DIA DO GARI E A PRAÇA

garipraça marechal maurício cardosoHoje é o Dia do Gari, o profissional que cuida da limpeza de nossa cidade. O gari sempre me traz à memória a antiga Praça Gari, localizada em Olaria, entre as ruas Leopoldina Rego e Professor Plínio Bastos. A antiga Praça Gari é do tempo em que a Rua Leopoldina Rego, movimentadíssima, ainda era em mão dupla. Pertinho da praça, a antiga fábrica de artefatos de couro Mundial despertava os moradores da região com sua sirene. Em 1971 era inaugurada a Escola Aníbal Freire, vizinha da praça e, no ano seguinte, o Supermercado Ideal. Um outro estabelecimento ilustre, também de 1971, era a Padaria Nossa Senhora da Aparecida onde, mais tarde, viria a ser o Restaurante Porretão e, posteriormente, Trop Itália. Lembro-me de um pequeno monumento na praça com o seu nome estampado: “Praça Gari”.

A Praça Gari era uma referência para a comunidade. Ali realizavam-se festas juninas, exibições de filmes e as mais variadas atividades recreativas. Mas, apesar de tudo isso, estávamos em plena ditadura militar. Em meados dos anos 1970, o nome da praça foi, inexplicavelmente, alterado de Praça Gari para Praça Marechal Maurício Cardoso. A fábrica Mundial não mais existe e, no lugar do Ideal, o supermercado agora é o Extra. O golpe militar chegou nos garis e acabaram com o nome da praça que homenageava todos eles.

Mas a praça representa resistência. E em 2011, essa resistência derrotou as pretensões da Prefeitura de construir uma UPA no local. Os moradores se mobilizaram e conseguiram reverter o projeto, quando a praça já estava até com tapumes. Criou-se o grupo “Amigos da Praça Marechal Maurício Cardoso”, que promove vários eventos culturais no local, incluindo uma feira orgânica aos sábados e o chorinho orgânico no primeiro sábado de cada mês.

Hoje, estamos homenageando os garis. Porém, dentro do calendário de eventos culturais da praça, o dia 16 de maio deveria ser incluído. A eterna Praça Gari ( por ora, esqueçam o marechal!) deveria até ter alguma placa indicativa de sua antiga denominação. E, quando os garis trabalham por lá, nem imaginam que, um dia, aquele logradouro era uma homenagem a eles. Naquela praça, não estão mais os mesmos bancos, as mesmas flores ou os mesmos jardins, como diria o saudoso Carlos Imperial, em uma de suas composições mais famosas. Mas estão as eternas lembranças de uma época, igualmente de resistência e onde hoje a resistência insiste em não cessar. Há dois meses, no dia 17 de março,  houve uma homenagem à vereadora Marielle Franco e ao motorista Anderson Gomes na praça. E, tenho certeza, o antigo nome da praça inspira essa resistência. Parabéns aos garis!

 

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