MESSINA, BENJAMIN E NAPOLEÕES

paulo messinacesar benjaminConheci Paulo Messina pessoalmente  em 2012. Ele era vereador e pertencia à Comissão de Educação da Câmara Municipal. Na época, eu trabalhava na Escola Municipal Castelnuovo, na rua Francisco Otaviano, no Arpoador. Messina, então em visita à nossa escola, era o porta-voz de uma proposta que consistia em retirar a nossa escola do local e mudá-la para outro endereço, ali mesmo na Francisco Otaviano. Pela proposta, a escola iria ocupar um outro prédio que até então estava abandonado e no qual seriam feitas obras. Claro que a escola recusou a proposta. Não sei se Messina se lembra, mas cheguei a fazer uma contra-proposta: que a escola fosse mantida onde estava e que no tal prédio abandonado fosse construído um centro interescolar, para atender alunos das escolas municipais da região, como os que existiam, por exemplo, nos anos 1970. Depois disso nunca mais o vi. E, até quando eu trabalhei na Escola Castelnouvo, no final de 2015, Messina nunca mais nos visitou. Hoje, a Escola Castelnuovo ali permanece, desde 1966, quando foi inaugurada. Quanto ao prédio abandonado, nele foi construída uma filial do Hotel Arena. Não sei se a intenção era construir o hotel onde está a escola. Parece que isso jamais saberemos. Com que intenção, afinal, Messina nos levou aquela proposta em 2012?

Nesse final de semana, estourou a notícia da briga entre Paulo Messina, hoje chefe da Casa Civil do governo Crivella, e César Benjamin, Secretário de Educação. Benjamin acabou demitindo-se, depois de dizer que não aceitava ser destratado por Messina, a quem chamou de “Napoleão de Hospício”. Segundo Benjamin, Messina estaria minando a sua gestão à frente da Secretaria de Educação. Um dos pilares desse conflito seriam os contratos emergenciais feitos por Benjamin para a reforma de escolas. Esses contratos, como sabemos, dispensam licitações e teriam sido fechados para as reformas de 128 escolas, num total de 200 milhões a serem gastos. Não tive acesso aos números, mas tenho algum conhecimento das condições das escolas municipais, onde trabalhei por 30 anos. São mais de mil escolas. Muitas em condições precárias. Muitas faltando quase tudo. 128 escolas representam pouco mais de 10% da rede. 200 milhões a serem gastos emergencialmente com elas representaria uma média aproximada de 1 milhão e 500 mil por escola. Em se tratando de emergência e se educação é mesmo prioridade, nenhum absurdo. Os contratos, claro, serão analisados pelo Tribunal de Contas. Contra o que, afinal, Messina insurgiu-se?

Hoje chegou a notícia de que César Benjamin voltou atrás e reassumiu a Secretaria de Educação. Não estou interessado na briga entre os secretários do pastor. Mas, se Benjamin voltou, é porque as 128 escolas devem mesmo passar pelas reformas e, consequentemente, os 200 milhões serem liberados. Para o bem de alunos e professores. Porque, se não for para isso, e apenas para se submeterem ao “clero pentecostal”, então serão dois os “Napoleões de Hospício”

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