CAMINHONEIROS E A HISTÓRIA

caminhoneiros do chileEm 11 de setembro de 1973, uma terça-feira, o presidente democraticamente eleito do Chile, Salvador Allende, era derrubado por um golpe militar que instituiria uma das ditaduras mais sanguinárias da América Latina. Pouco tempo antes, em 1972, uma greve de caminhoneiros naquele país deflagrou uma crise que viria a se refletir no ano seguinte. E, um mês antes do golpe, em agosto, uma nova paralisação de caminhoneiros, juntamente com empresários, agravou a crise chilena, o que serviu de pretexto para a tomada do poder pelo Exército. O presidente Allende foi assassinado e o golpe, patrocinado pelos EUA, levou o ditador Pinochet ao poder.

Temos falado neste espaço que é visível a infiltração de grupos da direita fascista no difuso e nebuloso movimento dos caminhoneiros . São os chamados “intervencionistas”, eufemismo para “golpistas”. Eles estão em cena desde 2013, já participaram do golpe de 2016 e não querem que as eleições se realizem em outubro. Claro que as situações e os contextos são diferentes. No Chile, tínhamos um presidente eleito. Aqui, temos um presidente sem legitimidade, o mais impopular da história e que tomou o governo por um golpe. E o que resta deste governo são cacos sem qualquer retaguarda. Não existe base aliada que dê apoio a um governo tão nefasto, especialmente a 4 meses das eleições.

E o que querem os “intervencionistas”, digo, golpistas? Não é propriamente derrubar o governo, porque este já não existe há tempos. Eles não querem que as eleições aconteçam em outubro e, em um momento crítico, onde toda a rede de abastecimento, desde oxigênio para hospitais, passando por remédios de uso contínuo e suprimentos como combustíveis, entra em colapso, o caos está instalado. Discursos motivadores, de apelos ultra-nacionalistas e de execração à “desordem subversiva”, levam o carimbo dos golpistas que, novamente, vestem o amarelo. Assim como em 2013. Assim como em 2016.

A democracia brasileira agoniza, mas ainda existe quem queira feri-la de morte. E, não tenham dúvidas: em troca da Petrobras, da Eletrobras e da Amazônia, os Estados Unidos de Trump e seus aliados pelo mundo, reconheceriam imediatamente um “novo governo”, por mais golpista que fosse. Verdadeiramente, não é só pelos 46 centavos. E o Tio Patinhas, que de babaca não tem nada, não veste o amarelo, como seu similar tupiniquim da FIESP

 

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