FALEMOS DO LOCKOUT

lockoutEntão está combinado. Doravante, falemos de lockout. O que ocorreu no Brasil não foi uma greve de trabalhadores caminhoneiros e sim um lockout de empresários para tirar vantagens. Em uma greve, os trabalhadores paralisam suas atividades reivindicando melhorias salariais, direitos trabalhistas, melhoria nas condições de trabalho. Não vemos greve de trabalhadores assalariados reivindicando subsídios ou redução de impostos. E é aí que entram os empresários. Se 70% dos transportes rodoviários de cargas no Brasil são feitos por empresas, então não podem ter sido os 30% de autônomos que, em menos de uma semana, levaram o país ao caos.

Fora isso, qual a greve de trabalhadores que pediria “Intervenção Militar Já”? Onde já se viu essa pauta fascista em qualquer reivindicação de trabalhadores? Se a greve fosse de trabalhadores assalariados, a grande maioria, que trabalha nas empresas, estaria cobrando aumento salarial e outros benefícios, e não redução do preço do diesel. Nem subsídios estatais. Nem redução de impostos sobre isso ou aquilo. Essas são reivindicações patronais, de empresas e não de trabalhadores. O setor empresarial dos transportes de cargas quer, evidentemente, se fortalecer, inclusive politicamente, com esse lockout. Eles participaram das manifestações que culminaram no golpe de 2016 e agora, com um governo carcomido pela corrupção, desmoralizado e sem representatividade, ficou mais fácil ainda para eles levarem adiante os seus projetos.

Perguntem aos caminhoneiros que trabalham em empresas quais foram ou quais serão suas conquistas ao final desse caos arquitetado pelas empresas transportadoras: o salário deles vai aumentar? Eles terão novos direitos? Parece que isso não vem sendo mostrado pela Globo. Para começar, curiosamente, ninguém nessa greve está sendo chamado de “vagabundo” por aquelas mesmas figuras de sempre. E o que o Bolsonaro diria de um movimento que pede intervenção militar? A emissora dos Marinhos só fala de um catastrofismo, desabastecimento, segurança nacional. Pronto. Esse é o mote para colocar os militares nas ruas. Eles vão restabelecer a ordem. As faixas “Intervenção Militar Já” parece terem surtido efeito. Diante do caos deliberadamente instituído, surgem os “redentores com roupa de Melhoral”. No meio de tudo isso, existe um golpista dentro de um bunker no Jaruru que, agora, pode ele mesmo  ser descartado por aqueles que lá o colocaram. Como qualquer papel higiênico (ou anti-higiênico) da pior qualidade…

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