CENTRÃO SE ENTREGA AO SANTO

SOLIDARIEDADEO chamado “Centrão”, aglomerado de legendas partidárias de pequena expressão, mas altamente fisiológicas, acabou, finalmente, aderindo ao candidato tucano Alckmin, vulgo “Santo” na lista de propinas da Odebrecht. O apoio do “Centrão”, formado por DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade, estava sendo disputado por Alckmin e Ciro Gomes, do PDT. Mas, certamente, o “DNA golpista e fisiológico” dos penduricalhos que formam o “Centrão” falou mais alto. O acordo selado com o “Santo” é do tipo “vamos mudar algumas coisas para que tudo continue como está.” A primeira consequência é o desaparecimento da candidatura de Rodrigo Maia, do DEM, candidatura esta que, na verdade, jamais existiu. No acordo com o “tucano de auréola”, Rodrigo Maia negociou sua permanência na Presidência da Câmara dos Deputados. Mas a coisa não fica por aí. “Paulinho da Força” exigiu a criação de uma contrapartida que substitua o imposto sindical, para que seus sindicatos pelegos continuem sobrevivendo e ele possa distribuir carros na festa de Primeiro de Maio. Vejam que ele nem fala em revogação da reforma trabalhista, que suprimiu direitos dos trabalhadores.  O PR, do mensaleiro Valdemar Costa Neto, tem a promessa de nacos do governo. O PP, de agenda totalmente direitista, não sente nenhum desconforto. E o PRB alcança basicamente o eleitorado evangélico e ultra-conservador. Fundamental nesse acordo foi a participação do golpista Temer, que não queria o “Centrão” apoiando Ciro Gomes que, com muita propriedade, chamou Temer de “quadrilheiro”. Lembrando que vários ministérios do governo golpista são ocupados por partidos do “Centrão”. Assim, nem precisa dizer que o candidato do Temer é o Alckmin, coisa que já falamos há tempos aqui no blog. Quanto ao Henrique Meirelles, do (P)MDB, vai morrer na pista, com os 70 milhões de seu bolso que colocaria em sua campanha e o 1% das intenções de voto. Meirelles agora ficou mais isolado do que centro-avante de time na retranca. Certamente, sua retirada da disputa é uma questão de tempo. Até porque não interessa mais a Temer que ele permaneça. O candidato de Temer é, sem dúvida, o “tucano de auréola”.

A vantagem de ter o apoio do “Centrão”, em termos eleitorais, é o seu ecletismo: o “Centrão”, embora pouco representativo, é tentacular: pega votos de sindicatos pelegos, da direita liberal e de evangélicos ultra-conservadores. Esse apoio do “Centrão”, na verdade, era absolutamente esperado.

Quanto ao Ciro Gomes, é hora de bandear para a esquerda. Com que cara? Onde estava ele no dia 7 de abril? Já sei. Ele vai dizer que, por ser o Dia da Abdicação, renunciou de ir a São Bernardo, em respeito à data histórica. Agora, mais do que nunca, ele vai ser “Lula Livre!” 

8 SEGUNDOS DE NAZISMO

relógio nazistaNunca, na história das eleições recentes para a Presidência da República, um candidato soube usar tão bem um tempo tão escasso no horário de propaganda eleitoral na TV como o finado médico Enéas Carneiro, do então PRONA, partido que tinha o número 56. Em 1989, com apenas 10 segundos de aparição na TV, em se tratando de um até então desconhecido, o Dr. Enéas conseguiu ficar nacionalmente conhecido ao simplesmente dizer: “O meu nome é Enéas!”

Estamos a menos de 3 meses das eleições e, em agosto, terá início a propaganda eleitoral gratuita na TV. O candidato nazifascista Jair Bolsonaro, atualmente abrigado no PSL, não conseguiu, até o momento, costurar as alianças que planejava e corre o imenso risco de, pela pequena representatividade da agremiação que lhe cedeu a legenda, ficar reduzido a apenas 8 segundos de programa eleitoral na TV. Isso mesmo: apenas 8 segundos. Como aproveitar um tempo tão escasso? Que mensagem mandar ao eleitor? Ao contrário do Dr. Enéas, Bolsonaro é bem conhecido por ser um extremista de direita e, sem Lula no cenário, ele lidera as pesquisas. Então, talvez, em 8 segundos, ele possa disparar, em cada programa, uma das muitas afirmações que o tornaram célebre. Seriam 8 segundos de nazismo a cada programa mas que, vindo de quem vem e defendendo o que defende, torna-se uma eternidade. Quais das suas frases ele poderia dizer em 8 segundos? Talvez uma destas:

“Eu só não te estupro porque você não merece.” 

