CIA E O RIOCENTRO

atentado ao riocentro

Um documento da CIA revelado recentemente mostra que o atentado do Riocentro, no qual dois militares do DOI-CODI tentaram explodir duas bombas para matar milhares de pessoas e culpar a esquerda, foi mesmo organizado pelos militares e não por grupos de esquerda. O frustrado atentado aconteceu no dia 30 de abril de 1981, véspera da comemoração do Dia do Trabalhador. No local, realizava-se um show comemorativo do Dia do Trabalhador e a ideia era matar milhares de pessoas e culpar grupos de esquerda. Só que a bomba explodiu antes do tempo, no colo dos terroristas.

Os dois militares do DOI-CODI que estavam no carro onde a bomba explodiu eram o sargento Guilherme Pereira do Rosário (que morreu com a explosão) e o capitão Wilson Luís Chaves Machado. 37 anos depois, está mais do que comprovado que esses dois militares não foram vítimas e sim bandidos em uma missão de terrorismo de Estado. Mas ainda chama a atenção um detalhe: eles, certamente, não eram meros “lobos solitários” e não planejariam por conta própria um atentado de tal magnitude.

Na verdade, essa revelação do documento da CIA não nos causa qualquer surpresa. Assim como outros já revelados anteriormente que comprovam o envolvimento direto dos ditadores Médici e Geisel em assassinato de opositores (e não estamos falando de guerrilheiros!). Por isso, ficará sempre a grande suspeita de os dois militares terroristas estarem a serviço do governo. Até porque, como não há mais dúvidas, a “solução final” dos governos da ditadura militar era mesmo o extermínio de opositores (e não estamos falando de guerrilheiros!) O próprio SNI, na ocasião, tentou encobrir o caso, o que significa uma mostra muito clara do envolvimento de agentes públicos a serviço do terrorismo de Estado no fracassado atentado.

Um dos terroristas ainda pagou com a própria vida. Mas o outro e os possíveis e prováveis envolvidos jamais foram punidos. Militares de alta patente, como o general Newton Cruz, souberam do atentado antes da ação malograda dos terroristas. O que mostra que o sargento e o capitão não estavam sozinhos. O sargento morreu e o capitão, além de não pagar pelo crime, ainda chegou ao posto de coronel! Esse país ainda tem muito, muito o que ser passado a limpo. E, na história, não cabem recursos. No máximo, “embargos protelatórios”

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