LULA E A TAL “PROPOSTA”

lula livreO ex-Presidente Lula teve sua candidatura oficialmente lançada à Presidência da República na última sexta-feira, dia 8 de junho. A cerimônia foi realizada em Contagem, Minas Gerais, e o que chamou a atenção durante a solenidade foi a bombástica declaração de Fernando Haddad, ex-Prefeito de São Paulo. Disse Haddad:

“Lula foi sondado sobre abandonar a sua candidatura para ser solto. Abre mão da candidatura que você sai da cadeia, que a gente liberta você.”

E Haddad acrescentou a resposta de Lula:

“Me apresenta uma prova que eu abro mão da minha candidatura.” 

Faltou, no entanto, Fernando Haddad dizer o mais importante: Quem fez a proposta? Quando a proposta foi feita? Embora Hadadd não tenha dito de quem foi a proposta, evidentemente a saída de Lula da disputa interessa a praticamente todos os candidatos. A começar pelo Bolsonaro, que só lidera as pesquisas sem Lula na disputa. Mas não é só o neofascista que teria interesse na desistência de Lula. Candidatos como Ciro, Marina, Boulos e Manuela certamente herdariam nacos de seu espólio eleitoral. Mas, interesses à parte, nenhum candidato faria tal proposta, até porque eles não possuem poder de soltar o Lula. Só quem poderia, de fato, fazer essa proposta, é o Judiciário. Desde o Tribunal Superior Eleitoral até o Supremo Tribunal Federal. E, ainda assim, a legalidade de tal proposta poderia ser questionada. Vários potenciais candidatos estão presos e isso abriria uma exceção que poderia ser “viralizada”. Mas, sendo verdadeira ou não, a declaração de Hadadd nos leva a pensar na enrascada que a prisão de Lula significa para o Judiciário de um modo geral.

Se pararmos para pensar, o Poder Judiciário tem grande interesse na desistência de Lula. O Judiciário se livraria de um grande “abacaxi”. Primeiro, o de rejeitar a candidatura de Lula, o líder de todas as pesquisas. Depois, o de computar os milhões de votos eventualmente atribuídos a ele como nulos. Com Lula na disputa, o Judiciário amargará uma grande dor de cabeça, para sempre. A própria prisão de Lula é internacionalmente contestada, e não apenas por aliados do PT. Um manifesto com mais de 300 assinaturas de intelectuais renomados de todo mundo  pedindo a liberdade de Lula tem sido amplamente divulgado. Juristas de vários países são unânimes em apontar falhas, falta de provas e parcialidade no julgamento do ex-Presidente, que justamente lidera disparado as pesquisas. Logo, tratar a prisão de Lula como política não é nenhum absurdo e a fatura será cobrada pela história. Se ele desistir e receber algum benefício, nunca, jamais alguém poderia dizer que ele venceria. E, de uma certa forma, a Justiça brasileira ficaria um tanto aliviada por não carregar esse ônus histórico.

Se é verdade o que Haddad falou, não podemos afirmar. Mas ele falou. E um acordo dessa natureza seria, de fato, um alívio para a Justiça. Isso porque, com Lula mantendo sua candidatura, a Justiça poderá ser responsabilizada por muita coisa. Desde ter condenado alguém sem provas até ter levado um neonazista para o poder.

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