“Eu sou favorável à tortura.”

“Mulher tem que ganhar menos porque engravida.”

“O trabalhador tem que escolher entre o emprego ou os direitos.”

“Tive quatro filhos homens. No quinto, eu dei uma fraquejada e veio uma mulher.”

“Quilombola não serve nem mais para procriar.”

“O erro da ditadura foi torturar e não matar.”

“Pinochet devia ter matado mais gente.”

“A minha especialidade é matar.”

“Eu não corro o risco de meus filhos se relacionarem com uma negra, porque eles foram bem educados.”

“Com o dinheiro que recebia, eu comia gente.”

“O índio devia comer capim para manter as suas origens.”

“Sou preconceituoso, com muito orgulho.”

“Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.”

A propaganda eleitoral começará em 16 de agosto. E que os 8 segundos fatídicos de nazismo não contaminem os brasileiros.

 

 

TODOS FOMOS CONDENADOS

junho de 2013 2Na noite de ontem, chegou a notícia da condenação de 23 ativistas por terem participado dos protestos de 2013. Entre os condenados, encontra-se Eliza Pinto Sanzi, conhecida como “Sininho”. O “junho de 2013” não acabará, entretanto, com as condenações e seus possíveis desdobramentos. Ele aí está, forte e robusto, mas não por causa do que supostamente milhares de pessoas foram às ruas. O preço das passagens aumentou. A corrupção não parou. Dilma foi posta para fora por um golpe. E a direita fascista cresceu e se fortaleceu. O que, afinal, se passou, nas famosas “jornadas de junho”?

Afinal, o que foi aquilo? Um movimento com uma pauta difusa, sem lideranças definidas, sem uma linha de ação unificada. As redes sociais dispararam tudo o que puderam e milhares de jovens, a maioria bem-intencionados, foram às ruas como “autômatos”. Há muito não se via uma explosão de manifestações da população, mas tudo não passava de uma imensa “colcha de retalhos”, pois ali estavam desde “black blocs” até neonazistas. Foi ali que a direita fascista ressurgiu, cresceu e seus movimentos tomaram robustez. MBL, Vem Prá Rua e outros movimentos da direita fascista e reacionária deixaram de ser meras “naftalinas” dentro dos armários e passaram a exalar as suas ideias fétidas ao ar livre.  Foi ali que o golpe contra Dilma foi gestado. Foi ali que todos fomos condenados.

Na ocasião, os discursos da direita, que se aproveitou do movimento, eram muito mais genéricos, porém iam na mesma direção. Coisa que não aconteceu com os manifestantes de esquerda. O que, afinal, eles queriam? Se não era apenas pelos 20 centavos, então, qual era a pauta? Quem eram os interlocutores? Enquanto isso, a direita fascista apropriava-se de um conglomerado de manifestações que não foram propostas por ela. Mas que ela soube aproveitar-se de modo cirúrgico. Claro, numa “orquestra sem maestro”, não adianta fazer barulho com o contrabaixo desafinado. É melhor ter vários violinos tocando na mesma direção. Foi o que fez a direita. Ali sedimentou-se grande parte dos que votariam no Aécio em 2014, e que depois iriam para as ruas junto com o MBL pedir o “fim da corrupção”, o impeachment da Dilma e levar Temer ao poder. Os fascistas venceram, cresceram e hoje representam, sem dúvida, a maior ameça à nossa frágil, combalida e tortuosa democracia.

