CRIVELLA, O MEDO E A CATARATA

catarataHá quase dois anos, em outubro de 2016, os eleitores do Rio de Janeiro parece terem se colocado em um dualismo do tipo maniqueísta: Civella e Freixo estavam no segundo turno da eleição para Prefeito da cidade. Foi uma das raras oportunidades que o eleitorado carioca, outrora vanguarda política, teve, de eleger um candidato progressista, que conseguiu chegar ao segundo turno com apenas 10 segundos de programa de TV e levando todas as porradas possíveis, desde ser acusado de “defensor de bandidos”, passando por “terrorista que apoiava invasões”. Crivella, apesar de tudo, “acreditava em Deus, era contra o aborto e defendia a família”. Havia chegado a hora de “cuidar das pessoas”. A “catarata” tornou a lente crítica do eleitor carioca opaca, muito opaca. E “milhares de reginas duartes”, com medo do Freixo, votaram no Bispo da Universal.

O Bispo eleito, desde os primeiros momentos, nunca se comportou como Prefeito. Ele era um “Bispo licenciado”, mas foi, por exemplo, à África do Sul participar de um evento religioso, no qual foi apresentado como “Bispo Crivella” e não como Prefeito de uma das maiores cidades do mundo. Avesso ao carnaval, recusou-se a cumprir compromissos oficiais em nome de sua fé. Em nome de sua Igreja, ele não apenas deu as costas para o carnaval, mas também para outros eventos oficiais da cidade, como a Parada do Orgulho Gay e a festa da virada do ano em Copacabana. No último carnaval, ausentou-se inexplicavelmente da cidade. Quem acompanha o Diário Oficial da Prefeitura vê que suas nomeações não seguem critério técnico nem político e sim religioso. Pastores e bispos são nomeados a rodo para cargos de confiança. Até o próprio filho, um também “irmão fiel da Universal”, ele tentou emplacar como Secretário. O Palácio da Cidade entrou sim em um processo de “teocratização”.

Crivella é, sob todos os aspectos, um dos maiores desastres que o Rio de Janeiro conheceu. Nos últimos dias, a “catarata” e a tal da “dona Márcia” foram assuntos que explodiram como um escândalo, graças a mais uma revelação bombástica da emissora dos Marinhos. Mas a verdadeira catarata da qual o povo carioca tem que se livrar é a “catarata da consciência” e, para curar-se desta, não é necessário chamar a “dona Márcia”. Quando o carioca se livrar de certas “fobias” que parecem terem recrudescido, a ponto de lembrar os mais frenéticos tempos da TFP, aí o Rio de Janeiro talvez possa voltar a ser uma cidade de vanguarda e cosmopolita, deixando de ser um feudo neopentecostal. E não se iludam com a Globo. A briga com a Record do Edir Macedo é antiga. Coisa do tipo: “Quem manipula mais?”  Enquanto a Globo suplicava a Deus para “salvar o Rei”, a Record já anunciava o “Apocalipse”. Pobre cidade do Rio de Janeiro! Que todos os Deuses se compadeçam de seus eleitores!

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