QUEM SERÁ O IMPICHADO?

DELFIM NETTO

“O próximo presidente vai ser impichado.” (Delfim Netto)

A declaração acima foi feita recentemente por Delfim Netto em uma palestra que tinha como plateia advogados de grandes empresas. Mas, o que significa “impichado”? Em poucas palavras, impichado significa ser privado ou destituído do cargo que possui. O termo é um neologismo para se referir a quem sofre o impeachment. Delfim fez a afirmação referindo-se ao sistema político brasileiro, que é conhecido como “presidencialismo do coalizão”, o que, na prática, significa que qualquer que seja o eleito, terá que negociar com os partidos políticos e com o Congresso Nacional. E, segundo Delfim, essa negociação se dará nas mesmas condições dos outros presidentes. Ministérios tornam-se feudos de partidos e o Presidente parece um rei medieval.

A afirmação de Delfim Netto não causa surpresa. O Presidente começa a tornar-se refém dos partidos políticos e do Congresso Nacional já quando forma as suas alianças na campanha eleitoral. Sem as alianças, o presidente não governa. Então, já no governo, as alianças transformam-se em chantagens. E, a partir daí, qualquer ocupante do Executivo que não ceder, será mesmo impichado. Especialmente se quem comanda o Legislativo possuir uma liderança ou um número suficiente de seguidores. Foi o caso de Dilma em relação a Eduardo Cunha. Dilma não cedeu às chantagens do bandido travestido de evangélico e foi mesmo impichada.

A verdade é que, dos 35 partidos políticos, qualquer que chegue ao poder, não terá mais do que 10 a 15% do Congresso. E então, como governar? O Brasil vive em um regime de “presidencialismo parlamentarizado”, onde o Congresso, até sem motivo, pode destituir o Presidente por um processo de impeachment. Basta o Presidente da Câmara querer e ter os 2/3 do plenário. Como também pode não querer, como foi o caso de Rodrigo Maia em relação a Temer.

O problema não está nas alianças. Elas fazem parte da natureza de qualquer sistema político democrático. O problema está em alianças feitas com quem já demonstrou ser fisiológico aos extremos, traidor ou achacador. Soubemos, por exemplo, que nesta semana, Ciro Gomes já acenou para conversar com Rodrigo Maia e ACM Neto, ambos do DEM. Já sabemos da reaproximação do PT com o PMDB em alguns estados, o que se reflete em compromissos na eleição para Presidente da República. O sistema político não mudou e não vemos, até aqui, preocupações dos candidatos a Presidente e seus respectivos partidos em fazerem bancadas de sustentação aos seus eventuais governos. São apenas costuras de retalhos que formarão um “saco de gatos cheio de raposas esfaimadas”. Portanto, não reclamem depois. Poderá haver outro golpe. E até os algozes de 2016 se apresentam como potenciais vítimas. Mas Delfim já deu o tom. Impeachment é coisa do passado. Vamos aportuguesar a coisa. Vamos escolher, em outubro, quem será impichado. Sugiro que o dia das eleições passe para o Sábado de Aleluia…

 

 

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