FUTEBOL, COPA E POLÍTICA

política e futebolHoje é a estreia do Brasil na Copa da Rússia. O jogo contra a Suíça é muito esperado, dentro da  expectativa de uma redenção após a “Copa dos 7 a 1”. Mas, em cada Copa, vem sempre a mesma conversa: torcer para o Brasil é alienação? Mesmo depois que a camisa amarela da seleção virou “abadá de coxinhas”? O governo, mesmo golpista, pode tirar proveito do sucesso do futebol em uma Copa?

Claro que a história mostra que, no Brasil, assim como em outros países, a seleção nacional pode ser objeto de dividendos políticos. Tanto em governos golpistas como democraticamente eleitos. Em 1950, quando o Rio de Janeiro ainda era capital federal, a avalanche de políticos que queria aparecer ao lado dos jogadores precedeu a tragédia do “Maracanazo”. Também sabemos que, em 1958, ano da primeira conquista brasileira, JK também tirou uma “casquinha” da seleção vitoriosa em campos suecos. Mas a grande apropriação da seleção brasileira aconteceu mesmo na ditadura militar. A Copa de 1970, no México, é emblemática, numa época em que a censura imposta pela ditadura não permitia o contraditório. Então, as mensagens ufanistas do governo militar do “Prá frente Brasil” misturavam-se ao sucesso nos gramados. O “Prá Frente Brasil”, de Miguel Gustavo, até hoje é tido como um “hino da ditadura”. Será que torcer para a seleção naquela época seria um “desvio de conduta”, como a esquerda mais radical acusava?

O Brasil ganhou a Copa de 1970, consagrando o futebol brasileiro. E até o ditador Médici acertou o placar da final contra a Itália, cravando os 4 a 1 que se confirmariam em campo. Mas será que o governo venceria uma eleição para presidente, se esta existisse? Posso, sem dúvida alguma, afirmar que não. Vivíamos o bipartidarismo imposto pelo sistema e pesquisas do próprio SNI mostravam que a ARENA, partido do governo, perderia as eleições. Com isso, em 1977, Geisel impôs o “Pacote de Abril”, para assegurar senadores não eleitos pelo povo para a ARENA. Logo depois, em 1979, veio a reforma partidária, que acabou com o bipartidarismo só para favorecer o governo. Então, é certo que o futebol não traria os resultados eleitorais pretendidos pelo governo militar, muito embora o governo tentasse a todo custo.

Recentemente o exemplo se confirmou. Em 2002, ganhávamos a Copa do Japão/Coreia, quando o Brasil era presidido por FHC. Mas naquele mesmo ano a oposição, com Lula, ganhou a eleição presidencial. E em 2010, a eliminação prematura na Copa da África do Sul não impediu a vitória da candidata do governo, Dilma.

Isso mostra que o brasileiro não é esse “alienado” que se deixa manipular por futebol ou Copa do Mundo. O futebol é um patrimônio cultural do brasileiro e torcer pelo nosso futebol não é torcer pelo governo. A história mostra isso. E espero ver a confirmação disso hoje. Até porque o Temer não é bobo nem de aparecer na janela do Palácio se o Brasil ganhar. Sem ufanismos, chauvinismos ou “abadá de coxinhas”, torceremos para o Brasil. Não nos esquecendo do “Fora Temer!” e “Lula Livre!”

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