2013 SOBRE RODAS

caminhoneiros e intervenção militar“Não é só pelos 20 centavos.” (Palavra de ordem dos protestos de 2013 em todo Brasil)

Em 2013, há exatos 5 anos, uma onda de protestos tomou conta do Brasil. O mote inicial era o preço das passagens de ônibus, que tinha aumentado em 20 centavos. Protestos sem referência de liderança e com uma pauta difusa e nebulosa. O que havia por trás daquilo? Mas os protestos de 2013 traziam muito mais do que os 20 centavos. Foram naqueles protestos que as naftalinas da direita fascista se assanharam e saíram do armário. A frágil democracia brasileira estava em xeque.  Tumultos, caos, invasões, black-blocs e até uma tentativa de invasão ao Itamaraty. Era preciso restabelecer a ordem. “Intervenção militar já!”, dizia a turma do “anauê”, que se apropriou de grandes fatias de um evento onde, no final, já não se sabia quem eram os protagonistas. Ali a direita cresceu. Ali começou o golpe. Isso, apesar das melhores intenções daqueles que iniciaram os protestos. Mal sabiam eles que estavam municiando a extrema-direita, que recrudescia sem que fosse percebida por muitos.

Hoje, diante do caos instalado no país, por uma “greve” (greve?) de caminhoneiros onde não há uma liderança definida, onde não há uma pauta clara e onde estamos vendo, tal como em 2013, a entrada em cena dos mesmos grupos que cresceram em 2013, ficamos com a nítida impressão de que as naftalinas fascistas ainda não sublimaram. Elas parecem ter muito combustível, sem querer fazer nenhuma ironia com o momento crítico do país. O governo golpista decretou a redução do preço do diesel em 46 centavos, zerando o Cide e o Cofins por 2 meses, em um paliativo que nada mais é do que enxugar gelo. Mas, cabe uma pergunta: a redução em 46 centavos do preço do óleo diesel implicará em melhoria salarial para os motoristas que trabalham em empresas? Se, em 2013, “não era só pelos 20 centavos”, hoje também “não é só pelos 46 centavos.” Na rodovia Régis Bittencourt vimos um dos “grevistas” com uma camisa amarela (olha ela aí de novo!) com as letras “FFAA” em verde. Vimos também, em diversos pontos, caminhões com os dizeres “SOS FFAA”. O que, de fato, está por detrás desse movimento, onde não há liderança unificada e nem uma agenda comum de reivindicações? O caos estabelecido pode justificar os meios para quais fins?

Antes, queríamos evitar o golpe. Não evitamos e derrubaram a Presidente. Depois, queríamos derrubar os golpistas e promover eleições diretas. Também não conseguimos. Agora, temos que, ao menos, garantir as eleições de outubro. Mais uma vez nossa frágil democracia está ameaçada. 2013 não acabou. Só que agora ele está sobre rodas…

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