Organização, pauta definida, liderança e estratégia de ação são pontos fulcrais para o sucesso de qualquer movimento. Coisas que passaram longe dos manifestantes de 2013 que se diziam de “esquerda”. Se alguém ainda tiver dúvidas, pergunte ao Vladimir Palmeira. Em 1968, em plena ditadura militar, sem internet, sem redes sociais, sem telefone celular, tomando todas as porradas e chegando na Cinelândia em um fusquinha, ele colocou 100 mil manifestantes na avenida Rio Branco, assustando os ditadores das casernas. O produto final de 2013 vai muito além das condenações sentenciadas pelo juiz Flávio Itabaiana. Primeiro, foi o catador de latas Rafael Braga. Ontem, mais 23. Mas, com a devida vênia a Zuenir Ventura, temos que admitir: 2013 é “o ano que não terminou”. Provavelmente, os “20 centavos mais caros da história do Brasil”. E, infelizmente, temos que acrescentar: Todos fomos condenados ao fascismo! 

CABRAL, PEDRO E MARCO ANTÔNIO

cabral“Disse me disse na história do Brasil.  Fui criança,  fui palhaço e ninguém me assumiu (ô seu Cabral). Cabral, ô Cabral, o esquema é de lograr (de lograr)…” (Trecho do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense do Carnaval de 1988).

Pedro Álvares Cabral não tinha Cabral no nome. Quando ele chegou ao Brasil, em 1500, chamava-se Pedro Gouveia. Isso porque apenas ao primogênito era atribuído o sobrenome do pai. Então, como Pedro era filho de Isabel Gouveia, em 1500 ele chamava-se Pedro Gouveia. Ele só passou a ser Cabral em 1508, após a morte de seu irmão mais velho, ou seja, oito anos depois de ter chegado em Porto Seguro, na Bahia.

Os versos do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 1988, de autoria de Zé Katimba, Guga, Davi Correa e Gabi falam de um contexto muito especial da história do Brasil: a redemocratização e os trabalhos da Assembleia Constituinte, que culminaria com a Constituição Cidadã de 1988 e dos caminhos tortuosos de nosso resistente Brasil. Nos tempos de Cabral, o “esquema já era de lograr”. A carta escrita por pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel é a certidão de nascimento do nepotismo. O escrivão da esquadra de Gouveia (depois Cabral), no último parágrafo de sua missiva ao rei, pede um emprego para o seu genro. Claro, usando de sua influência junto ao soberano. Êta sogrão bom! E o comandante da expedição ainda não era Cabral. Era o Gouveia.

Circula na rede a informação de que Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral, o maior bandoleiro e saqueador do Estado do Rio de Janeiro, não usará nas eleições deste ano o sobrenome “Cabral”. Pudera. O assalto de seu pai aos cofres públicos trará consequências por, no mínimo, uma geração. Especialistas em contas públicas afirmam que o Rio de Janeiro e sua população, para começarem a sentir alguma recuperação do assalto de Cabral e sua gangue ao nosso Estado, terão que esperar, no mínimo, 20 anos. Marco Antônio sabe que o sobrenome de seu pai é o símbolo de roubo, ostentação, agressão à população e aos servidores, “farra dos guardanapos”, mansão em Mangaratiba, helicópteros, jóias, enquanto hospitais, escolas e serviços públicos foram sucateados. Literalmente Cabral matou aposentados que não receberam seus minguados vencimentos. Não usar o nome do pai é o novo “esquema de lograr”. Confunde-se o povo. Vota-se em alguém sem saber quem realmente ele é. Perpetua-se e reproduz-se, inconscientemente, o lado monárquico,  saqueador e oligárquico da discutível república brasileira. Marco Antônio não deixa de ser um preposto de seu criminoso pai e de seu partido que, diga-se de passagem, também mudou de nome. Era PMDB, o partido de Temer. Agora, virou MDB. Eles se envergonham do próprio nome. Eles se envergonham do próprio partido. E ainda querem que, mesmo assim, o povo vote neles. “O esquema é mesmo de lograr”, como dizia o samba de 1988 da Imperatriz Leopoldinense. Mas o povo não se deixará lograr. Porque o nome dele é Marco Antônio Cabral, filho do Sérgio Cabral Filho (coitado do Sérgio Cabral pai!)

Será que nos tempos de Pedro Álvares Cabral, que era Gouveia até 1508, já tínhamos o vaticínio do que aconteceria em nosso país? Isso porque o irmão mais velho de Pedro chamava-se João… Cabral! Xi! Isso faz lembrar um ex-vereador que, logo depois de perder a eleição, queria uma mesada de 15 mil mensais. Os “Cabrais” de bem não mereciam isso!

