TODOS FOMOS CONDENADOS

junho de 2013 2Na noite de ontem, chegou a notícia da condenação de 23 ativistas por terem participado dos protestos de 2013. Entre os condenados, encontra-se Eliza Pinto Sanzi, conhecida como “Sininho”. O “junho de 2013” não acabará, entretanto, com as condenações e seus possíveis desdobramentos. Ele aí está, forte e robusto, mas não por causa do que supostamente milhares de pessoas foram às ruas. O preço das passagens aumentou. A corrupção não parou. Dilma foi posta para fora por um golpe. E a direita fascista cresceu e se fortaleceu. O que, afinal, se passou, nas famosas “jornadas de junho”?

Afinal, o que foi aquilo? Um movimento com uma pauta difusa, sem lideranças definidas, sem uma linha de ação unificada. As redes sociais dispararam tudo o que puderam e milhares de jovens, a maioria bem-intencionados, foram às ruas como “autômatos”. Há muito não se via uma explosão de manifestações da população, mas tudo não passava de uma imensa “colcha de retalhos”, pois ali estavam desde “black blocs” até neonazistas. Foi ali que a direita fascista ressurgiu, cresceu e seus movimentos tomaram robustez. MBL, Vem Prá Rua e outros movimentos da direita fascista e reacionária deixaram de ser meras “naftalinas” dentro dos armários e passaram a exalar as suas ideias fétidas ao ar livre.  Foi ali que o golpe contra Dilma foi gestado. Foi ali que todos fomos condenados.

Na ocasião, os discursos da direita, que se aproveitou do movimento, eram muito mais genéricos, porém iam na mesma direção. Coisa que não aconteceu com os manifestantes de esquerda. O que, afinal, eles queriam? Se não era apenas pelos 20 centavos, então, qual era a pauta? Quem eram os interlocutores? Enquanto isso, a direita fascista apropriava-se de um conglomerado de manifestações que não foram propostas por ela. Mas que ela soube aproveitar-se de modo cirúrgico. Claro, numa “orquestra sem maestro”, não adianta fazer barulho com o contrabaixo desafinado. É melhor ter vários violinos tocando na mesma direção. Foi o que fez a direita. Ali sedimentou-se grande parte dos que votariam no Aécio em 2014, e que depois iriam para as ruas junto com o MBL pedir o “fim da corrupção”, o impeachment da Dilma e levar Temer ao poder. Os fascistas venceram, cresceram e hoje representam, sem dúvida, a maior ameça à nossa frágil, combalida e tortuosa democracia.

Organização, pauta definida, liderança e estratégia de ação são pontos fulcrais para o sucesso de qualquer movimento. Coisas que passaram longe dos manifestantes de 2013 que se diziam de “esquerda”. Se alguém ainda tiver dúvidas, pergunte ao Vladimir Palmeira. Em 1968, em plena ditadura militar, sem internet, sem redes sociais, sem telefone celular, tomando todas as porradas e chegando na Cinelândia em um fusquinha, ele colocou 100 mil manifestantes na avenida Rio Branco, assustando os ditadores das casernas. O produto final de 2013 vai muito além das condenações sentenciadas pelo juiz Flávio Itabaiana. Primeiro, foi o catador de latas Rafael Braga. Ontem, mais 23. Mas, com a devida vênia a Zuenir Ventura, temos que admitir: 2013 é “o ano que não terminou”. Provavelmente, os “20 centavos mais caros da história do Brasil”. E, infelizmente, temos que acrescentar: Todos fomos condenados ao fascismo! 

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