CRIVELLA E O CLIENTELISMO TEOCRÁTICO

Bispos Record e Universal (1)

“Só o povo evangélico pode mudar esse país. Os políticos sabem que só nós podemos dar jeito nesse país… Vamos aproveitar esse tempo na prefeitura para arrumar nossas igrejas.” (Marcelo Crivella Bispo-Prefeito do Rio de Janeiro).

Para quem tinha alguma dúvida ou ainda resistia para acreditar, agora a coisa está escancarada. O pastor Crivella, no exercício da Prefeitura do Rio, está executando um projeto de Estado teocrático à frente da Prefeitura. Este projeto consiste em nomear membros da Igreja Universal para cargos de confiança e usar o espaço público para eventos religiosos dos neo-pentecostais. Isso, sem falar no favorecimento explícito das pessoas de sua Igreja em relação aos serviços públicos, excluindo os “infiéis” (católicos, espíritas, ateus, dentre outros).

Na última quarta-feira, dia 4, no Palácio da Cidade, que é a sede da Prefeitura carioca, o Bispo-Prefeito reuniu 250 pastores da Universal, em um evento secreto denominado “Café da Comunhão”. Os “irmãos” da Universal foram convocados para atuarem como “olhos e ouvidos do Rei”, na missão de “vigiar a corrupção”.

O projeto da Igreja Universal sempre foi claro: fazer do Brasil um Estado teocrático e, nesse sentido, qualquer espaço público ou qualquer fatia de poder, seja no Executivo ou Legislativo, devem ser ocupados com esse fim. E há, claramente, uma segregação em relação aos “infiéis”, no mais puro estilo xiita. Quando sabemos, por exemplo, do sucateamento e falência dos serviços de saúde na nossa cidade, chega a causar revolta os benefícios que os seus “irmãos” evangélicos podem conseguir, desde que procurem as “pessoas certas” na Prefeitura. Para uma cirurgia de catarata, por exemplo, a senha para o “irmão” evangélico é procurar uma tal de “Márcia”. Ela, naturalmente deve ter o poder de fazer milagres, pois qualquer “mortal infiel” não conseguiria com tanta facilidade e agilidade uma cirurgia de catarata no serviço público. Teoricamente, todos teriam direito, mas o “irmão” evangélico é especial.

Mas a coisa não para por aí. Até isenção de IPTU para os “irmãos” foi aventada. Tudo, sempre lembrando, “só para irmãos” e desde que se procure a pessoa certa. Parece que o dízimo passará a ser garantido com renúncias fiscais da Prefeitura em prol dos “irmãos”.

A patuscada do Prefeito-pastor foi muito além de favorecimentos clientelistas para os seus “irmãos”. Lá estava presente o pastor Rubens Teixeira, um dos candidatos apoiados pela Universal a deputado federal. O pastor Rubens Teixeira, é bom lembrar, substituiu Fernando Mac Dowell na Secretaria Municipal de Transportes. O pastor também virou réu na Justiça Federal por peculato e fraude em licitações.

Enquanto isso, a maioria da população que se exploda. Hospitais falidos, aposentados taxados, pagamento dos servidores atrasados, transportes públicos nas mãos dos mafiosos com quem o Bispo-Prefeito fez acordo, cultura agredida. Como Crivella bem disse no seu slogan: “Chegou a hora de cuidar das pessoas!” Ele só esqueceu de acrescentar: “das nossas pessoas!”

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