Fiquem com o samba da Imperatriz Leopoldinense de 1988:

 

 

 

A INVASÃO AO MINISTÉRIO

ministério do trabalhoA invasão ao Ministério do Trabalho, que amanheceu com salas reviradas na última segunda-feira, dia 16, pode ir muito além do que as aparências e algumas conjecturas podem nos mostrar. Portas arrombadas na calada da noite, salas reviradas, documentos subtraídos. Tudo leva a crer que a invasão tenha ocorrido na madrugada de domingo para segunda-feira. Segundo fontes oficiais, o Ministério ainda não sabe dizer o que foi levado. Câmeras de segurança registraram a imagem de um homem forçando a porta de uma sala pouco antes da meia-noite. Já há quem queira colocar a culpa em moradores de rua e “cracudos” da região.

Porém, o que não chega a causar espanto, principalmente se tratando do criminoso governo Temer, é que a invasão e procura de documentos tenha ocorrido em pleno processo da Operação Registro Espúrio, que apura a concessão fraudulenta de registros sindicais. O Ministério do Trabalho foi entregue ao PTB, na divisão do butim golpista de 2016 e, de lá para cá, tornou-se um feudo de negociatas do mensaleiro Roberto Jefferson, presidente do partido cuja sigla, hoje, envergonharia Getúlio, Jango e Brizola. O mensaleiro tentou emplacar sua filha como ministra, mas ela não cumpria leis trabalhistas e foi defenestrada antes mesmo de sentar-se na janela. A própria Cristiane Brasil, segundo as investigações, também estaria envolvida no escândalo das concessões de registros sindicais, junto com o ex-Ministro Helton Yomura.

Porém, como não poderia deixar de ser, a coisa já está batendo na porta do Jaburu. Isso porque Carlos Marun, o fiel escudeiro dançarino do Temer, também está envolvido no escândalo. De acordo com relatório da Polícia Federal, o Ministério do Trabalho fraudava pareceres de concessão de registros sindicais para atender a pedidos de Marun que beneficiavam sindicatos do Mato Grosso do Sul, seu reduto eleitoral. Pois justamente em meio às investigações que apuram todos os atos da quadrilha que tomou o Ministério do Trabalho de assalto, chega a notícia da tal “invasão”. Claro que a dita invasão soa como muito suspeita e, certamente, entrará para o rol de escândalos do governo golpista.

Na verdade, a invasão ao Ministério aconteceu com o golpe de 2016, quando a pasta foi entregue a Roberto Jefferson, que deu as cartas por todo esse tempo. O mensaleiro tornou-se o suserano de um feudo que só tinha seus vassalos como ministros. Ele tentou emplacar  até a sua filha. E agora, nos poucos meses que ainda restam de governo golpista, tudo indica que Marun também estivesse querendo levar algum dividendo para casa, distribuindo registros sindicais de forma fraudulenta para seus conterrâneos. Não precisa nem perguntar quem teria interesse na invasão e destruição de documentos. Seria bom, agora, vermos Marun dançando outra vez. E com Roberto Jefferson cantando “Nervos de Aço”…  Coitado do Lupicínio Rodrigues!!

A MAMATA PATRONAL

contribuição sindical patronalAno passado, quando a criminosa reforma trabalhista do governo golpista Temer/PSDB foi aprovada, a direita reacionária comemorou. A reforma não apenas retirou direitos consagrados desde 1943, com a CLT, mas também acabou com o imposto sindical. Quero dizer, em primeiro lugar, que somos contra o imposto sindical. Mas a turma da direita, cheia de ódio, começou a falar que “Acabou a mamata!”, “Vão trabalhar vagabundos!”, “Sindicatos parasitas!” Os reacionários também falavam que, com o fim do imposto sindical, “presidentes de sindicatos teriam que largar o osso.”

