disputa com Meirelles na convenção do MDB talvez seja, hoje, uma das poucas situações que poderá abrir novas trincheiras no imbricado quadro eleitoral. Claro, isso se tiver o apoio de Lula e do PT. Mas, quanto a isso, Lula já mandou o recado lá da prisão em Curitiba. Imaginem se o cara estivesse solto.

Lula talvez só tenha se esquecido (ou deixou para depois) de dizer que a vitória de Meirelles não interessa só ao ex-Ministro com voz de bêbado. A vitória de Meirelles na convenção do MDB também interessa, e muito, a Bolsonaro e Alckmin. Principalmente depois do que Lula falou. Luz vermelha! Poderemos ter homens da mala, os famosos “malaquias”, em Brasília, dia 4 de agosto, na convenção do MDB. E, dessa vez, não será o Geddel!

 

 

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