A MAMATA PATRONAL

contribuição sindical patronalAno passado, quando a criminosa reforma trabalhista do governo golpista Temer/PSDB foi aprovada, a direita reacionária comemorou. A reforma não apenas retirou direitos consagrados desde 1943, com a CLT, mas também acabou com o imposto sindical. Quero dizer, em primeiro lugar, que somos contra o imposto sindical. Mas a turma da direita, cheia de ódio, começou a falar que “Acabou a mamata!”, “Vão trabalhar vagabundos!”, “Sindicatos parasitas!” Os reacionários também falavam que, com o fim do imposto sindical, “presidentes de sindicatos teriam que largar o osso.”

Mas, e o outro lado, o lado dos patrões? É bom lembrar que as entidades patronais também possuem os seus órgãos representativos, as famosas “federações” e “confederações”, que também se sustentam com uma contribuição obrigatória, calculada pelo lucro das empresas. Matéria publicada na Folha de São Paulo de ontem, 15/07/2018, fala sobre a perpetuação de dirigentes patronais no comando de suas entidades, as arrecadações bilionárias das mesmas e os casos de corrupção e outros crimes. Só o chamado “Sistema S”, que engloba o Sesi, Senai e Senac, por exemplo, faturou mais de 16 bilhões no ano passado. Parece que quem não larga o osso são os patrões. Muitos falam dos dirigentes do futebol e de outros esportes, mas, no caso do patronato brasileiro, a perpetuação no poder chega a fazer inveja a João Havelange, Ricardo Teixeira, Caixa D’Água, Rubinho e outros. O presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Fábio Salles Meirelles já ocupa o cargo há 43 anos. Quando ele assumiu, em 1975, ainda vivíamos a ditadura militar e Geisel ainda era o Presidente da República; o Brasil era apenas tricampeão de futebol; e estava em vigor a Constituição de 1967. A ditadura militar acabou e Geisel já morreu, o Brasil já é pentacampeão de futebol e, desde 1988, temos outra Constituição. Mas Fábio Salles Meirelles, dirigente patronal, permanece à frente de sua entidade, administrando milhões das contribuições das empresas. Parece que já dá para ver de onde vem o dinheiro para comprar pelegos e para o “Paulinho da Força” distribuir carros na festa de Primeiro de Maio. Mas são vários os exemplos. O presidente da Confederação Nacional do Comércio, preside a entidade patronal há 38 anos e o da Fecomércio do Maranhão há 35. Pelo menos, 40% dos presidentes estão no comando de  suas entidades há mias de 8 anos. Segundo o levantamento feito, pelo menos 9 dirigentes e ex-dirigentes são suspeitos de corrupção e outros crimes. Será, que com o fim do imposto sindical, a mamata deles também vai acabar? Será que os reacionários também irão mandar esses “vagabundos” irem trabalhar? Ou o ódio é apenas contra as entidades que representam os trabalhadores?

 

 

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