Mas, e o outro lado, o lado dos patrões? É bom lembrar que as entidades patronais também possuem os seus órgãos representativos, as famosas “federações” e “confederações”, que também se sustentam com uma contribuição obrigatória, calculada pelo lucro das empresas. Matéria publicada na Folha de São Paulo de ontem, 15/07/2018, fala sobre a perpetuação de dirigentes patronais no comando de suas entidades, as arrecadações bilionárias das mesmas e os casos de corrupção e outros crimes. Só o chamado “Sistema S”, que engloba o Sesi, Senai e Senac, por exemplo, faturou mais de 16 bilhões no ano passado. Parece que quem não larga o osso são os patrões. Muitos falam dos dirigentes do futebol e de outros esportes, mas, no caso do patronato brasileiro, a perpetuação no poder chega a fazer inveja a João Havelange, Ricardo Teixeira, Caixa D’Água, Rubinho e outros. O presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Fábio Salles Meirelles já ocupa o cargo há 43 anos. Quando ele assumiu, em 1975, ainda vivíamos a ditadura militar e Geisel ainda era o Presidente da República; o Brasil era apenas tricampeão de futebol; e estava em vigor a Constituição de 1967. A ditadura militar acabou e Geisel já morreu, o Brasil já é pentacampeão de futebol e, desde 1988, temos outra Constituição. Mas Fábio Salles Meirelles, dirigente patronal, permanece à frente de sua entidade, administrando milhões das contribuições das empresas. Parece que já dá para ver de onde vem o dinheiro para comprar pelegos e para o “Paulinho da Força” distribuir carros na festa de Primeiro de Maio. Mas são vários os exemplos. O presidente da Confederação Nacional do Comércio, preside a entidade patronal há 38 anos e o da Fecomércio do Maranhão há 35. Pelo menos, 40% dos presidentes estão no comando de  suas entidades há mias de 8 anos. Segundo o levantamento feito, pelo menos 9 dirigentes e ex-dirigentes são suspeitos de corrupção e outros crimes. Será, que com o fim do imposto sindical, a mamata deles também vai acabar? Será que os reacionários também irão mandar esses “vagabundos” irem trabalhar? Ou o ódio é apenas contra as entidades que representam os trabalhadores?

 

 

MBL FICA ÓRFÃO

MBL Fascista (1)Na última sexta-feira, dia 13, foi noticiada a desistência de Flávio Rocha, o dono da Riachuelo, de concorrer à Presidência da República. O PRB, partido do agora ex-candidato, certamente passará a barganhar e apoiar um outro candidato de direita. A despeito da nota publicada pelo partido, o motivo que levou o dono da Riachuelo a abandonar a disputa foi o seu péssimo desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Ele, assim como outros penduricalhos da direita reacionária, não saem do 1% e sabem que não possuem a mínima condição de permanecerem na disputa. Flávio Rocha é aquilo que, nos gráficos das pesquisas, pode ser chamado de “traço”. Ele já se mandou para a Europa.

A saída de Flávio Rocha deixa órfão, mais uma vez, o movimento neofascista MBL, que o havia adotado como candidato de estimação. Digo “mais uma vez” porque os meninos amarelos da Avenida Paulista, antes de adotarem Flávio Rocha, já tinham adotado João Doria, o ex-Prefeito Engomadinho do Tietê. Ocorre que rolou um “barraco” entre Doria e os meninos fascistas, que brigaram com o ex-Prefeito e acabaram levando Flávio Rocha para casa. E agora, mais uma vez, eles estão sem um candidato para chamar “deles”. Mas a orfandade dos meninos fascistoides do MBL não deverá durar muito. Porque, igual ao Flávio Rocha, existem vários outros, igualmente reacionários e de direita. Eles poderão, quem sabe, abraçar o banqueiro João Amoedo, do Partido Novo. Ou ainda o Henrique Meirelles, do partido do Temer. Tem ainda o Rodrigo Maia, do DEM, o garoto de estimação do Temer. Só que a saída de Maia da disputa também é uma questão de tempo. Todos são meros “traços” na pesquisa. Mesmo com o João Amoedo sendo banqueiro e mesmo com o Henrique Meirelles disposto a colocar 70 milhões do próprio bolso na sua campanha.

Holiday e Kataguiri já devem estar à procura de um novo “paizão”. Como a direita, no Brasil, tem maior tradição de união do que as esquerdas, muito provavelmente esses outros “traços” deverão se unir em torno de um único candidato, que seja eleitoralmente viável para eles. Suspeito que o MBL acabe marchando junto com o capitão fascista. E, em homenagem ao papai que agora já se foi, devem usar camisas pretas. Não é a Itália de 1922. É o Brasil de 2018…